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Agir com autonomia

Muitos se queixam da "falta de liberdade" sem levar em consideração que a liberdade é sempre relativa

Terezinha Azerêdo Rios. Foto: Marina PiedadeÉtica na escola

Terezinha Azerêdo Rios é graduada em Filosofia e doutora em Educação.

 

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Em encontros com diretores de escolas, supervisores e coordenadores pedagógicos, ouvem-se com muita frequência queixas como "a gente não tem autonomia!" e "os gestores não têm liberdade porque precisam dar satisfação de suas ações à Secretaria da Educação, à comunidade etc." Ora, autonomia e liberdade são palavras-chave do trabalho educativo. Na verdade, são também da ação humana. Como, então, encarar essas reclamações? Será que os educadores têm razão nas colocações? Ou não estão sabendo aproveitar a autonomia que têm? Vamos analisar juntos.

A liberdade é o aspecto que distingue os seres humanos dos outros animais. Enquanto estes estão submetidos a um determinismo, nós conseguimos interferir na natureza e criar a cultura e a história. Ser livre, no entanto, não significa não ter limites. Somos livres juntamente com os outros e, portanto, somos responsáveis - temos de responder por nossas ações e ter consciência de suas implicações. O exercício da liberdade se dá sempre em situações de convívio e de relacionamento. Por isso, ninguém é livre sozinho.

Há um caminho que vai da heteronomia - quando alguém obedece às regras impostas passivamente - à autonomia - em que os valores considerados significativos se internalizam ou, num exercício crítico, são criados outros.

É importante destacar que autonomia não é independência. Ela é sempre relativa - e isso não quer dizer que seja pouca. Significa, sim, que se configura pela relação e pode ser ampliada quando descobrimos - ou inventamos - possibilidades de atuação que fortaleçam a afirmação da cidadania, de uma articulação estreita de direitos e deveres e de um trabalho efetivamente coletivo.

Qual é o espaço que a escola tem para exercer sua autonomia? Vejo no projeto pedagógico a expressão mais privilegiada para essa prática. É em sua elaboração que se criam condições de contemplar as necessidades e os desejos do conjunto dos educadores envolvidos e da comunidade. Num processo participativo e de articulação orgânica com os outros, cada um realiza sua tarefa.

É isso que faz com que esse projeto se configure como uma intervenção livre - e autônoma! - de todos, considerando as diretrizes existentes e fazendo um exercício de criação e de formação contínua, compromissado com o aprimoramento da qualidade da Educação. Cabe ao gestor, como articulador do projeto, empenhar-se no sentido de que a ação livre (o empreendimento autônomo) se dê num movimento de construção coletiva do bem comum, que é o objetivo principal do trabalho educativo. 

TEREZINHA AZERÊDO RIOS é professora do programa de pós-graduação em Educação da Universidade 9 de Julho.

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Maquir Santos - Postado em 31/01/2011 15:29:37

Terezinha Azeredo é mais que uma educadora, é uma parte de "nós" todos educadores, mas a parte "falante". Ela consegue exprimir o que muitos de nós gostaria. Ouvi-la nesta última quinta-feira(27/01/11) no CEU Jaçanã, foi mais uma vez gratificante. Utlizar a autonomia, com responsabilidade e o"meu" carinho, afetuoso, é o melhor caminho para uma boa e sucedida gestão. Parabéns à ela mais uma vez.

Publicado em GESTÃO ESCOLAR, Edição 002, Junho 2009.

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