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A reciclagem do lixo no Brasil

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Introdução
O geógrafo Milton Santos declarou, certa vez, que a difusão das novas formas de consumo é um dado fundamental para compreender e explicar as sociedades contemporâneas. A generalização do modelo de consumo das modernas coletividades industriais e urbanas trouxe como subproduto um par perverso: a intensa exploração dos recursos naturais em escala planetária e, na outra ponta, a produção de uma quantidade desmesurada de resíduos, muitos deles de baixo reaproveitamento. NOVA ESCOLA alerta para um dos papéis importantes que nos cabe para reduzir a quantidade de lixo: ajudar a reciclar. É um roteiro de boas práticas, que inclui o reaproveitamento de muitos materiais que de outra forma seriam jogados fora. É uma boa oportunidade para a garotada avaliar e desenvolver uma nova conduta em relação ao consumo e ao descarte.

Ano
8º e 9º anos

Objetivos
Avaliar criticamente a produção de lixo no Brasil e os métodos, as técnicas e as políticas públicas de reciclagem dos materiais

Tempo estimado
Duas aulas de 50 minutos

Desenvolvimento
1ª aula  Recomende que os alunos façam uma leitura atenta do texto, a fim de compreender e não esquecer dos procedimentos necessários para a reciclagem. Isso inclui conhecer os diversos materiais que podem ser reaproveitados para outras finalidades. Em seguida, questione-os sobre os diferentes papéis que cabem aos indivíduos, ao poder público e às empresas quando o assunto é produção e destinação do lixo. Quem são os responsáveis pela geração dos resíduos? Quem deve cuidar do lixo? De que maneira isso tem de ser feito? O que ainda precisa mudar na atitude das pessoas e nas políticas públicas para que haja avanços nesse campo?

Oriente uma discussão em dois planos: o exame das origens dos problemas e, num segundo momento, o que pode ser feito a respeito. De início, pergunte se todos conhecem os famosos três erres (reduzir, reutilizar e reciclar), em que se baseiam os modelos de reciclagem do lixo. O primeiro deles reduzir representa, além da mera diminuição da quantidade de dejetos produzidos, repensar a cultura de consumo em que estamos inseridos.

Mostre que nunca é demais lembrar que certos bens, destinados às camadas mais endinheiradas, vêm em embalagens difíceis de serem recicladas ou reaproveitadas. Além disso, como dispõem de mais recursos, essas pessoas muitas vezes não têm freios para o consumo. Assim, é possível falar num lixo dos ricos com mais resíduos sólidos e num lixo dos miseráveis basicamente formado por materiais orgânicos. Está em questão, portanto, repensar (um quarto erre) os padrões e as necessidades de consumo. Comente que cerca de três quartos da enorme quantidade de lixo produzido nos centros urbanos não passam por nenhum tratamento e em geral vão para aterros ou depósitos a céu aberto.

Incentive os adolescentes a refletir sobre os impactos sociais e ambientais dessa situação. Nos lixões, por exemplo, o solo, as coberturas vegetais e os recursos hídricos ficam comprometidos. Compõem essa paisagem as levas de catadores homens, mulheres, crianças e idosos, não raro expostos a doenças diversas que sobrevivem dos restos de alimentos e outros resíduos. Discuta cada uma das informações da reportagem apresentadas no quadro "Curiosidades". Elas podem ser ponto de partida para diferentes pesquisas, incluindo uma boa discussão a respeito da criação de um novo e importante mercado de trabalho -- o da coleta e comercialização do lixo reciclável. Chame a atenção o baixo consumo de água para produzir papel reciclado.

2ª aula 
Resgate os pontos discutidos na aula anterior e encaminhe um estudo sobre as principais medidas tomadas para a destinação do lixo ou a ausência delas. Sugira um exame das atribuições e responsabilidades tanto dos indivíduos (ricos e pobres) quanto das empresas e do poder público. Conte aos jovens que diversas companhias, em especial as fábricas, deixam de tratar seus restos, que variam segundo a natureza da atividade. Compreendem resíduos de limpeza de máquinas, pátios e galpões, mas a parte do leão são os rejeitos do processamento industrial, muitos deles tóxicos ou inflamáveis é o caso de tintas, solventes e sobras metálicas.

Assim, o poder público e os cidadãos devem se mobilizar para controlar e fiscalizar o destino desses materiais. Aos indivíduos cabe conter, em primeiro lugar, a sanha consumista. Não é incomum conhecermos pessoas que compram os bens, mas não os utilizam. Os meios de comunicação e a publicidade também têm sua parcela de responsabilidade, por induzir ao consumo indiscriminado. ANAMARIA aponta algumas soluções simples que podem ajudar, como separar o lixo seco para destiná-lo a agentes de reciclagem. Comunidades de vizinhos, inclusive de edifícios, também podem se organizar para criar unidades de compostagem e elaborar adubo orgânico, um preparado que leva terra, restos de folhas e sobras de alimentos.

Outra idéia a ser disseminada é a de substituir os sacos plásticos dos supermercados por sacolas individuais e não descartáveis, conforme já se faz em muitos países do Primeiro Mundo. As autoridades, por sua vez, podem instituir políticas de coleta e separação do lixo articuladas ao financiamento de cooperativas de reciclagem. No Brasil, o tratamento do lixo vem se constituindo em excelente opção de combate à pobreza e ao desemprego.

Avaliação
Mas, para tirar os projetos do papel ou evitar que tenham uma repercussão modesta, é preciso que a população cobre medidas concretas dos governantes. Campanhas públicas mais incisivas também são bem-vindas. Leve a moçada, de posse desses dados, a editar uma cartilha de esclarecimento à comunidade sobre a questão do tratamento do lixo. As dicas da reportagem para separar o lixo doméstico e implantar a coleta seletiva nos prédios certamente vão ajudar nesse trabalho de divulgação e conscientização. Para isso, os jovens podem realizar novas investigações e criar roteiros com textos e imagens destacando a importância de repensar o modelo de consumo, além de reduzir, reutilizar e reciclar o lixo produzido. 

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA

Os Bilhões Perdidos no Lixo, Sabetai Calderoni, Ed. Humanitas, tel. (11) 3091-2920 

Consultor: Roberto Giansanti
Geógrafo e autor de livros didáticos

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