Elisângela Fernandes

"Credo, professora, que coisa horrível!", exclamou um dos alunos. "Não vou conseguir dormir à noite", disse outro. O medo parecia estar tomando conta da turma do 6º ano do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) durante as atividades de leitura nas aulas de Língua Portuguesa, mas, de acordo com a professora Fernanda Müller, todos estavam fascinados com as lendas urbanas.
Esse subgênero literário (que faz parte do gênero lenda) passou a integrar o planejamento quando a educadora propôs como tarefa de casa que os estudantes perguntassem a amigos e familiares quais lendas eles conheciam. Ela esperava que eles levassem para a escola histórias folclóricas como a do Saci-Pererê, da Mula Sem Cabeça, do Boto e do Curupira. Mas nada disso - só a do Negrinho do Pastoreio apareceu e, ainda assim, uma vez. Em vez deles, as crianças falaram da Loira do Banheiro, do Homem do Saco e da Gangue dos Palhaços.
"Notei que seria interessante organizar sessões de leituras dessas lendas e problematizar as diferenças entre elas e as folclóricas, comparando as características desse subgênero com as dos contos maravilhosos e das fábulas, que estávamos lendo também", diz Fernanda.
A proposta foi aceita com empolgação pela garotada, que pesquisou uma porção de lendas urbanas. Depois, foi a vez de a professora levar para a turma um texto que contava a lenda da Mulher da Meia-Noite a fim de fazer um estudo mais focado. Ela também preparou um roteiro para orientar a leitura. O objetivo era levar os alunos a observar e sistematizar as características que marcam o subgênero. Por fim, a docente instruiu a moçada na organização de um quadro comparativo das diversas particularidades dos outros gêneros.
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