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Identidade da escola

O perfil da instituição está em construção constante e em articulação com toda a sociedade

Terezinha Azerêdo Rios

Terezinha Azerêdo Rios. Foto: Marina PiedadeÉtica na escola

Terezinha Azerêdo Rios é graduada em Filosofia e doutora em Educação.

 

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Há quase dez anos, participei de um simpósio em que se discutiu o tema "Identidade da escola frente ao terceiro milênio". Naquele cenário, pairava a pergunta: que transformações se dariam no contexto escolar? Durante a discussão, fiz referência a um livro do escritor uruguaio Eduardo Galeano que acabara de ser publicado, De Pernas Pro Ar - A Escola do Mundo ao Avesso (Editora L&PM), em que ele afirma: "Há 130 anos, depois de visitar o país das maravilhas, Alice entrou num espelho para descobrir o mundo ao avesso. Se Alice renascesse em nossos dias, não precisaria atravessar espelho algum: bastaria que chegasse à janela". Na escola do "mundo ao avesso", Galeano encontra "cátedras do medo", "aulas magistrais de impunidade" e uma "pedagogia da solidão". Isso levou à indagação: terá a escola perdido sua identidade, neste mundo ao avesso, de mudanças rápidas? Essa pergunta ecoa ainda hoje entre os educadores e desafia os gestores escolares.

Quando falamos em identidade, nos referimos a características que especificam algo ou alguém. A identidade, no entanto, não é estática. Ao contrário, ela está em permanente elaboração, num contexto social de interação de indivíduos e grupos, implicando reconhecimento recíproco.

E isso se dá com a escola. A identidade dela vai sendo arquitetada no meio de que ela faz parte, com todos os segmentos que a compõem, levando-se em conta necessidades, crenças e valores. É uma identidade que se afirma na articulação com as outras instituições sociais - a família, a comunidade, a Igreja, as associações, as empresas - e que se configura no cumprimento da tarefa de socializar de modo sistemático a cultura e de colaborar na construção da cidadania democrática. A maneira de cumprir essa missão muda - e isso significa que a escola leva em consideração as transformações da sociedade de que faz parte e as várias contradições que desafiam os educadores que nela trabalham, especialmente os gestores.

O que se requer da escola é que, na mudança, permaneça nela um espaço para a criação de um mundo sem cátedras, sem privilégios e sem medo. E que, sobretudo, ela seja o lugar em que se realize uma pedagogia baseada na solidariedade. Para isso, é necessária uma atitude verdadeiramente crítica de seus gestores, um olhar profundo e abrangente, para ver o que deve permanecer e o que precisa ser modificado. Sem esquecer a coragem para realizar as transformações necessárias. As experiências bem sucedidas - e elas têm sido muitas! - mostram a possibilidade de empenho coletivo na construção da escola que queremos e à qual temos pleno direito.

Terezinha Azerêdo Rios

É professora do programa de pós-graduação em Educação da Universidade 9 de Julho.

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Kátia O. A. Coutinho - Postado em 17/12/2009 19:31:54

Ética é uma palavra que perdeu-se nesta faze da vida em que estamos. O governo, o sistema, os cidadãos, o mundo todos só se preocupam com seu umbigo cada um por si e o resto que se vire. O mundo tem que acordar não é só o nosso povo que desconhece o real valor desta palavra ÉTICA

victor antonio de lima - Postado em 17/12/2009 12:37:56

Mais importante que a identidade da instituição revela-se a identidade daqueles cidadãos que a compõe. As constantes migrações e a falta de abordagens históricas fizeram desaparecer a identidade paulista, por exemplo. Moro em Cruzeiro, quartel general da Revolução Paulista e desde 40 anos passados não presenciava a comemoração deste importante fato histórico do nosso país. Mais que fortalecer uma instituição necessário faz-se fortalecer cidadãos.

Solange Gomes da Fonseca - Postado em 07/12/2009 12:35:58

Solange Gomes da Fonseca. Concluindo o meu raciocínio: A construção da identidade coletiva dos professores se faz presente na problematização assumida por seus autores e reconhecida publicamente. Partindo do modo com que os professores apresentam-se como ator coletivo e da auto-imagem que revelam, o assunto procura abordar as razões e os modos de viver em conjunto, bem como a dinâmica das interações que realizam, envolvendo conflitos, negociações, intercâmbios e decisões. É assim que se ouve falar em 'crise de identidade da escola'; 'crise de identidade do professor', assim como há quem diga estar "em busca" de sua identidade. Todavia, estudar as relações de "identidade da escola" é tarefa que se torna possível pelas muitas conbtribuições teóricas já existentes, tanto no que se refere à abordagem individual quanbto a coletiva.



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Publicado em GESTÃO ESCOLAR, Edição 005, Dezembro 2009/Janeiro 2010.

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