Ana Gonzaga

À primeira vista, o produto final desse tipo de arte pode despertar estranhamento. Composta de madeira, papel, tecido, pedaços de brinquedos e muitas outras coisas unidas com cola ou simplesmente por encaixe, a obra é uma forma de expressão do imaginário do autor. Os objetos, embora reunidos para representar algo novo, conservam seu sentido original. Isso é assemblage, termo em francês que significa "montagem".
Com origens no modernismo europeu, o conceito foi usado pela primeira vez pelo francês Jean Dubuffet (1901-1985). Ele era integrante do dadaísmo, movimento que se desenvolveu na Europa no início do século 20, logo após ser deflagrada a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). As obras dadaístas são desconexas, sem um sentido aparente, uma forma de protesto contra a guerra.
Na escola, a assemblage é uma boa pedida para as aulas de Arte. Abre muito espaço para a experimentação, o estudo e a apreciação, já que a obra e todo o percurso para elaborá-la são um desafio constante para os alunos: encontrar soluções - estéticas e ao mesmo tempo lúdicas - para os problemas de construção com que eles se deparam.
Um deles é como colar os objetos uns nos outros, já que nem todos têm pontos de contato suficientes. É preciso encontrar soluções, descobrindo como enxaixar as peças ou substituindo os materiais. Exercita-se a habilidade de configurar formas - como vertical e horizontal - e consistências diferentes - o duro e o mole, por exemplo. A capacidade de dividir tarefas também é desenvolvida, já que o mais interessante é fazer os alunos trabalharem coletivamente. Alguns podem ficar responsáveis pela montagem em si, enquanto outros fazem a seleção dos objetos que serão usados.
Para aproximar a meninada do tema, vale levar para a sala de aula imagens de obras como as apresentadas na exposição pioneira The Art of Assemblage, organizada em 1961 no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York, nos Estados Unidos. E de artistas como o italiano Alberto Bruni (1915-1995), os espanhóis Antonio Tapies e Pablo Picasso (1881-1973) e os brasileiros Arthur Bispo do Rosário (1909-1989), Wesley Duke Lee (1931-2010), Nuno Ramos e Leda Catunda.