Fernanda Salla

Você já se questionou por quê, em muitas escolas - quem sabe até na qual você leciona -, o futebol, o handebol, o basquete e o vôlei dominam a cena das aulas de Educação Física sem deixar espaço para outros jogos coletivos? A supremacia do que é chamado ironicamente de "quarteto fantástico" por alguns educadores é determinada pela história da disciplina, por um modo sedimentado de trabalhar (resultado de pensamentos como "se sempre foi assim, por que mudar?"), pelo espaço que alguns desses esportes ocupam na mídia e também pela popularidade no Brasil.
Se fora do ambiente escolar existem outras modalidades, mesmo que elas sejam desconhecidas da moçada, Marcos Garcia Neira, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), defende que elas não só podem como devem ser apresentadas, estudadas e vivenciadas na escola.
Isso não quer dizer abrir mão do que é considerado tradicional, mas ampliar o repertório dos estudantes, fazendo com que eles reconheçam a existência de diversos grupos culturais criadores de seus próprios esportes, danças, ginásticas, lutas, jogos e brincadeiras. "Em uma escola comprometida com a formação de identidades democráticas, é preciso ter contato também com outras práticas que não somente aquelas determinadas por uma classe social específica", diz Neira.
Como fazer isso? Nada de esperar a época das Olimpíadas ou outro momento especial. É claro que esses acontecimentos são excelentes disparadores para trabalhar o tema. Apesar disso, um bom planejamento, sustentado por muita pesquisa, é suficiente para proporcionar aos alunos algumas novidades durante as horas na quadra. Eles, inclusive, podem levar para a aula algumas informações. Foi exatamente isso o que aconteceu no Colégio São Luís, na capital paulista. O fato provocou mudanças na dinâmica das aulas, dando espaço ao beisebol, ao badminton e ao flag football (leia informações sobre eles nas fotos da reportagem). "Sempre trabalhamos os esportes ditos clássicos, mas os estudantes passaram a perguntar e a assistir a outros esportes e isso fez com que eu repensasse o conteúdo a ser trabalhado nas aulas", conta Fabio Oliani, coordenador e professor do 7º ano.
Nome não registrado - Postado em 29/01/2012 20:50:38
Venho falando isso há muito tempo. Precisamos mostrar para nossos alunos outros esportes. Fico muito feliz em saber que outros também se preocupam com esse assunto. Em Volta Redonda, uma professora de uma escola municipal, mostrou o badminton em sua escola e, hoje tem uma equipe de alunos que já possuem mais de 200 medalhas. Parabéns pelo interesse, em incentivar novos esportes.
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