Catarina Iavelberg
Orientação educacional
Catarina Iavelberg é especialista em Psicologia da Educação e escreve sobre orientação educacional.
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Muitas das escolas que contam com a presença de um orientador educacional definem que uma das atribuições essenciais desse profissional é atuar como mediador de conflitos entre alunos, professores e família. Ou seja, como responsável por acompanhar e ajudar os estudantes em questões de relacionamento, dificuldades de aprendizagem e tudo mais que diz respeito a valores, atitudes e emoções.
Para tanto, o orientador educacional precisa manter um contato permanente com os alunos, realizando reuniões com cada classe para mapear problemas, dar suporte, negociar e planejar ações preventivas. Ao mesmo tempo, cabe a ele organizar encontros com os pais para mantê-los informados sobre a vida escolar dos filhos. Porém é comum esses eventos serem pautados por dois temas recorrentes: o desempenho escolar insatisfatório e a falta de disciplina dos jovens. Os pais são informados sobre lições de casa não feitas, faltas às aulas, atitudes "bagunceiras" e "desrespeitosas" em brigas com os colegas etc. A família é colocada numa posição delicada porque geralmente é responsabilizada pelos problemas atitudinais ocorridos na escola. Espera-se, muitas vezes sem resultado positivo, que os pais resolvam a questão, coloquem os filhos de castigo ou os convençam a ser "bons" alunos.
Essas reuniões seriam mais produtivas se tivessem outros objetivos. Mais importante do que atender aos pais de forma individualizada é reuni-los em contextos coletivos para falar de assuntos de interesse geral. Assim, é possível ajudá-los a entender, por exemplo, as intenções do projeto político pedagógico e como elas são traduzidas no cotidiano escolar; o motivo da adoção de livros didáticos e paradidáticos; ou ainda os desafios que os alunos enfrentarão em cada nível de ensino. Quando compreendem o sentido das experiências propiciadas pela escola, os pais se fortalecem e se tornam mais críticos e capazes de identificar se aquilo que a escola defende como ação formativa vai ao encontro dos valores familiares. Uma das ações mais promissoras para a formação de uma comunidade reflexiva é a realização de encontros que visam à problematização de questões que despertam preocupação e interesse por parte da comunidade.
Cada grupo tem de definir os assuntos de discussão em função das suas demandas. Temas como consumo, internet, alimentação, sociabilidade, bullying, sexualidade, drogas, violência e separação dos pais, quando tratados abertamente, revelam sua complexidade. Muitas famílias relatam a dificuldade de abordar esses assuntos com os filhos e definir limites em relação aos combinados da vida doméstica, como uso do computador, saídas para festas, horários de estudo e de retorno para casa etc.
Os encontros são frutíferos quando permitem uma comunicação transparente entre pais e professores. Especialistas de outras áreas de conhecimento são bem-vindos desde que não imponham sua opinião, mas trabalhem em conjunto com o grupo, levantando preocupações e pensando em possíveis soluções. Assuntos complexos não são compreendidos e resolvidos de forma simples. Por isso, uma comunidade de pais reflexiva vira uma forte aliada da escola.
É assessora psicoeducacional especializada em Psicologia da Educação.
Adriana Costa Oliveira Monteiro - Postado em 22/03/2011 17:14:36
Pela experiência na Instituição de ensino onde sou diretora nos 45 minutos que antecedem as reuniões de pais e mestres realizamos bimestralmente palestras / encontros com os pais, com temas de interesse da comunidade escolar. O objetivo é a integração escola / família e consequentemente termos os pais de nossos alunos como aliados nas situações problemas do cotidiano e nos projetos.