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Mapa de síntese: resumo contado em imagens e símbolos

Quinta reportagem da série sobre cartografia mostra como organizar os conhecimentos que os alunos têm para ensiná-los a interpretar mapas de síntese

Fernanda Salla

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A professora Mariza Pissinati trabalhou o mapa geoeconômico
da Ásia com o 9º ano da EE do Jardim Eldorado. Em seguida,
disse aos alunos que para elaborá-lo foram reunidas
informações dos mapas temáticos também analisados. Foto: Andre Valentim
MAPA GEOECONÔMICO A professora Mariza Pissinati trabalhou o mapa geoeconômico da Ásia com o 9º ano da EE do Jardim Eldorado. Em seguida, disse aos alunos que para elaborá-lo foram reunidas informações dos mapas temáticos também analisados.

No fim do Ensino Fundamental, seus alunos já devem saber o que é um mapa, quais são os elementos que o compõem (como título, legenda e escala) e a melhor maneira de interpretá-los, reconhecendo seus símbolos - conforme mostrado nas reportagens anteriores da série sobre cartografia, publicadas em NOVA ESCOLA desde a edição de maio. Dominar esses conteúdos é importante para que sua turma possa dar um passo além e saber como interpretar com propriedade os chamados mapas de síntese, imagens que reúnem temas variados sobre determinado local.

Para entender melhor esse material, pense no resumo de um filme, que traz partes da história de maneira que ela seja bem compreendida na totalidade. Da mesma forma, um mapa de síntese mostra determinados dados - como os elementos de uma paisagem, a poluição e o uso da terra - utilizando símbolos próprios da linguagem cartográfica para passar uma mensagem mais complexa (leia uma atividade sobre esse tipo de mapa na página seguinte). "O mapa de síntese é o tipo mais complexo de mapa temático, pois agrega assuntos variados e que interagem entre si", explica Hervé Thévy, do Centre National de la Recherche Scientifique, de Paris, e professor convidado da Universidade de São Paulo (USP). Ele diferencia esse tipo de mapa do analítico (que representa apenas um tema, como o de vegetação) e do de correlação (em que dois assuntos aparecem de maneira relacionada, como num mapa de vegetação e clima).

Por ser tão completo, o mapa de síntese aparece frequentemente em revistas e materiais didáticos. O morfoclimático, por exemplo, que está presente nos atlas, mostra informações sobre clima, vegetação, geologia, relevo e solo. Mesmo sendo familiar aos alunos, essa representação é objeto de ensino apenas no Ensino Médio. Rosângela Doin de Almeida, livre-docente em Prática do Ensino de Geografia pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), campus de Rio Claro, alerta, porém, para a importância de a garotada saber como interpretá-los no Ensino Fundamental, ainda que nos anos seguintes volte a aprofundar sua análise e eventualmente até produzir alguns deles.

Foi pensando em desenvolver essa competência nos alunos do 9º ano que a professora Mariza Pissinati, da EE do Jardim Eldorado, em Londrina, a 378 quilômetros de Curitiba, apresentou o mapa geoeconômico da Ásia. Eles já tinham estudado diversos assuntos sobre o continente, mas não tinham visto uma representação que reunisse todos eles. "Como o mapa sintetizava as informações aprendidas no decorrer das aulas, ele serviu para retomar o que a garotada aprendeu. Além disso, foi um importante indicador dos pontos que precisavam ser revistos para que todos aprendessem", conta a educadora (veja os mapas utilizados e entenda como foi o encaminhamento das aulas nas imagens).

Focando o norte do continente,
os alunos observaram mapas.
Neste, a área pintada de verde
indica uma população em declínio. Fonte Atlas geográfico: espaço mundial, Graça M. L. Ferreira, Ed. Moderna, 2003
POPULAÇÃO Focando o norte do continente, os alunos observaram mapas. Neste, a área pintada de verde indica uma população em declínio.
Na Ásia setentrional, em que
há o predomínio de laranja e roxo,
eles identificaram uma área
industrial e rica em carvão. Fonte Atlas geográfico: espaço mundial, Graça M. L. Ferreira, Ed. Moderna, 2003
INDÚSTRIA Na Ásia setentrional, em que há o predomínio de laranja e roxo, eles identificaram uma área industrial e rica em carvão.
Por fim, a professora mostrou
à turma que os remanescentes florestais pintados em verde são próprios do norte do continente. Fonte Atlas geográfico: espaço mundial, Graça M. L. Ferreira, Ed. Moderna, 2003
AMBIENTE Por fim, a professora mostrou à turma que os remanescentes florestais pintados em verde são próprios do norte do continente.

Ela notou que muitas vezes a dificuldade dos estudantes não estava em compreender os elementos cartográficos, mas em não reconhecer o conteúdo trabalhado. Rosângela indica que, nesse caso, o interessante é mesclar a análise da imagem com outra atividade, com uma leitura ou discussão sobre o tema para resolver as dúvidas que aparecerem. De volta à imagem, é importante identificar todos os fenômenos reunidos no mapa geoeconômico separadamente.

Nas aulas de Mariza, são quatro mapas analíticos (sobre indústria, ambiente, população e agropecuária) da Ásia. "Assim a turma consegue visualizar as informações de forma isolada e depois voltar ao mapa de síntese para analisar a relação entre elas e verificar que símbolos foram usados para mostrar isso." Nesse momento, Mariza faz diversos tipos de encaminhamento: "Pergunto por que alguns países são pintados com a mesma cor e o que eles têm em comum para serem agrupados com esse símbolo", conta.

Dados escolhidos a dedo e uma representação clara

Uma característica importante de um mapa de síntese é ser resultado de uma escolha de dados, uma eleição feita com intencionalidade - diferentemente do que ocorre em um mapa sobre vegetação, por exemplo, em que as informações são mostradas com objetividade. Por isso, é essencial discutir com os alunos o que o autor quis mostrar ao omitir ou destacar dados na representação. Uma possibilidade é propor que façam um exercício de descrição da cidade em que vivem. Pergunte à turma: "O que de significativo há para contar sobre o local?" "Dentre os aspectos levantados, o que deve constar e o que pode ser descartado por não cooperar para o entendimento da informação que queremos sintetizar?" Por exemplo, em um mapa da cidade de São Paulo, é importante mostrar as áreas verdes? Por quê? Talvez algum aluno responda que não por haver poucas regiões assim na cidade. Outro pode dizer que é bom colocar esse dado no mapa exatamente para mostrar o quanto a situação é preocupante. Esse olhar, analítico e crítico, deve acompanhar as discussões que o professor encaminha com a turma.

Outra capacidade do mapa de síntese é mostrar como os dados estão relacionados, sem parecer que a imagem é apenas um apanhado de informações isoladas. "Isso aparece, por exemplo, em uma representação que une a densidade populacional e a atividade econômica, mostrando que existe uma maior ou menor quantidade de habitantes conforme o que se faz em determinado local", diz Rosely Sampaio Archela, professora do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Thévy explica que um mapa de síntese só cumpre sua função quando "faz uma representação consistente sobre o assunto que se quer tratar, tendo em vista a legibilidade das informações apresentadas". Para as informações ficarem claras, portanto, a base cartográfica, as escalas, a projeção e as diversas variáveis visuais (cores, formas e tamanhos) - aplicadas em pontos, linhas e áreas - precisam estar bem articuladas, mostrando os fenômenos e o que os une.

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Publicado em NOVA ESCOLA Edição 246, Outubro 2011. Título original: original
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