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Foco na capacitação dos gestores

Qualificar diretores é a chave para que eles liderem equipes e zelem pela aprendizagem

Paola Gentile

Foto: Bloom Productions/Getty Images
Trabalho em equipe Direção e coordenação
pedagógica atuam para dar formação
continuada na própria escola para os
professores e garantir a aprendizagem
das turmas
NOVA ESCOLA 25 anos

Os primeiros exemplares de NOVA ESCOLA traziam uma história em quadrinhos com Cileuza, a Professora - e suas desventuras com Dr. Janjão, o diretor da escola, que fiscalizava o trabalho docente, só cobrando tarefas e dando broncas. Descontados os exageros, não há como negar que, naquela época, o diretor era mesmo um gerente preocupado só com questões burocráticas. De lá para cá, muita coisa se transformou, a começar pela criação da expressão "gestor escolar" para se referir aos diretores, vice-diretores, coordenadores pedagógicos, supervisores e assessores técnicos. O dia a dia exige atualmente outras competências de quem ocupa esses cargos.

Foi a Constituição de 1988 que colocou em cena o termo gestão democrática: mais participação de pais e da comunidade, seja para eleger o diretor, seja para ajudar a tomar decisões. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996, trouxe mais uma novidade: a necessidade de cada escola preparar o próprio projeto pedagógico - antes inexistente ou definido pela Secretaria e Educacão, sem a participação dos professores. Isso ampliou a responsabilidade do diretor sobre as questões pedagógicas e a gestão da equipe. Paralelamente, surgiram demandas administrativas, com a inclusão de novos alunos - antes fora da sala de aula -, e na esfera financeira, já que as escolas começaram a receber recursos diretamente do governo federal ou da rede e precisavam prestar contas.

Em apenas 25 anos, o diretor escolar foi obrigado a trabalhar com um novo perfil de aluno, aprender a conversar com interlocutores que não faziam parte de seu cotidiano, gerir recursos financeiros, preocupar-se com a qualidade dos profissionais e pilotar a construção de um projeto com foco na aprendizagem. Para ajudá-lo, várias redes começaram a organizar a gestão da escola na forma de um tripé: além do próprio diretor, ganham espaço o coordenador pedagógico (com foco na formação dos professores) e o supervisor de ensino (antes fiscal da burocracia que passa a ser capacitado para ser o agente da Secretaria de Educação que forma e auxilia os gestores).

Porém todas essas leis foram aprovadas sem que houvesse bons exemplos a seguir. Por isso, muitas redes ainda não conseguiram colocar em prática essas diretrizes. "Formar melhor os gestores é o desafio", resume Heloísa Lück, diretora do Centro de Desenvolvimento Humano Aplicado (Cedhap), de Curitiba.

Uma pergunta para Heloísa Lück

Foto: Marcelo Almeida

Educadora paranaense, é uma das maiores conhecedoras da área de gestão escolar no Brasil.

O que esperar dos gestores hoje e no futuro?
Eles devem compreender que seu papel é garantir avanços na aprendizagem de todos os alunos. E que, para isso, é essencial desenvolver uma cultura organizacional na escola com características educativas. Ou seja, criar um ambiente em que os professores e os funcionários aprendam enquanto ensinam. Isso depende de mais articulação entre as redes de ensino, os gestores e as universidades.

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Andreia Cristiane Fernandes dos Santos - Postado em 19/02/2011 12:37:27

A função de um gestor escolar deve abranger muitas áreas, o pedagógico, o administrativo,o financeiro, a gestão de pessoas, o social... Enfim, se faz necessário que este profissional esteja permanentemente em formação, antenado nas transformações para que além das competências necessárias, sejam adquiridas ou ampliadas as habilidades, que fortaleça e respalde o seu trabalho, na construção de uma gestão democrática favorecendo os resultados desejados pela comunidade escolar como um todo. Andreia C.F. dos Santos-Parnamirim/RN

ANIELLIS DE SOUSA AZEVEDO - Postado em 17/02/2011 21:46:31

O gestor escolar atual precisa muito de uma formação de qualidade. Sem dúvidas, uma boa formação ajuda a transformar a prática desta figura tão importante do sistema educacional. Mas, participar de uma formação não basta. É preciso ter espírito de liderança, é preciso ter na alma a vontade de mudar, enfim, gostar da profissão. Partindo destas características o gestor tem maiores possibilidades de conquistar a comunidade escolar e fazer de seu grupo de trabalho, uma equipe focada na aprendizagem e no bom andamento da escola. No decorrer da história da educação brasileira, o que a gente tem visto são documentos, resoluções,...que ressaltam uma formação profissional adequada, um perfil das instituições escolares e dos seus integrantes, tudo a favor do sucesso no processo de ensino-aprendizagem. Mas, infelizmente, muitas coisas só ficam no papel, existe algo que está errado, pois, já que a Constituição Federal é de 1988 e a mesma trata de direitos, principalmente à educação de qualidade, por que será que ainda estamos tão longe de alcançar esta ¿qualidade¿ que tanto se almeja? Por que será que os envolvidos na educação ainda não têm o perfil ideal que as escolas brasileiras merecem? Caminhamos a passos lentos, e assim também são os gestores, pois estes vivem a esperar uma melhora no sistema educacional, uma maior valorização profissional tanto para si, como para seus professores. E, mesmo que os gestores recebam uma formação continuada que os faça crescer, por outro lado falta a formação e valorização dos professores que, de fato, sustentam o andamento de muitas atividades escolares. ANIELLIS DE SOUSA AZEVEDO. GRAÇA-CE.

Publicado em NOVA ESCOLA Edição 239, Janeiro/Fevereiro 2011. Título original: Foco na capacitação

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