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ECONOMIA

O que é BRIC e qual sua importância na economia mundial?

Eliza Kobayashi

Bandeiras dos países do BRIC: Brasil, Rússia, Índia e China. Foto: reprodução
Bandeiras dos países do BRIC: Brasil,
Rússia, Índia e China. Foto: reprodução

BRIC é uma sigla formada pelas letras iniciais de Brasil, Rússia, Índia e China, criada em 2001 pelo economista Jim O'Neill, analista de mercado do grupo Goldman Sachs (um dos maiores bancos de investimento do mundo), no relatório intitulado Building Better Global Economic Brics. "Ele fez um estudo de previsão de crescimento econômico no mundo para os próximos cinquenta anos, e chegou à conclusão de que justamente essas quatro nações eram as que mais se destacavam", diz André Roberto Martin, professor de Geografia Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). Segundo o documento, dentro das próximas décadas, esses países ocuparão o topo no ranking das maiores economias do mundo. 

"Nos últimos anos, vem crescendo a ideia de que o BRIC está tirando dos Estados Unidos, União Europeia e Japão - que chamamos de trilateral - o dinamismo da economia mundial", comenta o professor. Juntas, as quatro nações respondem por 15% do produto interno bruto (PIB) do mundo e concentram cerca 40% da população total do planeta. "Brasil e Rússia possuem abundância de recursos naturais, enquanto China e Índia, de mão-de-obra. É isso que lhes dá esse potencial de crescimento. Já a trilateral, embora possua capital, não tem mais para onde crescer". O especialista acrescenta que a crise econômica que atingiu o planeta no segundo semestre de 2008 contribuiu para que mundo voltasse seus olhos ao grupo. "Depois da crise, que afetou principalmente Estados Unidos e Europa, ficou muito clara a dependência econômica mundial desses quatro países".

O BRIC não é um bloco econômico como o Mercosul, nem político como a União Européia ou militar como a Otan. Trata-se de um conceito que está ligado aos grandes mercados emergentes, mas que nada diz sobre o modelo econômico ou a situação política e social de cada uma de suas quatro nações. "Nessa questão ainda há muito a percorrer, principalmente para a China e a Índia, que possuem milhões de pessoas em condições muito precárias de vida", afirma André Martin.

Ainda assim, os quatro países têm buscado uma aproximação política e, em junho de 2009, foi realizado o primeiro encontro formal e independente do BRIC, na cidade de Ecatemburgo, na Rússia. "O que saiu de lá foi uma crítica à hegemonia do dólar, mas não se pensou em uma moeda alternativa. Ou seja, eles têm força para se opor ao domínio da economia americana, mas ainda não têm poder para substituí-la", comenta o especialista. "Agora o momento é de dúvida se elas vão se consolidar como um grupo geopolítico ou não". A próxima reunião de cúpula do grupo será sediada no Brasil, em 2010.

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Publicado em Junho 2009,
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