Assine Nova Escola
Loading
NAS BANCAS
assine
capa capa
publicidade
anuncie!

A Origem das Revespécies

Maria Amália Camargo

Ilustração: Renato Faccini
Ilustração: Renato Faccini

Você já deve ter quebrado muito a cabeça pra responder aquela velha pergunta sobre o ovo e a galinha... Ora, convenhamos, desde que os cientistas anunciaram o parentesco entre a dita cuja e os dinossauros, não é preciso ser nenhum Charles Darwin pra matar essa charada... 

Por um capricho da natureza, ficou decidido que os dinossauros pulariam de grandalhões para a categoria peso-pena, passariam a acordar com as galinhas e seriam bichos muito bons de bico. Daí, foi só uma tiranossauro botar um ovo com um pintinho dentro, para dar início à era das galináceas no planeta. Pronto, o ovo veio primeiro! 

E já que estamos falando sobre as transformações no reino animal, é bom lembrar que a evolução não é privilégio apenas das cocoriquentas. Tempos depois de um cavalo amarelo-malhado ter tomado chá de trepadeira e ficado com as folhas entaladas na garganta, transformou -se numa girafa. Quando um camundongo gigante cansou de levar seus filhos a tiracolo e amarrou uma bolsa na barriga, virou um canguru. Já a gelatina, que teve a sorte de ser resgatada do mar Morto por um salva-vidas, ah, virou uma água- viva! 

E os reveses nas espécies não param por aí. Tem exemplo de revespécie pra dar e vender. Veja só:

Quem já era devagar quase parando virou preguiça.
Quem tinha samba no pé, uma cuíca.

Virou solitária quem vivia jogada às traças.
Um tremendo furão, quem nunca dava o ar da graça.

Quem era bicho-papão ficou barrigudo.
Quem era cheio de pneuzinhos, borrachudo.

Quem não conseguiu pegar jacaré virou mergulhão.
Quem era nervosinho pacas, um zangão!

Quem gostava de madeira virou bicho-carpinteiro.
Quem dirigia mal pra burro, barbeiro!

Quem não comprava no atacado, virou varejeira.
Quem lavava roupa suja em casa, lavadeira.

Virou quero-quero quem era pidão.
E serelepe, um mexilhão.

Virou maria-fedida quem vivia cheia de craca.
Quem não entrava em barca furada, uma fragata.

O calombo na cachola virou galo.
E quem vivia enrabichado, namorado.

Virou beija-flor quem namorou a rosa no quintal.
Quem pisou na concha acústica, um coral.

Virou truta aquele camarada, grande amigo.
Quem soltava fogo pelas ventas, maçarico.

Virou centopeia o cheio de dedos.
Mas quem vivia pregado continuou percevejo!

Maria Amália Camargo, autora deste conto, é formada em Letras. Escreve no blog Na Contramão do Pelo Contrário: Historietas Sem Pé Nem Cabeça.

 

Especial ERA UMA VEZ...

Compartilhe
Publicado em NOVA ESCOLAEdição 227, Novembro 2009,

PATROCÍNIO Patrocinadores Editora Scipione Editora Ática Edições SM Editora Positivo
Expediente Termos de uso Assinaturas para secretarias de Educação Anuncie Fale conosco Trabalhe conosco Dúvidas frequentes
Fundação Victor Civita - 25 anos
Fundação Victor Civita © 2012 - Todos os direitos reservados.