Márcio Ferrari

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O estigma é reforçado pelo fato de várias redes públicas, estaduais ou municipais, terem recuado da adoção do sistema de ciclos. O fenômeno não é exclusivamente brasileiro. A Espanha voltou atrás, restringindo bastante os ciclos. O mesmo aconteceu com uma experiência considerada modelo - a de Genebra, na Suíça. No entanto, pedagogos e administradores públicos da educação não titubeiam ao defender a superioridade do sistema sobre a organização seriada.
A favor ou contra, o que falta mesmo são estudos aprofundados sobre o assunto. Uma das poucas especialistas é Elba Siqueira de Sá Barretto, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, ambas na capital paulista, que concedeu esta entrevista a NOVA ESCOLA.
Em geral, o sistema de ciclos no Brasil é adotado para corrigir o atraso escolar. O objetivo do sistema continua sendo esse?
Elba O grande atraso escolar é efetivamente um dos motivos que orientam as experiências brasileiras de medidas de não-repetência - que agora se chamam ciclos, mas já tiveram outros nomes. A reprovação não melhora a qualidade do ensino. Se fosse pelo número de reprovados, o Brasil estaria entre os campeões da boa educação, e nós sabemos que isso não é verdade. Por trás da questão da correção do fluxo, há uma preocupação com a democratização do ensino. Quando não havia escola para todos, a repetência tirava o lugar de novos alunos. Hoje existem vagas para todo mundo, mas o atraso escolar ainda é muito grande. Nós temos mais alunos de 15 a 17 anos freqüentando o Ensino Fundamental do que o Ensino Médio, que seria o certo para essa faixa etária.
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