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Globalização

O mundo está cada vez menor. Entenda por que e veja um plano de aula para explorar o assunto em classe

Arthur Guimarães, Ana Cristina Campos

Foto: Gustavo Lourenção
Foto: Gustavo Lourenção

Na Idade Média, cada exemplar de um livro era escrito manualmente — havia pouquíssimos volumes, lidos por um seleto grupo de pessoas. Com a invenção da prensa, no século XVI, o número de leitores cresceu, mas ainda de forma tímida. Hoje, com o advento da informática, textos, imagens e áudio estão disponíveis a um clique do mouse. Um e-mail atravessa oceanos em segundos. E a informação chega em tempo real. "O encurtamento de distâncias e a diminuição do tempo que levamos para executar determinadas tarefas são os principais motores da globalização, um movimento apoiado em ferramentas modernas, como a comunicação via satélite e a internet", explica Francisco Carlos Teixeira, professor de História Moderna e Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "Hoje podemos falar de uma cidadania global, uma nova sensação de entrar no mundo. E isso é bom e ruim."


Soluções e problemas


Do lado positivo, além da troca instantânea de conteúdos e bens, há várias outras ações, nos mais diversos campos do conhecimento. "Se institutos de pesquisa dos quatro cantos do mundo trocam informações sobre as pesquisas para a cura da Aids, o custo das experiências cai muito e a probabilidade de sucesso aumenta", exemplifica Teixeira. Ao mesmo tempo, o crescimento do sistema financeiro global — impulsionado pelo desenvolvimento das tecnologias de comunicação — tem se mostrado perigoso. "As instituições que deveriam controlar o cumprimento das regras do comércio internacional, como a Organização Mundial do Comércio, ainda não têm poder para combater o ‘vale-tudo’ do mercado." Os países quebram normas pré-definidas e os mais pobres acabam prejudicados.

O que é globalização?

A resposta para essa pergunta divide os especialistas. Para o professor Flávio Trovão, o movimento foi desencadeado no final da década de 1970, quando a então primeira-ministra inglesa Margareth Tatcher e o então presidente americano Ronald Reagan puseram seus governos para combater a crise econômica nos dois países. Empresas passaram a se instalar em nações em desenvolvimento, atrás de mão-de-obra barata, carga tributária menor e novos mercados consumidores. Com isso, o dinheiro começou a circular pelo globo, atrás do melhor lugar para se multiplicar. "O capital transnacional nasceu assim, incentivando a modernização da tecnologia e a disseminação de produtos ‘made in USA’", explica Trovão.

Outra linha teórica defende que a globalização tem mais de 400 anos. Para o professor e consultor econômico Antônio Luiz da Costa, os acontecimentos iniciados na década de 1980 só aceleraram um processo que começou a ser formado no final do século XV, quando Cristóvão Colombo e Vasco da Gama conectaram as Américas e a Ásia ao mercado europeu. "Ainda não era a mesma globalização que vivemos hoje", diz. "O mundo das bolsas de valores, das sociedades anônimas e das transnacionais nasceu em 20 de março de 1602, com a fundação da Companhia Unida das Índias Orientais. Ao juntar 65 navios de mercadores holandeses, ela tinha participação pública e privada e um objetivo claro: conquistar territórios produtores de especiarias, a base do comércio mundial no século XVII, exatamente como fazem os globalizados do século XXI."

Plano de aula


Levar o debate sobre globalização para a sala de aula é bom para problematizar a forma como as relações internacionais se estabelecem e criar uma consciência crítica na turma.

1. Comece a discussão com uma pergunta. Por que os produtos norte-americanos estão mais presentes na nossa vida do que os de outros países? Maria Luiza Príncipe, professora de Geografia de 6ª, 7ª e 8ª séries no Centro Educacional da Lagoa, no Rio, aprofundou o assunto localizando no mapa-múndi os principais atores do mercado internacional e discorrendo sobre as diferentes visões teóricas da globalização.

2. Ainda numa aula expositiva, faça junto com os estudantes uma lista com nomes de produtos, palavras, empresas e roupas que vêm de outras nações. Separe o material por país ou bloco econômico e divida a turma: cada grupo estudará detalhadamente um desses locais. As equipes podem montar painéis com recortes de jornal e organizar um plebiscito sobre um acordo comercial entre o Brasil e esse possível parceiro. Vários aspectos geográficos e históricos relativos ao tema podem ser trabalhados de forma interdisciplinar. Em Matemática, indicadores estatísticos. Em Ciências Naturais, os convênios firmados entre as nações para pesquisar a cura de doenças. Em Língua Portuguesa, os estrangeirismos. "Meus alunos puderam traçar, de forma crítica, uma relação com o currículo", destaca Maria Luiza.

 

Um processo dinâmico 

Vivemos cercados de coisas do exterior — produtos, idéias e expressões. "É bom conhecer e descobrir novas culturas, mas temos de tomar cuidado e orientar os alunos a não deixar de lado nossos valores", alerta Flávio Trovão, editor de História do Grupo Positivo. Alguns estudiosos acreditam que os Estados Unidos lideram um novo modelo imperialista. "Não pela conquista territorial, como no Império Romano. Agora, o domínio é cultural."

Quer saber mais?

Centro Educacional da Lagoa, R. Maria Angélica, 294/310, 22461-150, Rio de Janeiro, RJ, tel. (21) 2537-7995

BIBLIOGRAFIA

Geografia: A Globalização Econômica - Módulo 2, Miriam de Almeida e Miriam Médici, 80 págs., Ed. Nova Geração, tel. ( 11) 3611-6692, 9,90 reais

Império, Michael Hardt e Antonio Negri, 504 págs., Ed. Record, tel. (1) 2585-2000, 53 reais

Indústria: Um Só Mundo, Pierre Beckouche, 56 págs., Ed. Ática, tel. (11) 3346-3000, 14,90 reais

A Nova Ordem Mundial, José William Vesentini, 80 págs., Ed. Ática, 14,90 reais

Pluralismo Cultural, Identidade e Globalização, Candido Mendes e Luiz Eduardo Soares, 528 págs., Ed. Record, 40 reais

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Publicado em Janeiro 2003,
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