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As perguntas que geram projetos

O aperfeiçoamento da escola e dos professores depende das questões que são formuladas, e não só das soluções oferecidas

Luis Carlos de Menezes

Foto: Marcos Rosa
"Teremos uma Educação com mais qualidade quando enfrentarmos, com determinação, os problemas reais surgidos no dia a dia."
Foto: Marcos Rosa

Em breve, começaremos outro ano de trabalho, recompostos pelas férias, mas inquietos com novos desafios ou os que ainda restaram, como quais novas turmas teremos e quais manteremos. Isso é essencial na nossa profissão e, após acompanhar gerações de professores em formação e muitos inícios de períodos letivos, sei que as dúvidas têm mais valor do que as certezas.

Na minha experiência de professor, vejo que os trabalhos mais eficientes são desenvolvidos por gente que considera que as questões mais difíceis valem mais que respostas prontas desde que se transformem em ação. Por exemplo, Demétrio, José André e Marta queriam ensinar Ciências emancipando para a participação e Cecília gostaria de mostrar que na própria escola se formam os professores, ambas experiências que resultaram em livros muito bons. Já Luiza queria crianças inventando respostas e não repetindo as mesmas, o que prossegue na busca de Wagner por aulas participativas mesmo que com dezenas de alunos.

Suas inquietações frutificaram em projetos de vida, em Florianópolis, Natal, Rio de Janeiro, São Paulo ou Botucatu, a 243 quilômetros de São Paulo. Aprendo muito com eles e, se aprendem algo comigo, é que nosso bom serviço não leva os alunos a responder tudo, mas a fazer perguntas inéditas, como as que eles fizeram!

Também de leitores recebo questionamentos preciosos: Fernanda busca na psicopedagogia como alfabetizar alunos com dificuldade especial, a coordenadora Cristina procura professores do segundo ciclo preparados para esses alunos, Marluce denuncia carências do sistema escolar, Afonso quer proteger o professor da violência escolar e Adélia busca no circo formas de aprender. Cada questão motiva um programa de investigação.

Esses educadores, com décadas de Magistério ou apenas dois ou três anos de prática, revelam uma vitalidade à altura dos problemas de nossa escola. Sua força maior está nas questões que ousam fazer, e não somente nas respostas parciais com que acenam e, em vez de lamentações, resultam em planos de ação que dão sentido a seu trabalho diário. Tudo isso reforça a convicção de que teremos uma Educação com mais qualidade quando enfrentarmos, com determinação, os problemas reais surgidos no dia a dia - e não apenas pela absorção contínua de saberes e técnicas descolados da prática.

Por fim, me permito contar duas perguntas sem resposta, com as quais começo este novo ano, em minha vida de formador de professores e de consultor. Uma é sobre os professores de disciplinas, que precisam lecionar para muitas turmas em mais de uma unidade e não conseguem acompanhar e avaliar tantos alunos sem conhecê-los. Sei que isso só se supera ao se dedicarem exclusivamente a uma escola, mas como conseguir? Penso que ajudaria terem atividades extraclasse para ocupar todos os horários ou garantir que pudessem ensinar várias disciplinas afins na mesma escola. Mas são propostas provisórias a serem batalhadas, pois está claro que não se realizam só porque alguém "teve uma ideia".

A outra é mais filosófica, sobre um processo social que envolve a Educação: as atividades braçais e repetitivas têm sido substituídas por autômatos e sistemas, e quem não tem formação elaborada está fora do mercado de trabalho. Como o acesso a boas faculdades não evolui no mesmo ritmo das tecnologias de produção e serviços, o que fazer para evitar essa exclusão social? Há algum tempo, investigo programas para escolas públicas de Ensino Médio promoverem a inserção profissional, mas ainda vejo esse cenário como outra questão aberta, demandando mudar uma cultura escolar com tantos envolvidos...

Esses são dois assuntos que me motivam e, por isso, fazem parte de meu projeto. E você: quais são suas questões?

Luis Carlos de Menezes

 É físico e educador da Universidade de São Paulo (USP).

TACIANA BALTH JORDÃO - Postado em 30/04/2010 18:23:57

Sou formadora e compartilho da ideia de que as perguntas geram novos conhecimentos. Afirmo que todo professor (a) deva ser um pesquisador. Com isso todos ganham; o próprio profissional, a instituição, o sistema e principalmente o aluno. Buscar respostas de perguntas bem formuladas, bem pensadas é um exercicio de reflexão nas duas situações, tanto para o momento da sua elaboração (pergunta); quanto no momento de sua explicação (resposta). Opa, quase esqueci de responder: minhas questões envolvem a formação continuada de professores, suas angústias e dificuldades, suas realizações e sucessos no processo de ensino e aprendizagem.

Vânia Fuchter Petris - Postado em 07/02/2010 15:39:11

"As perguntas que geram projetos" é um artigo de fundamental importância para educadores. Ensinando com projetos é que nós professores teremos um ensino de qualidade. Somente conseguiremos uma aprendizagem significativa dos nossos alunos quando ensinarmos a partir dos questionamentos deles. Pois só o que se quer saber é que se aprende, e o projeto possibilita essa busca por saberes.

Solange Gomes da Fonseca - Postado em 06/02/2010 03:01:45

Solange Gomes da Fonseca. Teremos uma educaçao de qualidade, quando pararmos de atribuir à profissao de professor, as estrategias governamentais e, sim as suas praticas pedagogicas, que geram varias perguntas, ao projeto que envolvem as condiçoes postas que o implica em sua autonomia didatica, que é o direito legal do professor em sala de aula. Hoje, ha uma incoerencia absurda, que vemos em alguns professores, que negam suas praticas pedagogicas em sua carreira de docente, devido aos baixos salarios. O mercado financeiro esta aberto para todos, entao, que os professores que pensam e trilham pelo lado financeiro , aconselho que procure por outras profissoes. É, óbvio, que nao concordo com o descaso de nao oferecerem aos professores da rede que estao desatualizados, incentivos para que continuem seus estudos e que voltem as universidades ou que façam pos-graduaçao para aprender novos conceitos, ideias, metodos didaticos e pedagogicos e, assim, atualizarem seu plano de carreira, com condiçoes de produçao em sua area de conhecimento especifico e pedagogico. Medir a eficacia do professor em sala de aula, é algo complexo de ser desenvolvido nos moldes da educaçao atual no Brasil. A unica maneira de se fazer isso, é atraves de cursos de formaçao continuada, onde o pofessor tem sua "mediçao" de sua eficacia, na medida em que se empenha em estudar para ser um profissional de respeito e de brilho na escolha de sua profissao de educador. Reconheço como professora, que a profissao nao é valorizada e, que deve ganhar um destaque maior no ambito nacional da educaçao. Todavia, o que deve acontecer, é um trabalho entre alunos, governo, pais e professores. Uma vez, feito isto, o Brasil so lucrara. O meu desejo como educadora, é que o numero de profissionais da educaçao, cresça com seus objetivos e sua força de vontade para um futuro mais digno da classe de professores.

Publicado em NOVA ESCOLAEdição 229, Janeiro/Fevereiro 2010,

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