Maria Rehder

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Estimular no aluno a capacidade de desenvolver o raciocínio espacial é um dos grandes desafios da Geografia. O planejamento deve contemplar o trabalho com conteúdos que permitam ao estudante compreender a posição que ocupa no espaço e as interações da sociedade em que vive com a natureza. O currículo deve priorizar as questões locais, sempre relacionando-as com as globais.
Sueli Furlan, docente da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) e selecionadora do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10, alerta para currículos muito prescritivos. "Uma boa proposta na área pode trabalhar bem os grandes eixos, indicar conteúdos e exemplificar com situações didáticas." Roberto Giansanti, consultor e autor de livros didáticos, diz que é preciso levar o aluno a aprimorar o domínio da linguagem geográfica para que ele saiba se localizar no mundo. A ênfase do trabalho deve estar nas atividades que preveem a aplicação do conhecimento e de referenciais geográficos. "O educador deve saber empregar os conceitos de paisagem, território, região, lugar, espaço e escala de modo que os alunos possam exercitar a leitura do mundo." (Leia uma proposta de plano plurianual para a área.)
Ler imagens e sair a campo para compreender o espaço
O estímulo de tal leitura de mundo não se restringe aos mapas. Giansanti explica que fotos, pinturas, filmes, poemas, romances, textos jornalísticos, cartas e até pichações levam ao conhecimento de um local e dos fenômenos que ali ocorrem. "Essas diferentes formas de representação da dinâmica espacial devem ser trabalhadas para enriquecer a compreensão de como o mundo se apresenta", afirma. Esse é o caminho escolhido por Daniel Montenegro, que leciona na Fundação Casa, em Rio Claro, a 184 quilômetros de São Paulo. O professor, que tem como aliados os recursos multimídia, trabalha com filmes, documentários e fotografias. "Aprender a interpretar vários tipos de imagem amplia a capacidade de reconhecimento espacial dos jovens", relata.
Outra atividade essencial para o estudo da disciplina é o trabalho de campo, uma estratégia empregada por Luzia Feitosa, que leciona na EMEF Professor Felício Pagliuso, na capital paulista. Ela desenvolveu um projeto com a turma para o reconhecimento do lugar onde vivem. "Os alunos saíram a campo e, ao retornar, debateram os problemas verificados e projetaram o bairro ideal, construindo maquetes", conta ela, que destaca a importância de conhecer proporção e escala, temas desenvolvidos nas aulas de Matemática, para dar conta da tarefa (conheça as expectativas de aprendizagem). O valor de projetos como o de Luzia não se restringe à compreensão do que ocorre no entorno da escola. As informações ali colhidas e discutidas em classe são ricas para que os adolescentes compreendam os conceitos de território e paisagem cultural, fundamentais na disciplina.
Veja a seguir quatro situações didáticas essenciais para o ensino de Geografia.
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