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Biomas - Comparar para entender

Textos, fotos e mapas foram utilizados pelos alunos do 5º ano do Colégio de Aplicação, em Florianópolis, para estudar as paisagens do Brasil, da mata Atlântica à Amazônia. Dessa maneira, a turma pôde compreender as diferenças, semelhanças e características de cada um

Com apuração de Márcia Scapaticio. Editado por Beatriz Santomauro

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 Biomas: comparar para entender. Foto: Danny Yin

É a primeira vez que os alunos do 5º ano do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina (CA-UFSC), em Florianópolis, estudam as características dos biomas brasileiros. A professora Lara Duarte Souto- Maior está atenta para registrar as dúvidas de cada um: por que as plantas da Amazônia estão sempre verdes? Como os animais conseguem viver em um lugar alagado ou em temperaturas muito altas? Por que aqui não vivem os mesmos bichos do pantanal?

Para essas primeiras aproximações com o tema, Lara preparou aulas expositivas explicando que são seis os biomas do nosso país, conforme a divisão estabelecida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): mata Atlântica, pantanal, cerrado, caatinga, Amazônia e pampa. Ela utilizou fotos e textos dos livros didáticos e reuniu outros materiais, como reportagens de revistas e publicações científicas de Geografia, para apresentar as informações principais. Além disso, usou um software desenvolvido pela própria UFSC especificamente sobre a mata Atlântica que permitiu que seus alunos jogassem e reconhecessem, em duplas e pelo computador, quais plantas e animais estão presentes nesse ambiente. O resultado dessa série de iniciativas fez com que os pequenos aprendessem sobre as diferentes paisagens do país, desde a mata Atlântica, que está ao redor deles, até o pantanal, muitas vezes conhecidos apenas pelo nome.

A professora se preocupou em destacar os tipos de clima, de vegetação, o solo, o relevo, a hidrografia, o regime de chuvas de cada região, dados indispensáveis para investigar os biomas. Em seguida, relacionou um com outro, explicando, por exemplo, que uma mata sempre verde está ligada à quantidade e distribuição de chuvas e que as temperaturas são mais altas no nível do mar do que no alto das montanhas (veja outras possibilidades para relacionar as características dos biomas na última página). Em vez de ter acesso a informações fragmentadas, as crianças entraram em contato com o conteúdo fazendo comparações e analisando as características do que foi visto. Conhecer e analisar esse bioma e os demais a fundo fez com que elas fugissem dos estereótipos e vissem que existe uma variedade de aparências de acordo com a ocupação humana, a temperatura, a latitude etc. (veja alguns equívocos comuns na próxima página). Com isso, os estudantes perceberam a complexidade do assunto e que algumas feições dos biomas são mesmo diferentes das outras.

Para João Carlos Nucci, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), análises como essas ficam ainda mais ricas quando se usam mapas, já que eles favorecem o trabalho sobre a escala e a localização de cada bioma. Em sua experiência, Lara notou como os alunos se aprofundaram no tema depois de analisarem os mapas: "As crianças compreenderam que o Cerrado ocupa uma grande área do centro do país e que o pampa está em apenas uma parte do sul". Nucci ressalta ainda que se deve incluir nessas discussões os limites de cada bioma: embora no mapa haja uma linha que delineia o começo e o fim de cada um - como no observado por Lara e sua aluna Júlia na página de abertura desta reportagem -, essa é uma representação da realidade que esconde áreas de transição. O geógrafo brasileiro Aziz Ab'Sáber (1924-2012) chamou a atenção para essa ideia e outras especificidades e apresentou na década de 1970 o conceito de domínios morfoclimáticos (veja no quadro abaixo). De todo modo, até hoje a classificação dos biomas é a que continua sendo adotada pelo IBGE e pelos livros didáticos - porém vale dar atenção às contribuições trazidas por Ab'Sáber.

De olho na transição
O que são os domínios morfoclimáticos brasileiros

O que são os domínios morfoclimáticos brasileiros. Cássio Bittencourt

As paisagens brasileiras foram estudadas pelo geógrafo Aziz Ab'Sáber e agrupadas levando em conta as faixas de transição entre as áreas e a relação entre fauna, flora, clima e outras tantas particularidades. isso deu origem à classificação de domínios morfoclimáticos - conceito próximo ao de biomas, apresentado pelo IBGE, mas que normalmente tem o uso restrito a profissionais e estudantes de Geografia, não chegando à sala de aula do ensino Fundamental. Veja, no mapa à direita, as seis divisões sugeridas pelo pesquisador, além das faixas de transição que circundam todas elas.

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Publicado em NOVA ESCOLA Edição 254, Agosto 2012.

 

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