Os primeiros frutos do projeto Letras de Luz em Cachoeiro do Itapemirim já começam a aparecer. E com o pé direito, trazendo seu mote de incentivo à leitura a um dos principais eventos da região, a II Bienal Rubem Braga.
No dia 8 de junho, o coordenador do projeto, José Luiz Goldfarb, foi convidado a participar da mesa “Relato de Experiências”, em que abordou o trabalho desenvolvido pelo Letras de Luz. Depois de sua fala, uma surpresa: nove meninas de dez a doze anos subiram ao palco para uma apresentação teatral que encerraria o encontro. O nome do grupo mirim - Letrinhas de Luz - já revela que o projeto da Fundação Victor Civita e Energias do Brasil inspirou sua criação. A iniciativa foi de Valéria de Aquimo Rainha, professora de 1º ao 5º ano na E.M. Nossa Senhora das Graças, em Cachoeiro.
Valéria participa das oficinas de leitura do Letras de Luz e escolheu desenvolver um projeto de teatro em sua escola – uma das propostas do “Cardápio de Projetos” da oficina. Após trabalhar uma seqüência sobre teatro em sua sala de 5º ano, um grupo de alunas se candidatou a continuar o trabalho. Com a coordenação da professora, as meninas se reúnem no contraturno das aulas e pensam na adaptação de textos literários, transformando-os em peças de teatro e concebendo o formato da montagem.
A apresentação que fizeram na Bienal - uma adaptação de “A Minha Glória Literária”, de Rubem Braga - competiu com outros grupos de teatro que trouxeram suas montagens ao evento. As meninas do Letrinhas ganharam o 2º lugar entre os grupos - todos eles adultos. “Foi uma alegria muito grande ver o sucesso das meninas, que se dedicaram muito a esse trabalho”, diz Valéria, que ressalta o envolvimento das crianças com os textos literários. Ela afirma ainda a importância de sua formação através do projeto. “As oficinas do Letras de Luz me deram instrumentos para desenvolver projetos como esse. Espero fazer muito mais."
“O Rei que Era Cego”
O grupo de teatro do projeto Letras de Luz em Cachoeiro também fez bonito na Bienal. A trupe apresentou pela primeira vez o espetáculo “O Rei que Era Cego” - uma adaptação da obra de Ricardo Azevedo. “Trabalhamos com o conceito de teatro físico, em que há poucos objetos cênicos”, diz Lucimar Barros Costa, um dos atores do grupo. “Investimos também na criação do figurino, em que temos um trabalho especial com os acessórios. São eles que caracterizam cada personagem.” Essa, que foi a segunda montagem realizada pelo grupo, também teve ótima recepção pelo público. As próximas apresentações acontecem em escolas públicas nos municípios do entorno.
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