Tatiana Pinheiro

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Há 40 anos, vertentes da Sociologia analisam a relação entre o desempenho escolar de uma criança e a classe social que seus pais ocupam. Boa parte das considerações aponta que alunos de camadas populares têm menos chances de ser bem-sucedidos nos estudos do que os jovens de classe média. Mas como explicar um estudante de família desfavorecida que se sai bem na escola? E o aluno de família abastada que fracassa em sua trajetória escolar?
Pesquisador francês radicado no Brasil, Bernard Charlot se voltou para essas questões na década de 1980, ainda em Paris, e trabalhou em um conceito que explica de maneira mais abrangente e menos preconceituosa histórias de sucesso e de fracasso escolar: a relação com o saber.
Essa é uma condição que se estabelece desde o nascimento, uma vez que "nascer significa ver-se submetido à obrigação de aprender", escreveu Charlot. A condição humana exige que seja feito um movimento, "longo, complexo e nunca acabado", no sentido de se apropriar (parcialmente) de um mundo preexistente. Essa apropriação obrigatória desencadeia três processos: de hominização (tornar-se homem), singularização (tornar-se exemplar único) e socialização (tornar-se membro de uma comunidade).
O ato de construir-se e ser construído pelos outros é a própria Educação, entendida de forma ampla, em situações que ocorrem dentro e fora da escola. É por meio de suas experiências que a criança toma contato com as muitas maneiras de aprender. Ela pode adquirir um saber específico, no sentido de compreender um conteúdo intelectual (a gramática, a Matemática, a história da arte etc.), pode dominar um objeto ou uma atividade (como caminhar, amarrar os sapatos, nadar etc.) e pode aprender formas de se relacionar com os outros no mundo (saber como cumprimentar as pessoas, ter boas maneiras à mesa etc.).
Nesse ir-e-vir da relação com o mundo, com os outros e consigo mesmo, toma forma o desejo de aprender. É esse desejo que propulsiona a criança em direção ao saber. Em pesquisas de campo, Charlot e sua equipe identificaram que esse "direcionar-se para o saber" pressupõe um movimento de mobilização - e não simplesmente de motivação. "O conceito de mobilização se refere à dinâmica interna, traz a ideia de movimento e tem a ver com a trama dos sentidos que o aluno vai dando às suas ações", explica Jaime Giolo, professor titular da pós-graduação em Educação da Universidade de Passo Fundo (UPF) e estudioso do pensamento de Charlot. "A motivação, por sua vez, tem a ver com uma ação externa, enfatizando o fato de que se é motivado por alguém ou algo."
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Nome não registrado - Postado em 07/12/2010 16:13:08
Nitecy Abreu Concordo plenamente com o Charlot, que aprender é um grande desafio de hoje. Os professores devem se mobilizar para apresentar estratégias significativas que mobilize os alunos.
edu vieira da silva - Postado em 28/07/2009 11:01:50
As reflexões propostas por Charlot são realmente fantásticas. Levando em conta que no processo de ensino e aprendizagem o aluno escolhe o que quer aprender, ensinar com significação é muito mais importante do que cumprir um conteúdo planejado. Edu Vieira, prof. de Língua Inglesa Santana - AP
Edilene de Souza Pereira - Postado em 06/07/2009 14:00:33
E quando o ensinar com significado inicia na base, 1o ano do EF, dará um excelente salto na educação. Tenho experiencias com crianças consideradas "menos favorecidas" fora da escola, pois na escola já são consideradas favorecidas. Tenho a felicidade de me relacionar com uma criança que foi considerada "Sem jeito" por terceiros e a propria criança deu-me um sinal para que eu realizasse a intervenção necessária: A mesma ama a leitura mesmo sem saber ler ! e ao perceber que enquanto a turma realizava alguma atividade, o pequeno isolava-se com qualquer pedaço de papel, jornal, revista, livros etc . A partir daí, sua descoberta para a escrita e a leitura avançou num ritmo tão rápido que a mesma é alfabética hoje.