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Elba Siqueira de Sá Barreto fala sobre o sistema de ciclos

Para a pedagoga, as medidas anti-repetência foram implantadas sem profundidade e isso explica em parte a resistência dos professores à mudança no funcionamento da escola

Márcio Ferrari

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As primeiras experiências brasileiras de organização do Ensino Fundamental em ciclos, agrupando as séries, ocorreram há quase 40 anos. Mesmo assim, a ideia de períodos letivos mais longos, em que o recurso da reprovação praticamente não existe, ainda causa muita resistência entre pais, professores e opinião pública.

O estigma é reforçado pelo fato de várias redes públicas, estaduais ou municipais, terem recuado da adoção do sistema de ciclos. O fenômeno não é exclusivamente brasileiro. A Espanha voltou atrás, restringindo bastante os ciclos. O mesmo aconteceu com uma experiência considerada modelo - a de Genebra, na Suíça. No entanto, pedagogos e administradores públicos da educação não titubeiam ao defender a superioridade do sistema sobre a organização seriada.

A favor ou contra, o que falta mesmo são estudos aprofundados sobre o assunto. Uma das poucas especialistas é Elba Siqueira de Sá Barretto, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, ambas na capital paulista, que concedeu esta entrevista a NOVA ESCOLA.

Em geral, o sistema de ciclos no Brasil é adotado para corrigir o atraso escolar. O objetivo do sistema continua sendo esse?
Elba  O grande atraso escolar é efetivamente um dos motivos que orientam as experiências brasileiras de medidas de não-repetência - que agora se chamam ciclos, mas já tiveram outros nomes. A reprovação não melhora a qualidade do ensino. Se fosse pelo número de reprovados, o Brasil estaria entre os campeões da boa educação, e nós sabemos que isso não é verdade. Por trás da questão da correção do fluxo, há uma preocupação com a democratização do ensino. Quando não havia escola para todos, a repetência tirava o lugar de novos alunos. Hoje existem vagas para todo mundo, mas o atraso escolar ainda é muito grande. Nós temos mais alunos de 15 a 17 anos freqüentando o Ensino Fundamental do que o Ensino Médio, que seria o certo para essa faixa etária.


Quais os outros objetivos do sistema de ciclos?
Elba A idéia de ciclos e medidas anti-repetência foi assumindo diferentes significados. Atualmente, a proposta de ciclos é bastante elaborada. Ela incorporou as tendências contemporâneas da pedagogia e uma preocupação com a inclusão de todos na escola. Os ciclos agora propõem uma revisão na forma de entender o conhecimento e a aprendizagem e de trabalhar a organização da escola e o currículo, mais adequada em uma escola para todos e não apenas para os melhores.
=== PARTE 2 ====
=== PARTE 3 ====

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Publicado em NOVA ESCOLA Edição 189, Janeiro/Fevereiro 2006. Título original: "O sistema de ciclos é o mais adequado na escola para todos"

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