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O metro quadrado na medida certa

Com uma sequência simples, Célia Maria Ribeiro Batista ensina a calcular a área e fazer estimativas

Elisângela Fernandes, de Joinville, SC

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Com jornal, trena e fita crepe, a
turma constrói o metro quadrado em tamanho real e distingue as medidas de comprimento das de superfície. Foto: Suzete Sandin
Mão na massa Com jornal, trena e fita crepe, a turma constrói o metro quadrado em tamanho real e distingue as medidas de comprimento das de superfície.
Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10

Desde a antiguidade, o homem precisa aprimorar a capacidade de medir a si próprio e o mundo ao seu redor para solucionar problemas do dia a dia. No Egito antigo, por exemplo, os impostos eram proporcionais à área das terras usadas para a agricultura, que ficavam à margem do rio Nilo. O cálculo era feito com barras de pedra ou de madeira que representavam o cúbito - distância do cotovelo à ponta do dedo médio. Ao longo do tempo, outras unidades de medida foram criadas, como o pé, a polegada, a jarda e o palmo, mas nenhuma era precisa. Para solucionar a falta de padronização, no século 18 surge uma proposta universal: o metro. E para facilitar o uso do novo parâmetro criou-se uma referência visual, uma placa de platina com duas retas gravadas a 1 metro de distância uma da outra.

A professora Célia Maria Ribeiro Batista, da EM Presidente Castello Branco, em Joinville, a 176 quilômetros de Florianópolis, também recorreu a uma referência visual, o metro quadrado no seu tamanho real, para ensinar à turma do 6° ano os conceitos de superfície e área. Apesar de ser um conteúdo do 5°ano, ela verificou que os alunos não sabiam calcular a área e explicar o que é o metro quadrado. Apenas dois deles disseram ter visto a medida em placas de terrenos e casas. "Questionei quantos metros quadrados tem a sala de aula e muitos disseram 4 ou 5. Notei que para responder eles levaram em conta apenas a largura das paredes", lembra Célia. Confundir medidas de comprimento com as de superfície é um problema comum entre os alunos do Ensino Fundamental (leia o quadro na próxima página).

Em dez aulas, Célia desenvolveu atividades que possibilitaram aos estudantes fazer experimentações e levantar hipóteses para introduzir o estudo de medidas de superfície. Em grupo, eles construíram com jornal, trena e fita crepe um quadrado de 1 metro de lado para visualizar a sua área. Ao terminar a tarefa, verificaram que a superfície construída correspondia a 1 metro quadrado. Célia voltou a questionar qual a área da sala. A turma discutiu soluções e apontou diferentes caminhos. As sugestões foram desde distribuir o quadrado construído no chão, para estimar quantos mais seriam necessários, até colocar as figuras ao longo de duas paredes, representando o comprimento e a largura, para depois multiplicá-los. A maioria chegou ao resultado correto e, para que não restassem dúvidas, a professora retomou e avaliou os procedimentos utilizados durante a aula.

"O grande diferencial do trabalho de Célia é dar significado ao que ensina", diz Ruy Pietropaolo, selecionador do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. Segundo ele, poucos sabem que, para pavimentar uma superfície de 15 metros quadrados, é preciso 15 quadrados de 1 metro quadrado. Por isso, a experiência de assentá-los lado a lado é fundamental. A turma também aprendeu a calcular a área utilizando medidas não padronizadas, como os tacos da sala.

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Publicado em NOVA ESCOLA Edição 249, Janeiro/Fevereiro 2012.
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