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GPS

Se os continentes mudam de posição continuamente, muda também a nossa posição no GPS?

Tatiana Pinheiro. Com reportagem de Rita Trevisan

Infográfico: Luiz Iria e Eber Evangelista
Infográfico: Luiz Iria e Eber Evangelista

Sim, mas somente daqui a 1 milhão de anos. O Global Positioning System, ou Sistema de Posicionamento Global, é uma plataforma de radionavegação que permite a qualquer pessoa conhecer sua posição exata na Terra. O sistema é composto de 32 satélites geoestacionários em órbita. A tecnologia também conta com aparelhos receptores localizados na Terra - que podem ser móveis. Esses últimos recebem os sinais da rede e conseguem calcular a distância entre o objeto monitorado e os veículos espaciais. O sistema capta também a dinâmica das placas tectônicas, o que permite chegar a um mapeamento de suas movimentações: atualmente, sabemos precisar quantas são elas, onde estão e em que direção e velocidade se movimentam. O continente sul-americano, por exemplo, se afasta do africano continuamente, a um ritmo de 8,8 centímetros por ano, na altura da região Nordeste. 

Na linha do Equador, 1 grau de longitude corresponde a uma distância de cerca de 111 quilômetros.  Essa distância diminui progressivamente (até zero) conforme a latitude se aproxima dos pólos. Na latitude mais austral do Brasil (33º45’), 1 grau de longitude equivale a aproximadamente 93 quilômetros.

Se os continentes se separam 8,8 cm por ano no Nordeste (portanto, próximo ao equador), essa região levará cerca de 1,26 milhão de anos para mudar 1 grau na longitude. No Sul do país, se o ritmo de afastamento fosse o mesmo, a mudança de 1 grau levaria um pouco menos, 1,05 milhão de anos. 

Isso tudo, é claro, se terremotos de grande magnitude não interferirem no ritmo de afastamento. Caso o Brasil sofra um improvável terremoto semelhante ao do dia 27 de fevereiro, no Chile, os cálculos certamente teriam de ser refeitos. Os cientistas afirmam que a cidade de Concepción, a mais atingida pelo tremor, deslocou-se 3,04 metros em direção ao oeste.


Consultoria Jaime Tadeu Oliva, geógrafo, doutor em Geografia Urbana pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de livros e materiais didáticos.

Pergunta enviada por Berenice Vasconcelos, Sumaré, SP


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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 230, Março 2010,

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