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Condorcet, a luz da Revolução Francesa na escola

Matemático preconizava uma Educação que contribuísse para a liberdade de pensamento

Marcio Ferrari

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Biografia 
Gênio dos cálculos e político engajado

Marie-Jean-Antoine-Nicolas de Caritat, o marquês de Condorcet, nasceu em 1743 em Ribemont, Aisne, norte da França. Seu talento para a matemática chamou a atenção quando era adolescente. Condorcet publicou um tratado sobre cálculo integral e desenvolveu um método de contagem de votos utilizado até hoje. Em 1774, integrou a equipe de conselheiros econômicos de Luís XVI. Eleito em 1781 para a Assembleia Nacional, redigiu o projeto para a instrução pública e um esboço de Constituição. Não foram adotados, mas se tornaram modelos para democracias do futuro. Com a radicalização política ocorrida na sequência da Revolução Francesa, Condorcet foi acusado de traição por ter criticado um novo projeto constitucional. Perseguido, escondeu-se por oito meses na casa de uma amiga, onde escreveu Esboço de um Quadro Histórico dos Progressos do Espírito Humano. Descoberto, foi levado à prisão em 1794, onde morreu misteriosamente dois dias depois.

Os caminhos de Condorcet 
Unidos pela fé... no conhecimento

Foto: Reprodução
ENSINO ESCLARECIDO Pintada nas telas
da época, a luz da razão inspirou
Condorcet

Condorcet foi um dos últimos iluministas, o grupo de pensadores franceses que acreditava, acima de tudo, no poder do conhecimento. A origem do termo iluminismo se refere justamente às "luzes" da razão que tirariam o homem dos domínios da superstição e da ignorância. Grande parte dos filósofos iluministas, Condorcet inclusive, esteve envolvida no projeto da Enciclopédia (que continha ilustrações como esta, à esquerda) organizada por Denis Diderot (1713-1784) e Jean D’Alembert (1717-1783) e que contou também com a colaboração do suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). Ele e Condorcet foram os principais pensadores da Educação do período. Nos Estados Unidos, os fundadores da nação adotaram ideias muito semelhantes. Um deles, Benjamin Franklin (1706-1790), foi correspondente do marquês, com quem compartilhava o interesse pelas ciências.

A divisão de funções na época da industrialização na Europa preocupava Condorcet, que via a Educação como um remédio para a estupidez que a repetição de tarefas poderia gerar. A ideia era a da fé no progresso do espírito humano. "Ele acreditava que o presente tende a ser melhor do que o passado", diz Carlota Boto, da USP. "Os iluministas chamavam isso de perfectibilidade, e a Educação era a grande estratégia para alcançá-la."

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
A Escola do Homem Novo, Carlota Boto, 207 págs., Ed. Unesp, tel. (11) 3242-7171 (edição esgotada)
Cinco Memórias sobre a Instrução Pública, Condorcet, 264 págs., Ed. Unesp, 39 reais
Ilustração e História, Maria das Graças de Souza, 250 págs., Discurso Editorial/Fapesp, tel. (11) 3814-5383
(edição esgotada)
Origens da Educação Pública, Eliane Marta Teixeira Lopes, 152 págs., Ed. Argumentum, tel. (31) 3212-4197,
30 reais  

 

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Publicado em NOVA ESCOLA Edição 221, Abril 2009.
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