Gustavo Heidrich
Na reunião de planejamento no começo do ano letivo, a diretora mostra os resultados da Prova Brasil. "Precisamos melhorar essas notas! Senão como fica a imagem de nossa escola?" A solução proposta é "treinar" as turmas para fazer o exame. Certamente esse não é o melhor caminho. Primeiro porque essa medida é ineficaz para atingir os objetivos, já que as questões da avaliação são baseadas em raciocínio e no desenvolvimento de habilidades e competências - o que os treinos não resolvem. Segundo porque essa prática inverte a lógica proposta pelo teste, criado para acompanhar a aprendizagem durante o período de dois ou três anos. É preciso lembrar que o objetivo de um exame não é a nota em si, mas saber o que o aluno aprendeu. Para melhorar o desempenho em qualquer teste, só existe um caminho: fazer com que aprendam de fato nas aulas regulares. O papel da equipe gestora é ajudar os professores a detectar os problemas de ensino e ajudá-los a superar as possíveis dificuldades. Os resultados dos exames só devem servir de indicadores do nível de conhecimento das crianças e de base para definir as metas de aprendizagem para cada série (se preciso, com os reajustes necessários na proposta política pedagógica).
Investir na formação dos docentes e na infraestrutura da escola, principalmente em itens como biblioteca e livros, que aumentam o contato dos alunos com a cultura escrita, é um bom caminho para obter melhoras significativas no ensino e, assim, avaliações mais positivas.
Em um passado não muito distante, não havia parâmetros para analisar o nível da Educação no país. Apesar das críticas, relacionadas às normas de elaboração das questões e ao uso dos resultados, as avaliações são, ao lado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), um passo importante para definir prioridades e estratégias mais efetivas de promoção da qualidade do ensino.
Wilson Rossett - Postado em 21/09/2010 10:53:19
Como professor de matemática que este ano está na função de diretor, conheci os dois lados das avaliações externas. Em nenhum momento as temi ou senti a necessidade de se treinar para elas, o que iria contra os principios da escola pública. Acredito que a qualidade do ensino seja naturalmente refletida nas notas e, por isso, elas devem servir de parâmetro para a busca dessa qualidade tanto por professores, quanto por gestores. O lamentável é ver as notas em tais avaliações se prestarem à criação de um ranking entre escolas, secretarias de educação e até SREs, ou pior sendo usadas como moeda de troca e favorecimento. Isso nada mais é do que o capitalismo selvagem sendo levado à escola pública.
Sirlene Paes - Postado em 30/08/2010 17:06:42
A palavra treino por si só é incompatível com educação. Neste ponto, opto por nadar contra a maré. Levo meus alunos à consciência crítica, ao raciocínio e pensamento próprio, sem moldes e amarras. As boas notas virão, por conseguinte, sem necessariamente ser a prioridade neste processo.
serjane cristina paolillo - Postado em 28/08/2010 14:17:30
Realmente assim não dá, mas o sistema educacional proporciona este tipo de atitude no ambiente escolar , pois infelizmnte alguns gestores condenam seus professores e não apostam em mudanças e nem tomam outras providencias para atender as dificuldades de aprendizagem presentes na unidade escolar, assim esta atitude faze com que os professores prefiram TREINAR para ter RESULTADOS maquiados e não serem julgados. infelizmente, o que podemos fazer? quando iremos ter voz na educação e relmente mudar este quadro patetico?