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Assim não dá!

Trabalhar cartografia só com cópia de mapas

Ronaldo Nunes. Com reportagem de Pablo Assolini e Rita Trevisan

Hoje o trabalho com cartografia em sala de aula aponta para dois caminhos: o ensino do mapa e, depois, o ensino pelo mapa. O primeiro visa a construção da noção de espaço, seguida pela representação dele. Nesse caso, o estudante deve rabiscar um mapa, mesmo que simplório, do lugar onde vive - por exemplo, o caminho da casa para a escola. Para isso, primeiro ele tem de aprender seu espaço para depois representá-lo. Não é necessário copiar nada. A tarefa é feita com base na vivência de cada um. Num segundo momento, com o auxílio do professor, ele tenta construir símbolos para representar no mapa os objetos do mundo real.

Assim, aos poucos, aprende a explorar essa linguagem, que, como a escrita e a falada, tem uma gramática específica a ser observada. Por exemplo, se ele quer mostrar objetos diferentes, tem de representá-los por símbolos diversos. Elementos de distintos níveis de importância ou hierarquia devem ser transcritos para o mapa com escalas - por exemplo, do claro para o escuro. Por fim, se o objetivo for mostrar que em uma escola (A) estão 400 alunos, e em outra (B), 100, a relação entre a quantidade de estudantes das instituições (quatro por um) tem de ser indicada pelo tamanho dos símbolos que são usados para representá-las.

Em todas essas atividades, o aluno não precisa copiar absolutamente nada. Tem, sim, de aprender como relacionar os símbolos. Tudo isso sempre com base na lógica desenvolvida na prática, o que ajuda a entender e a elaborar mapas.


Consultoria Marcello Martinelli, doutor em Geografia e professor da Universidade de São Paulo (USP).

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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 226, Outubro 2009,

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