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Os elementos que compõem um mapa

Terceira reportagem da série sobre cartografia apresenta seis principais itens cartográficos e as funções de cada um deles

Fernanda Salla

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=== PARTE 1 ====
Tamanhos e distâncias. Foto: Fernanda Preto
Tamanhos e distâncias | Depois de assistir a O Caminho das Nuvens, a turma da EE Doutor Adail Luiz Miller traçou a rota dos personagens em um mapa do Brasil e calculou a distância real levando em conta a escala cartográfica. Em seguida, comparou o mapa do país com o do Rio de Janeiro e analisou detalhes deles.

Um mapa não é simplesmente uma imagem colorida. É a representação de um lugar com dados codificados para passar informações sobre ele. Isso tem de ser trabalhado com os alunos desde a alfabetização cartográfica (assunto tratado na primeira reportagem da série). Com o avançar do tempo, para que eles adquiram proficiência no que diz respeito ao conteúdo, é preciso enfocar o estudo dos elementos cartográficos, que são os seguintes:

- Título Revela o assunto do mapa.

- Fonte Indica a origem dos dados apresentados e a data a que se referem.

- Orientação Mostra a direção e a localização por meio da rosa dos ventos ou de um ícone que indica o norte (esses desenhos nem sempre estão explícitos).

- Projeção É a distorção feita para adaptar uma superfície esférica (a Terra, por exemplo) para um plano (o papel ou a tela do computador).

- Escala cartográfica Informa a relação entre o tamanho do espaço real e a redução feita para representá-lo.

- Legenda Decodifica os símbolos usados (como as cores e formas, como linhas de diferentes espessuras para diferenciar, por exemplo, ruas e rodovias).

Título, fonte e orientação são elementos de simples compreensão, pois têm uma leitura mais direta. Já a projeção e a escala cartográfica precisam ser apresentadas em aulas bem planejadas. "Os alunos devem compreender que, no universo cartográfico, a realidade é distorcida e reduzida em tamanho", afirma Jorn Seemann, docente do Departamento de Geociências da Universidade Regional do Cariri (Urca).

No que diz respeito à projeção, encaminhe a garotada a compreender que se trata de um elemento que distorce a forma e/ou o tamanho dos continentes. "Existem vários tipos de projeção e, ao criar um mapa, os cartógrafos têm de pensar qual é a mais adequada, de acordo com a região representada, a finalidade do material e a localização no globo", diz Ruth Nogueira, coordenadora do Laboratório de Cartografia Tátil e Escolar da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Nos planisférios dos atlas escolares, é usada a projeção de Robinson (criada pelo norte-americano Arthur Robinson, 1915-2004). Nela, os meridianos são colocados em linhas curvas, em forma de elipses que se aproximam à medida que se afastam da linha do Equador.

A escala cartográfica deve ser explorada com foco na relação entre o real e o desenho, inclusive no que se refere ao tamanho dos eventos - como a área de um estado e a extensão de um rio (leia a próxima página). Apresentada com números (1:100 ou 1-100) ou gráficos (uma pequena régua), ela evidencia a relação de proporção entre as distâncias lineares no mapa e as distâncias correspondentes no terreno real. "1:100 quer dizer que 1 centímetro no mapa representa 100 centímentros no terreno", diz Rosângela Doin de Almeida, livre-docente em Prática do Ensino de Geografia pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp).

Para entender a escala cartográfica, é importante relacioná-la com o conceito de escala geográfica. Ele corresponde à área abrangida pelo mapa e tem de ser considerado para a representação da informação. Um mapa do Brasil, por exemplo, abrange uma escala geográfica maior que o do estado do Pará.

A turma tem de prestar atenção: quanto maior a área do terreno a ser representada (maior escala geográfica), maior a redução necessária (menor a escala cartográfica) para que ele caiba em um espaço determinado. Consequentemente, é menor a quantidade de detalhes possíveis de ser mostrados (leia a sequência didática).

Para explorar as escalas cartográfica e geográfica com a turma do 7º ano da EE Doutor Adail Luiz Miller, em São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo, o professor Jefferson da Silva Júnior conduziu a análise de um mapa do Brasil e outro do estado do Rio de Janeiro. A ideia era problematizar o cálculo de distâncias e discutir os diversos níveis de detalhamento possíveis nas representações.

Ao compreender como funcionam esses elementos, os alunos estão no caminho para se apropriar da linguagem cartográfica, composta de símbolos. Relacioná-la à legenda não basta. É preciso ir além, interpretando as informações para ler a realidade. Esse é o foco da próxima reportagem da série.

Pergunta do aluno

Se a escala cartográfica de um mapa é 1:1.000, isso significa que o terreno foi reduzido mil vezes?
Não. Ela indica uma redução linear e não da área. O espaço foi reduzido mil vezes vertical e horizontalmente, ou seja, a redução foi feita ao quadrado. O terreno real é 1 milhão de vezes maior (1.000 x 1.000) que sua representação.

=== PARTE 2 ====

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Publicado em NOVA ESCOLA Edição 244, Agosto 2011.
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