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As relações internacionais e os organismos multilaterais

Em cena, as instituições que regulam as relações entre os Estados nacionais em diferentes níveis e esferas, como a economia e a geopolítica

Léia Tavares

Foto: Kriz Knack
O MUNDO EM PAUTA Na EE Professora Benedita Arruda, os alunos simularam assembleias da ONU
Foto: Kriz Knack

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O estudo das ligações econômicas, políticas, culturais e sociais que existem entre os países e o movimento veloz do trânsito de capitais, mercadorias e informações fazem surgir a ideia de que as fronteiras entre os Estados não existem mais. Essa é uma excelente percepção para ser tomada como ponto de partida nas aulas sobre como se dão as relações internacionais.

Os alunos precisam tomar consciência de que existem instituições reguladoras das dinâmicas que envolvem dois ou mais Estados nacionais. "São os organismos multilaterais, espaços instituídos para regulamentar ações de naturezas diversas", explica Ricardo Seitenfus, doutor em Relações Internacionais e autor de livros sobre o assunto. A Organização das Nações Unidas (ONU) é o mais abrangente deles e reúne atualmente 192 países, além de órgãos que cuidam de assuntos específicos, como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

"Mais que explicar esse cenário, que vai além das fronteiras, o professor precisa levar os estudantes a compreender por que o mundo está organizado assim", explica Roberto Giansanti, geógrafo e autor de livros didáticos.

Em 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial, a ONU foi criada com a assinatura de uma carta de princípios que estabelecia como objetivos a defesa da paz e da segurança no planeta e a cooperação econômica, cultural e social entre seus membros - na época, 50 países. Até hoje, dentre as resoluções, constam, por exemplo, sugestões de sanções a determinada nação cujas ações estejam ameaçando a paz e os direitos humanos universais. Vale destacar que países poderosos e com peso político e econômico global influenciam a entidade de acordo com seus interesses.

Na EE Professora Benedita Arruda, em Jundiaí, a 63 quilômetros de São Paulo, simulações de reuniões da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança, as duas instâncias básicas da ONU, permitiram que os jovens do 9º ano praticassem o que tinham estudado sobre as relações internacionais. Primeiro, a garotada apresentou um relatório sobre a fome na África e organizou um debate a respeito para levantar sugestões de estratégias que poderiam ser implementadas a fim de solucionar o problema. "Depois, foi a vez de um encontro do Conselho. Na pauta, a realização de testes nucleares pela Coreia do Norte. Um grupo representou os coreanos e o outro os conselheiros da ONU", diz o professor Elias Noronha. Para defender e reprovar a perigosa medida, a turma pesquisou bastante: o que a ONU defendia, os motivos que levaram a Coreia do Norte a descumprir o combinado e as possíveis penalidades que os países-membros poderiam sugerir (leia a sequência didática no quadro à direita).

Num percurso como esse, é importante orientar a garotada a observar que as decisões de um país a respeito de seus atos são soberanas - os organismos multilaterais estabelecem regras. Cumpri-las ou não (e arcar com as consequências) é uma decisão a ser tomada. A invasão do Afeganistão pelos Estados Unidos após os ataques às Torres Gêmeas, em Nova York, em 2001, é um exemplo desse impasse, já que a ONU, na época, não apoiou a atitude do governo norte-americano.

Quer saber mais?

CONTATO
EE Professora Benedita Arruda, R. Guaporé, 350, 13203-320, Jundiaí, SP, tel. (11) 4587-0055

BIBLIOGRAFIA
A Humanidade e Suas Fronteiras: Do Estado Soberano à Sociedade Global
, Eduardo P. Mathias, 556 págs., Ed. Paz e Terra, tel. (11) 3337-8399, 48 reais
Relações Internacionais, Ricardo Seitenfus, 267 págs., Ed. Manole, tel. (11) 4196-6000, 73,80 reais

INTERNET
Site da ONU no Brasil, lista de perguntas e respostas sobre o funcionamento da instituição.
Site da Biblioteca Virtual dos Direitos Humanos da Universidade de São Paulo (USP), informações sobre a ONU e seus órgãos constituintes. 

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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 228, Dezembro 2009, com o título Conexão Mundial
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