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5 perguntas e respostas sobre pontos cardeais

Tanto a tecnologia como as práticas antigas são úteis para ensinar a localização de norte, sul, leste e oeste. Saiba como aproveitar bem essas duas vertentes

Ana Ligia Scachetti

Alunos do 3º ano da EBM Professora Dilma Lúcia dos Santos, em Florianópolis, desenharam 
o que viam em 
uma das direções. Foto: Tarcisio Mattos/Tempo Editorial
Paisagem à frente Alunos do 3º ano da EBM Professora Dilma Lúcia dos Santos, em Florianópolis, desenharam o que viam em uma das direções.

O conhecimento sobre os pontos cardeais é importante desde a época das grandes navegações. Graças a ele, você olha um guia de ruas e sabe para onde ir ou a que distância está do local desejado. "Os saberes da cartografia não foram superados pela tecnologia e os pontos cardeais são o início para a pessoa se tornar um leitor consciente de mapas", afirma Jussara Fraga Portugal, professora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb).

Apesar do nome, norte, sul, leste e oeste indicam a inclinação máxima do movimento do Sol no céu e representam um lado inteiro do horizonte (não apenas um ponto). Então confira a seguir alguns cuidados a tomar na abordagem desse tema e ideias a desenvolver nas aulas.

1 Com a popularização do GPS, ainda faz sentido aprender os pontos cardeais?

Sim. "Esse aprendizado é importante para que os alunos entendam como funciona o GPS (sistema de posicionamento global) e por quê, algumas vezes, ele dá uma informação imprecisa", responde Rosângela Doin de Almeida, professora aposentada da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), campus de Rio Claro. Os conceitos de cartografia contribuem para que eles compreendam os caminhos indicados e saibam agir sem os equipamentos.

2 Como as tecnologias devem ser utilizadas em sala de aula?

O GPS e o Google Maps podem ampliar os conhecimentos da turma. Utilizando as técnicas convencionais apresentadas na página seguinte, identifique o que está ao norte da sala de aula e depois utilize a bússola do GPS para confirmar a marcação. Consulte no Google Maps um caminho que inclua indicações como "siga na direção nordeste". Estude o trajeto com a classe e depois compare com o desenho do Google. Mas é importante que os alunos entendam os pontos cardeais sem os equipamentos. "Caso contrário, o GPS vai indicar para onde seguir, a pessoa vai, mas não sabe para onde está indo", alerta Loçandra Borges de Moraes, professora da Universidade Estadual de Goiás, campus de Anápolis.

3 É correto buscar o leste com o braço indicando o Sol?

Sim. Porém o aluno deve entender que a referência para encontrar o leste é o Sol nascente, e não o Sol a qualquer momento do dia. Além disso, os movimentos da Terra (rotação e translação) fazem com que a posição do nascer do Sol mude ao longo do ano e seja diferente nas regiões do planeta. A professora Cristhianny Abreu, do 3º ano da EBM Professora Dilma Lúcia dos Santos, em Florianópolis, trabalhou o tema com suas turmas. No pátio, as crianças observaram o lado do nascer do Sol, desenharam e descreveram o que viam em uma das direções. Depois, marcaram no caderno onde o Sol estava quando acordavam, no trajeto para a escola e quando chegavam para as aulas. O resultado foi compartilhado e debatido na sala de aula e o assunto voltou a ser trabalhado ao longo do ano.

4 Deve-se usar a bússola com a agulha imantada?

Sim, mas a agulha imantada indica o norte magnético, e não o norte geográfico. Por isso, o uso da bússola (seja ela profissional ou feita pela turma) precisa ser acompanhado da explicação sobre a diferença dessas duas marcações e sobre os campos magnéticos da Terra. Jussara explica que o norte magnético sofre variações em sua declinação ao longo do tempo em relação ao norte geográfico, também chamado de verdadeiro. Por essa complexidade, sugere-se que a bússola seja usada depois que a classe tiver a noção de magnetismo. Antes disso, o mais indicado é observar o movimento do Sol e a sombra que ele faz na Terra. Isso pode ser feito utilizando recursos como um globo e um foco de luz. Com eles, é possível reproduzir os efeitos da rotação do planeta.

5 Como aproximar o tema dos alunos?

Jussara sugere uma brincadeira simples: com giz colorido, solicite que a turma desenhe a rosa dos ventos no chão. Peça que cada grupo vá para um sentido, aumentando a complexidade (primeiro os pontos cardeais e depois os colaterais). Outra opção, indicada por Rosângela, é a construção do gnômon. Ele pode ser montado no pátio, em um local plano com incidência de sol, com uma vara fincada no chão na vertical. Com ele, é possível identificar os pontos cardeais com base na marcação da sombra.

 

Publicado em NOVA ESCOLA Edição 248, Dezembro 2011. Título original: Cinco direções para aulas sobre os pontos cardeais
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