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Gestão Escolar

Coordenador pedagógico: um profissional em busca de identidade

Pesquisa da FVC conclui que a formação de professores começa a ser o foco da atuação do coordenador, mas ele ainda sofre com a falta de apoio

Paola Gentile

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=== PARTE 1 ====

Em algumas redes de ensino, ele é chamado de orientador, supervisor ou, simplesmente, pedagogo. Em outras, de coordenador pedagógico, que é como GESTÃO ESCOLAR sempre se refere ao profissional responsável pela formação da equipe docente nas escolas. Nas unidades que contam com sua presença, ele faz parte da equipe gestora e é o braço direito do diretor. Num passado não muito remoto, essa figura nem sequer existia. Começou a aparecer nos quadros das Secretarias de Educação quando os responsáveis pelas políticas públicas perceberam que a aprendizagem dos alunos depende diretamente da maneira como o professor ensina.

Diante desse cenário, a Fundação Victor Civita (FVC) decidiu descobrir quem é e o que pensa esse personagem relativamente novo no cenário educacional brasileiro, escolhendo-o como tema de uma pesquisa intitulada O Coordenador Pedagógico e a Formação Continuada de Professores: Intenções, Tensões e Contradições. Realizado pela Fundação Carlos Chagas (FCC), sob a supervisão de Cláudia Davis, o estudo teve a coordenação de Vera Maria Nigro de Souza Placco e de Laurinda Ramalho de Almeida, ambas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), e de Vera Lúcia Trevisan de Souza, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Graças a ela, fizemos esta edição especial, com reportagens e seções tratando de temas relativos à coordenação pedagógica.

Uma das principais conclusões da pesquisa é que, apesar de ser um educador com experiência, inclusive na função (saiba mais sobre o perfil desse profissional no quadro abaixo), ainda lhe faltam identidade e segurança para realizar um bom trabalho. Ele se sente muito importante no processo educacional, mas não sabe ao certo como agir na escola frente às demandas e mostra isso por meio de algumas contradições: ao mesmo tempo em que afirma que sua atuação pode contribuir para o aprendizado dos alunos e para a melhoria do trabalho dos professores, não percebe quanto isso faz diferença nos resultados finais da aprendizagem (veja mais no quadro da próxima página). "A identidade profissional se constrói nas relações de trabalho. Ela se constitui na soma da imagem que o profissional tem de si mesmo, das tarefas que toma para si no dia a dia e das expectativas que as outras pessoas com as quais se relaciona têm acerca de seu desempenho", afirma Vera Placco.

Quem são os coordenadores pedagógicos no Brasil
Um resumo das características do profissional que atua nessa função

90% são mulheres

88% já deram aula na Educação Básica

76% têm entre 36 e 55 anos

A maioria tem mais de 5 anos de experiência na função

Quem são os coordenadores pedagógicos no Brasil

 

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=== PARTE 3 ====
=== PARTE 4 ====

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MARIA DAS GRAÇAS SILVA SANTOS - Postado em 05/12/2012 02:55:21

Quando li essa reportagem fiquei muito triste por perceber como minha ação enquanto coordenadora pedagógica, estava distanciando-se daquilo que é a minha função principal, a formação continuada em serviço da equipe docente. A gente nem se dá conta de como nos envolvemos em situações que não são da nossa alçada. Virei um misto de inspetora, psicologa e algo mais e me distanciei muito do alvo por quase um ano, mas não costumo lamentar leite derramado, o interessante é colocar de novo o leite para ferver e ficar de olho. PARABÉNS EQUIPE DA FVC. Valeu o sacode que vocês me deram.

Elena Roque de Souza Almeida - Postado em 27/07/2011 10:32:32

Este tema é justamente o escolhido para minha tese de Mestrado... A escolha do objeto desta pesquisa foi baseada em minha experiência como professora de ¿séries iniciais¿, de primeiro ciclo, de segundo ciclo e como coordenadora pedagógica desde o meu primeiro trabalho até o atual, no CEFAPRO/Cbá MT com formação continuada na modalidade presencial. Devido a minha insatisfação em perceber que apesar das várias iniciativas do Governo Federal, em parceria com estados e municípios, com a implantação de programas voltados para a formação continuada, numa tentativa de reencantar a educação no país, pelas possibilidades de adequar o processo educacional, ainda encontramos um grande número de coordenadores pedagógicos da atualidade, desmotivados com seu papel ao vivenciar os desafios da função, pela responsabilidade de construir um ambiente de aprendizagem significativa, através de seu envolvimento no processo educativo frente à formação continuada dos professores e à qualidade de ensino, quando entendemos que o educar e o aprender se consolidam a partir da integração dos conhecimentos teóricos com a prática e da estreita relação de afetividade entre os diferentes sujeitos sendo de competência da coordenação pedagógica, mediar e fazer acontecer esse processo. Essa pesquisa mostrou que a causa maior da desmotivação dos coordenadores pedagógicos é possuir uma fundamentação teórica insuficiente e desatualizada para atender as práticas da atualidade. Nessa perspectiva, por estar envolvida no projeto de formação continuada, e também por fazer parte das minhas metas pessoal e de profissional apaixonada pelo processo educacional, senti-me estimulada em contribuir para que as escolas públicas estaduais de Mato Grosso, envolvendo especificamente os coordenadores pedagógicos da atualidade neste projeto de formação continuada na tentativa de motivá-los à atualização e inovação dos seus referenciais teóricos que podem lhes dar subsídios que sustentam o domínio em estabelecer diretrizes e ações que definem o seu trabalho educacional no desempenho das atribuições de sua função. E com isso, evitar que o papel de coordenador pedagógico se perca nas diferentes funções dentro da escola: delegado, diretor, secretária, assistente social, entre outras. O coordenador motivado ao seu papel, consegue coordenar ações pedagógicas capaz de assegurar que o professor seja o titular da sua turma, que os pais acompanhem com compromisso a vida escolar dos filhos, enfim, coordena um ensino de qualidade.

JOSÉ TADEU NERIS MENDES - Postado em 18/07/2011 20:19:21

O próprio tema afirma algo que não existe: a condição de 'profissional' do coordenador pedagógico. Não existe um código de conduta ética do Coordenador Pedagógico, tampouco do professor. Não existem conselhos representativos, que definam a função docente, nem do Coordenador Pedagógico. Acabam fazendo de tudo um pouco: delegado, psicólogo, pai, mãe, investigador, orientador de opção sexual... e a função decente definida. Vejamos: um contador em qualquer organização (pública ou privada) sabe o que deve e não pode fazer; um médico, idem; o engenheiro, também. E o professor, quem define o papel do professor? Outra coisa: o sindicato não tem competência para definir essa função. Bem, partindo do princípio que quem define a função docente é o Estado ou o patrão da escola particular. Assim, tanto o Coordenador Pedagógico, quanto o professor, não tem satus de profissional. Todos dizem o que devem fazer, especialmente as mídias. E a cada autor que cria uma "nova forma para educar", como cordeiros seguem a trilha do novo pensador como se fosse o inventor da roda, pois como não possuem um órgão de representatividade seguem o "grande líder", sem discussão. Lamentável, para quem cobra a ausência do pensamento crítico dos outros.



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Publicado em NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR, Edição 014, Junho/Julho 2011, com o título Um profissional em busca de identidade
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