Rita Trevisan
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Reportagem
Mapas comentados
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Se os portugueses não tivessem conhecimentos cartográficos sólidos, não teriam se firmado entre as mais poderosas nações na época das Grandes Navegações. Naquele século 16, era fundamental para os países exploradores saber a localização dos territórios ultramarinos para aumentar sua soberania - e isso incluía a capacidade de desenhar novos mapas e interpretar bem os já existentes. O desafio de conhecer o espaço que cada nação ocupa no globo já foi superado e hoje temos à disposição aplicativos que disponibilizam na internet imagens de satélite de cada canto do planeta e aparelhos GPS portáteis.
"Antigamente, só as nações mais poderosas contavam com escolas de cartografia e profissionais habilitados para desenhar mapas", afirma Hervé Théry, pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique, de Paris, e professor convidado da Universidade de São Paulo (USP). Hoje, é verdade, os conhecimentos técnicos de escala, projeção e métrica - essenciais à atividade - estão mais próximos de todos. Porém há outro fator importantíssimo a ser destacado pelo professor durante as aulas sobre o tema, alerta o pesquisador. "Para fazer uma representação, não nos baseamos apenas em dados objetivos. É preciso tomar decisões, interpretar e saber que a melhor solução é a que atende aos objetivos previamente estabelecidos, deixando claras as informações que se quer priorizar", defende (leia a sequência didática).
Para despertar a curiosidade dos estudantes pelo processo de composição de um desenho e levá-los a perceber que a linguagem cartográfica se presta a diferentes funções - o que pressupõe levar em consideração a intenção do autor -, ofereça diferentes tipos de mapa. Toda a turma deve ter a oportunidade de participar de momentos de observação, comparação e criação. "Podemos dizer que, além de representar, os mapas também constroem uma visão de mundo. Apresentar uma diversidade de materiais é uma maneira de compartilhar outros pontos de vista e estimular a postura crítica diante das representações", diz Fernanda Padovesi, docente da USP.
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