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Trabalho de campo sobre a paisagem

Etapas de pesquisa progressivamente mais complexas, amparadas por registros em texto e fotografia no caderno estimulam os estudantes a afinar o olhar e interpretar melhor a paisagem do entorno

Bruna Nicolielo

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=== PARTE 2 ====

Campo em fases, meio de ver a paisagem cada vez melhor

Na etapa seguinte, a turma de Maria Níceas realizou atividades progressivamente mais complexas, visitando os arredores da escola e depois algumas localidades da zona rural da cidade. A observação e a descrição foram a base para o início do trabalho. "Os estudantes devem ser levados a pensar a paisagem em sua totalidade. É preciso refletir sobre os elementos naturais (vegetação e solos), os processos que não vemos (ciclos biogeoquímicos) e a ação humana", diz Antonio.

Para o geógrafo Tuan, diversas visões de mundo coexistem em um meio ambiente comum. Daí a importância de considerar que um mesmo entorno pode ser interpretado de muitas maneiras. Ao trabalhar a leitura da paisagem, a comparação das diferentes percepções é muito importante, pois permite o confronto de visões e valores culturais, por exemplo. Por isso, o trabalho de observação deve começar pelas características que mais tocam cada um. Isso reforça a ideia de que, quando se observa um dado entorno, buscamos identificar os aspectos que fazem cada um se aproximar dele.

A dimensão simbólica da paisagem deve ser considerada. "Cada elemento ajuda a compreender também a cultura do lugar", explica Solange. Assim, o entorno próximo, a igreja em que um parente foi batizado e a praça onde ocorrem as festividades locais, por exemplo, são geossímbolos de valor individual ou coletivo, isto é, referenciais que dizem respeito às histórias de vida particular ou de toda a coletividade.

Numa praça próxima à escola, a turma de Maria Níceas analisou os elementos naturais e humanos que compunham os arredores. Mais adiante, uma viagem até a zona rural do município permitiu observar processos já trabalhados em sala, como a degradação ambiental e as mudanças estacionais da caatinga. Examinando a vegetação, os estudantes tiveram uma surpresa: a exuberância dela no inverno. As árvores estavam verdes, e os açudes, cheios - bem diferente do retrato dominado por arbustos secos e cactos que os estudantes tinham cristalizado em seu imaginário.

Essa sequência de três momentos do trabalho de campo permitiu que os alunos estudassem os assuntos trabalhados em sala sobre a paisagem urbana e rural com uma profundidade crescente.

Na etapa final, é preciso voltar à classe e mediar a interpretação do material recolhido em campo. Também é necessário permitir à turma trocar impressões para identificar o que ainda precisa de mais pesquisa. Ao fim, os estudantes poderão construir uma visão do espaço vivido para além do livro didático e aprender a identificar elementos simbólicos e objetivos do lugar onde vivem, ampliando os conteúdos de sua produção escrita sobre a paisagem. A turma de Sobral melhorou sua percepção do entorno e reescreveu a produção inicial, usando os conceitos da Geografia com mais propriedade. "Maria Níceas realizou um trabalho que contribuiu para a construção de um olhar mais complexo em seus alunos", diz Sueli Furlan, selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10.

=== PARTE 3 ====

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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 240, Março 2011,
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