Anderson Moço
Poucas épocas são tão difíceis para quem acabou de terminar a faculdade de Pedagogia ou uma licenciatura quanto os primeiros meses em sala de aula. Todo ano, cerca de 70 mil pessoas se formam nesses cursos e precisam deixar de ser alunos para se transformar em professores. Qual a forma correta de planejar as aulas? Será que domino os conteúdos suficientemente? De que forma controlar a turma e evitar a indisciplina? Qual estratégia utilizar nas primeiras aulas? Não é exagero dizer que a insegurança é uma marca desse período.
Parte do problema é que nos currículos das faculdades há pouco espaço para "o que" e o "como" ensinar. Segundo uma pesquisa realizada pela Fundação Carlos Chagas (FCC) para NOVA ESCOLA, apenas 28% das disciplinas dos cursos ministrados em todo o país se referem à formação profissional específica - 20,5% a metodologias e práticas de ensino e 7,5% a conteúdos. Ou seja, a universidade nem sempre prepara para enfrentar a realidade escolar e o resultado é quase sempre o medo de não conseguir dar conta do recado. Uma das questões que hoje se coloca para a Educação é atender de forma adequada aos recém-chegados. "A escola precisa ajudar esses profissionais a se tranquilizar, deixando claro que errar nessa etapa faz parte do processo de aprendizagem", explica Sonia Penin, professora da Faculdade de Educação (FE) da Universidade de São Paulo (USP) e estudiosa sobre o tema.
Uma das formas de ajudar o novo docente é valorizar a integração dele com os que estão há mais tempo na escola. Afinal, ele não é o primeiro a passar por isso nem a assumir aquela turma. "Vários professores o antecederam e, ao contarem suas dificuldades e como superaram os desafios, podem ajudar muito", recomenda Sonia. Isso faz com que o iniciante se sinta mais seguro e encontre na equipe informações sobre os problemas do dia a dia, que ele sozinho não teria repertório para resolver. Outra boa dica é procurar diretores e coordenadores para discutir o ensino. "A atividade docente é complexa e demanda muita dedicação e tempo. Sem orientação, tudo fica ainda mais difícil", ressalta Sonia. Além disso, os mais experientes podem contar quem são os alunos, as características da comunidade, qual é o clima da sala de aula e, principalmente, como se organiza o ensino - informações fundamentais para quem está começando.
Nas próximas páginas, você encontra depoimentos de três jovens professoras sobre como os colegas mais experientes as ajudaram. Elas contam qual o conselho fundamental para que se adaptassem à sala de aula e conseguissem vencer a insegurança. Nenhuma tem dúvida em dizer: aprendi com as colegas.
A difícil tarefa de disciplinar os alunos
Ao chegar à sala de aula, é preciso conquistar a turma e garantir um ambiente propício à aprendizagem

A professora Tatiana Lage de Castro, 25 anos, enfrentou o problema ao assumir as aulas de História e Geografia das séries iniciais da EM José Diogo Almeida Magalhães, em Belo Horizonte. "Os primeiros dias foram assustadores. Os meninos não faziam o que eu pedia. Eu só pensava em desistir", conta. Ela optou por começar um mestrado em Educação, logo após terminar a faculdade, para se preparar melhor. "As questões práticas não são o foco da graduação e o mestrado, em geral, é focado na pesquisa, o que não ajuda a resolver o problema", explica. Ela buscou apoio dos docentes mais experientes, principalmente da professora Sílvia Ulisses de Jesus. "As crianças são muito espertas e sensíveis. Sentem nossa insegurança no primeiro dia. As coisas ficam mais fáceis com o tempo, quando percebem que não podem nos intimidar. Postura e firmeza, sem agressividade, são primordiais. Além disso, recomendei que preparasse atividades desafiadoras que envolvessem os alunos. É preciso conquistá-los", conta Sílvia.
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Ana Angelica Effgen Wernesbach - Postado em 13/12/2011 10:09:24
Bom dia ¿Nova escola¿, Foi com grande alegria que lemos a reportagem intitulada ¿Aprendi com as colegas¿, edição de novembro. Afinal sentimos nesse ano de 2011 ¿na pele¿ o tal tema. Porém, diferentemente do incentivo demonstrado na reportagem, obtivemos falta de apoio e indiferença por maior parte dos integrantes da escola. Interessante pensar que tínhamos a receita perfeita para a desistência, éramos recém-concursadas, com experiência invalidada por eles, total descrença em nosso trabalho, além de estarmos bem desestimuladas. Com muita persistência, resolvemos não largar o barco e dessa tempestade surgiu um belo trabalho apresentado em novembro (e posteriormente publicado) num seminário organizado pela prefeitura de Vitória, fruto do curso em que trabalhamos o documento Ciclo de aprendizagem com professores das turmas de Educação Infantil e Fundamental da rede de Vitória, Espírito Santo. O nosso trabalho enquanto professoras do grupo 6, da Educação Infantil, retratou as vivências e os desafios que permeiam a alfabetização. Idealizamos um trabalho que levasse em consideração as vivências sociais de cada criança atrelada aos conhecimentos a serem adquiridos no decorrer do ano no que diziam respeito a conteúdos, mas antes disso, uma (re) construção de valores, princípios e formas de convivência. Algumas questões permearam o nosso trabalho como alfabetizar turmas com tantos problemas de indisciplina e agressividade? Como fazer com que o processo de alfabetização seja significativo e ao mesmo tempo gere mudanças na realidade social destas crianças? Vale ressaltar que essas crianças são de uma comunidade carente do município e com muitos desafios a serem superados. Durante esse percurso elaboramos um projeto intitulado ¿Ser e Conviver¿, onde as atividades estavam voltadas para o aprendizado dos valores e princípios básicos para o convívio social, respeito mútuo, e ainda conservação do ambiente no qual estávamos inseridos. Temos total consciência que se não fosse as expectativas e frustrações iniciais, a parceria e ausência familiar de algumas crianças; a constante persistência, sensibilidade e paciência dos profissionais que estavam envolvidos durante todo o processo de aprendizagem, nosso trabalho não teria alcançado tantas consequências positivas como a redução da agressividade entre os alunos; aquisição e compreensão de regras que permeiam aquele espaço escolar; e ainda os avanços significativos no domínio da leitura e escrita. Mas acima de tudo pudemos sensibilizar os leitores e os participantes daquele evento sobre como precisamos uns dos outros, seja experientes ou não, e ainda mostramo os desafios que a educação pública tem passado para juntos buscarmos práticas que solucionem e amenizem tais questões. Afinal como a reportagem indicou, precisou que nós antes de tudo, disciplinássemos as crianças, avaliássemos a turma e planejássemos para que o nosso trabalho obtivesse foco e qualidade. Nosso trabalho somente deu certo porque criamos vínculos (professores e alunos) e soubemos sentir e escutar as necessidades que precisavam ser supridas. Infelizmente nossa classe ainda precisa descobrir que precisamos do outro para crescer e evoluir, e nesse processo de colaboração quem tem a ganhar é o aluno de nossas escolas, sejam eles de escola pública ou privada. Professoras: Ana Angélica Wernesbach e Charla Mezadri Vitória, Espírito Santo.
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