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Coordenador pedagógico: um profissional em busca de identidade

Pesquisa da FVC conclui que a formação de professores começa a ser o foco da atuação do coordenador, mas ele ainda sofre com a falta de apoio

Paola Gentile

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Dia a dia atribulado e legislação confusa contribuem para atuação sem foco

Analisando cada um dos elementos dessa somatória, percebe-se que, no quesito tarefas, a rotina desse educador é uma bagunça: 72% costumam acompanhar a entrada e a saída dos alunos diariamente, 55% conferem se as classes estão organizadas e limpas, 50% atendem todos os dias telefonemas de pais e de outras pessoas que procuram a escola (e 70% acreditam que isso é adequado) e 19% assumem alguma classe pelo menos uma vez por semana quando falta um professor. No meio disso tudo, temos ainda 9% que admitem não desempenhar nenhuma atividade regular relativa à formação de professores e 26% que se ressentem por não dispor de tempo suficiente para se dedicar à elaboração ou à revisão periódica do projeto político-pedagógico (PPP).

Quando se analisa a expectativa que a direção, a equipe docente e a comunidade têm dele, percebe-se a diversidade de posições: os diretores esperam que o coordenador pedagógico cumpra bem todas as determinações vindas da Secretaria de Educação; os professores, que ela seja um apoio nas dificuldades em sala de aula; e os pais, por sua vez, anseiam ser bem atendidos - ao mesmo tempo em que não sabem muito bem quais são suas funções (na verdade, o atendimento aos pais deveria ser feito pelo orientador educacional, quando há esse profissional na escola, ou pelo diretor, em horários previamente definidos).

Há também as atribuições legais, que poderiam ajudar na definição do papel do coordenador. Contudo, pela leitura atenta feita pelos pesquisadores das regulamentações de cinco Secretarias Estaduais, elas só acrescentam mais confusão ao quadro: das 256 funções listadas para o cargo, apenas 20% são explicitamente formativas.

Como os coordenadores pedagógicos se veem
Porcentagem de profissionais que se se acham importantes para:

A aprendizagem dos alunos: 95%

O trabalho pedagógico dos professores: 100%


Porém, quando se compara com outros agentes, ele se coloca na sexta posição em importância:

Como os coordenadores pedagógicos se veem

 

=== PARTE 3 ====
=== PARTE 4 ====

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MARIA DAS GRAÇAS SILVA SANTOS - Postado em 05/12/2012 02:55:21

Quando li essa reportagem fiquei muito triste por perceber como minha ação enquanto coordenadora pedagógica, estava distanciando-se daquilo que é a minha função principal, a formação continuada em serviço da equipe docente. A gente nem se dá conta de como nos envolvemos em situações que não são da nossa alçada. Virei um misto de inspetora, psicologa e algo mais e me distanciei muito do alvo por quase um ano, mas não costumo lamentar leite derramado, o interessante é colocar de novo o leite para ferver e ficar de olho. PARABÉNS EQUIPE DA FVC. Valeu o sacode que vocês me deram.

Elena Roque de Souza Almeida - Postado em 27/07/2011 10:32:32

Este tema é justamente o escolhido para minha tese de Mestrado... A escolha do objeto desta pesquisa foi baseada em minha experiência como professora de ¿séries iniciais¿, de primeiro ciclo, de segundo ciclo e como coordenadora pedagógica desde o meu primeiro trabalho até o atual, no CEFAPRO/Cbá MT com formação continuada na modalidade presencial. Devido a minha insatisfação em perceber que apesar das várias iniciativas do Governo Federal, em parceria com estados e municípios, com a implantação de programas voltados para a formação continuada, numa tentativa de reencantar a educação no país, pelas possibilidades de adequar o processo educacional, ainda encontramos um grande número de coordenadores pedagógicos da atualidade, desmotivados com seu papel ao vivenciar os desafios da função, pela responsabilidade de construir um ambiente de aprendizagem significativa, através de seu envolvimento no processo educativo frente à formação continuada dos professores e à qualidade de ensino, quando entendemos que o educar e o aprender se consolidam a partir da integração dos conhecimentos teóricos com a prática e da estreita relação de afetividade entre os diferentes sujeitos sendo de competência da coordenação pedagógica, mediar e fazer acontecer esse processo. Essa pesquisa mostrou que a causa maior da desmotivação dos coordenadores pedagógicos é possuir uma fundamentação teórica insuficiente e desatualizada para atender as práticas da atualidade. Nessa perspectiva, por estar envolvida no projeto de formação continuada, e também por fazer parte das minhas metas pessoal e de profissional apaixonada pelo processo educacional, senti-me estimulada em contribuir para que as escolas públicas estaduais de Mato Grosso, envolvendo especificamente os coordenadores pedagógicos da atualidade neste projeto de formação continuada na tentativa de motivá-los à atualização e inovação dos seus referenciais teóricos que podem lhes dar subsídios que sustentam o domínio em estabelecer diretrizes e ações que definem o seu trabalho educacional no desempenho das atribuições de sua função. E com isso, evitar que o papel de coordenador pedagógico se perca nas diferentes funções dentro da escola: delegado, diretor, secretária, assistente social, entre outras. O coordenador motivado ao seu papel, consegue coordenar ações pedagógicas capaz de assegurar que o professor seja o titular da sua turma, que os pais acompanhem com compromisso a vida escolar dos filhos, enfim, coordena um ensino de qualidade.

JOSÉ TADEU NERIS MENDES - Postado em 18/07/2011 20:19:21

O próprio tema afirma algo que não existe: a condição de 'profissional' do coordenador pedagógico. Não existe um código de conduta ética do Coordenador Pedagógico, tampouco do professor. Não existem conselhos representativos, que definam a função docente, nem do Coordenador Pedagógico. Acabam fazendo de tudo um pouco: delegado, psicólogo, pai, mãe, investigador, orientador de opção sexual... e a função decente definida. Vejamos: um contador em qualquer organização (pública ou privada) sabe o que deve e não pode fazer; um médico, idem; o engenheiro, também. E o professor, quem define o papel do professor? Outra coisa: o sindicato não tem competência para definir essa função. Bem, partindo do princípio que quem define a função docente é o Estado ou o patrão da escola particular. Assim, tanto o Coordenador Pedagógico, quanto o professor, não tem satus de profissional. Todos dizem o que devem fazer, especialmente as mídias. E a cada autor que cria uma "nova forma para educar", como cordeiros seguem a trilha do novo pensador como se fosse o inventor da roda, pois como não possuem um órgão de representatividade seguem o "grande líder", sem discussão. Lamentável, para quem cobra a ausência do pensamento crítico dos outros.



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Publicado em NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR, Edição 014, Junho/Julho 2011, com o título Um profissional em busca de identidade
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