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O que ensinar em História do 6º ao 9º ano

O desafio da área é cruzar informações do presente e do passado, do macro e do micro, da sociedade e da esfera individual

Leonor Macedo

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Fotos: Paulo Vitale e Marcos Rosa
Fotos: Paulo Vitale e Marcos Rosa (2ª e 3ª imagens)

Nem tudo o que lemos, vemos ou ouvimos é uma verdade absoluta. É isso o que deve ensinar a disciplina de História do 6º ao 9º ano (leia uma proposta de plano plurianual para a área). Hoje, com o acesso dos jovens aos diversos meios de comunicação, o filtro e o entendimento daquilo que é ou não um fato histórico depende da seleção e da comparação de informações provenientes de fontes diversificadas. Nessa fase, os alunos estudam semelhanças, diferenças, permanências e transformações no modo de vida social, cultural e econômico de sua localidade, no presente e no passado, com ênfase no domínio da linguagem escrita.

"Essa prática contribui para a formação de um adolescente questionador, capaz de fazer uma leitura crítica de quem ele é, quem somos nós e qual é o mundo em que vivemos", diz Renato Fontes, que leciona História no Colégio Visconde de Porto Seguro, em São Paulo (conheça as expectativas de aprendizagem).


Renato destaca a evolução da disciplina no novo século. "Dizemos no meio acadêmico que o ensino nos anos 1990 ainda estava marcado pela História oficial, ou seja, aquela que valoriza as efemérides e os grandes temas - como Iluminismo, Revolução Francesa e Grécia clássica - e dava pouca ênfase às relações com o presente, que hoje são bem mais desenvolvidas", relembra.

O papel de cada pessoa no processo histórico

Todos nós somos produtores de história, mesmo que no futuro nossos atos não apareçam em livros didáticos, reportagens televisivas e jornais. Os sujeitos do processo histórico não precisam ser grandes personagens que desempenham atos considerados heroicos. Eles podem ser agentes de ações sociais, como trabalhadores, patrões, escravos, reis, camponeses, políticos, prisioneiros, crianças, mulheres, religiosos, velhos, partidos políticos etc.

"A História estuda a constituição de uma identidade. Para isso, todo indivíduo deve saber seu papel na sua localidade e cultura", garante Pedro Moura Leite Ribeiro, professor do Colégio Sidarta, de Cotia, na Grande São Paulo. "Só quando percebo o 'eu' é que percebo o 'outro' e o 'nós'", completa Pedro. Uma abordagem possível para desenvolver essa ideia em sala de aula é procurar elementos culturais comuns entre os alunos, em suas comunidades e em âmbito nacional, além de identificar povos que constroem modos de vida diferentes.

Outra questão importante é trabalhar atividades didáticas que envolvam perspectivas distintas de tempo. Estudar medições e calendários de diferentes culturas, distinguir periodicidades, mudanças e permanências nos hábitos e costumes de sociedades estudadas, relacionar um acontecimento com outros de épocas passadas e identificar os ritmos de ordenação temporal das atividades de pessoas e grupos relacionados a padrões culturais, sociais, econômicos e políticos vigentes: tudo isso ajuda a garotada a organizar os acontecimentos históricos no presente e no passado.

Daniel Helene, selecionador do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 e professor da Escola da Vila, em São Paulo, diz que relacionar os fatos ajuda na compreensão de que a história é um processo. "O aluno precisa entender as transformações que ocorrem no decorrer do tempo. Essa também é uma forma de aproximar o conteúdo da vida do estudante, o que se tornava impossível quando os temas eram tratados cronologicamente. "Hoje, o professor precisa estimular a reflexão e deve se valer de diferentes mídias e linguagens para fazer com que a decoreba de informações sem sentido seja substituída pela compreensão", afirma Helene.

Para isso, e aordocom ele, é essencial colocar os estudantes em contato com relatos e realidades diferentes sobre o mesmo assunto. Isso ajuda na compreensão e na elaboração de uma crítica mais complexa do processo histórico. A pluralidade das fontes históricas dentro da pesquisa é, portanto, fundamental no ensino da disciplina. Veja a seguir cinco situações didáticas essenciais para o ensino da disciplina.

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Publicado em Especial Planejamento do 6º ao 9º ano, Janeiro 2010. Título original: Olhar a realidade
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