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Ensinando a ler mapas e paisagens

A cartografia deve estar sempre presente nos planos de aula porque é uma ferramenta útil para o aluno compreender a realidade

Paola Gentile

Macedo, do Santa Maria: músicas típicas e visita ao Memorial (abaixo) da América Latina para falar sobre o continente Foto: Marcelo Min
Macedo, do Santa Maria: músicas
típicas e visita ao Memorial (abaixo) 
da América Latina para falar sobre 
o continente Foto: Marcelo Min

O principal objetivo do professor de Geografia de 5ª a 8ª série é fazer com que o aluno analise paisagens, represente graficamente o que observou, estabeleça comparações com outras realidades e reflita sobre suas constatações, à luz da teoria e da prática. "É um tipo de iniciação alfabética, só que em outra linguagem", ilustra Diamantino Pereira, coordenador do curso de Geografia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Partindo sempre de uma realidade mais próxima do aluno, é possível estabelecer uma seqüência didática e propor atividades que permitam a construção de configurações territoriais sobrepostas e inter-relacionadas.

Walter Luiz Macedo, professor da 7ª série do Colégio Santa Maria, em São Paulo, reserva o primeiro bimestre para retomar os conteúdos já vistos, sempre com uma nova abordagem e diferente nível de aprofundamento. Para isso, ele se reúne com o colega responsável pela disciplina no ano anterior ou lê seus registros. Uma das primeiras atividades propostas por ele que se repete ao longo do ano é a produção e leitura de mapas. Os grupos estudam o bairro em relação à cidade e à região, o Estado no contexto do país, a nação comparada com outras e como fatos políticos, econômicos e sociais do resto do mundo influenciam o nosso continente.

O espaço reservado para Geografia no Santa Maria é de dois encontros por semana, um deles com horário dobrado. Macedo reserva o tempo maior para trabalhos mais demorados, como colocação de legendas, pesquisas externas ou observação e registro de paisagens. As aulas simples são usadas para diálogos e troca de informações, geralmente para introduzir ou concluir um tema.

Boa parte do tempo fora de classe é dedicado pelo professor à elaboração dos planos de aula, seleção de textos, imagens e outras fontes de informação que possam servir de base para atividades de lançamento do tema ou pesquisas em livros, vídeos e CDs. Como música é sua paixão, a própria discoteca é assídua fornecedora de material.

Preparando saídas

Os estudos do meio devem ser sempre muito bem planejados. No terceiro bimestre deste ano, para conhecer melhor a geopolítica do nosso continente, Macedo programou uma visita ao Memorial da América Latina, na capital paulista. Isso exigiu dele três tardes de preparação: a primeira para conhecer o complexo cultural e traçar o roteiro de visita e a segunda para detalhar os temas que poderiam ser explorados pelos grupos e planejar atividades intermediárias, como leitura da paisagem do trajeto da escola até o local. Por fim, ele levantou na biblioteca e na videoteca do Memorial alguns títulos que poderiam complementar as pesquisas. "A visita durou uma manhã, mas o preparo e as atividades posteriores, como análise e produção de textos e discussão de conceitos, ocuparam todas as outras aulas do bimestre", relata Macedo. De volta à classe, os alunos ouviram o CD de um grupo musical que toca punk e ska (ritmo jamaicano). Pelos instrumentos utilizados, eles deduziram as influências culturais na formação dos povos latino-americanos.

Mesmo com todas as atividades programadas, imprevistos de todo tipo podem mudar os rumos. Na opinião de Diamantino Pereira, o planejamento inicial deve ser rigoroso quanto às finalidades do ensino, mas flexível quando se trata dos conteúdos: "Quando temos como carro-chefe os objetivos, não importa os temas que serão usados para atingi-los".

Tempo para reforço

Renata Del Mônaco procura "prever os imprevistos" na elaboração de seus planos de aula. Ela leciona nas escolas Projeto Vida e Cooperativa, ambas de São Paulo. "Deixo livre pelo menos uma aula por mês, justamente para encaixar debates sobre atualidades, reforçar conteúdos que não foram apreendidos ou fazer algum passeio não planejado."

Com quinze anos de magistério, ela conseguiu formar um bom arquivo pessoal de imagens, com panfletos e recortes de jornais e revistas. Duas atividades permanentes desenvolvidas a partir da 6ª série a ajudam nessa tarefa: o mural com curiosidades geográficas e o painel temático. Os alunos são incentivados a buscar informações sobre temas, pré-definidos ou não. No final do ano, todo o material é arquivado numa pasta, que servirá às turmas seguintes como fonte de consulta.

Renata acredita ser fundamental ao professor de Geografia ler diariamente jornais e revistas e ter sempre em mãos uma agenda de bolso. "Lendo ou observando as pessoas e a paisagem, onde quer que estejamos, podemos ter ótimas idéias para trabalhar em sala de aula". Segurando um bloquinho e uma caneta, ela percorre todos os dias, de metrô, o trajeto de casa até as escolas em que trabalha. Foi no vagão, observando o mapa colocado junto a todas as portas, que ela teve a idéia de propor uma atividade em duplas: cada aluno deveria ensinar ao colega, com texto e mapa, o caminho da escola até sua casa. Essa foi a atividade que introduziu o estudo da cartografia na 6ª série.

A Geografia é importante porque
 
• insere os alunos no espaço em que vivem, provocando a interação com o meio

• ensina a ler paisagens para conhecer parte das realidades física, social, econômica e humana de um local

• ajuda a conhecer as mudanças provocadas pelo homem no meio ambiente

• permite compreender o processo de globalização e as conseqüências para as relações sociais, políticas e humanas

Quer saber mais?

Colégio Santa Maria, Av. Sargento Geraldo Santana, 901, CEP 04674-000, São Paulo, SP, tel. (11) 5687-4122

Escola Cooperativa, Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 138, CEP 04014-010, São Paulo, SP, tel. (11) 5579-4819

Escola Projeto Vida, R. Soror Angélica, 364, CEP 02452-060, São Paulo, SP, tel. (11) 6236-1459

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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 148, Dezembro 2001,
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