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O sujeito epistêmico de Piaget

Para explicar como todos podem aprender e o desenvolvimento da inteligência, Jean Piaget reuniu saberes da Biologia, da Psicologia e da Filosofia no conceito do sujeito epistêmico

Elisângela Fernandes

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PENSADOR PLURAL Piaget (em foto no seu escritório, no ano de 1976) incluiu saberes de várias áreas em sua obra. Foto: Arquivo Instituto Jean-Jacques Rousseau/Fundo Laura Lacombe. Pesquisa iconográfica Josiane Laurentino
PENSADOR PLURAL  Piaget (em foto
no seu escritório, no ano de 1976) incluiu
saberes de várias áreas em sua obra

Mesmo sem ser pedagogo, o cientista suíço Jean Piaget (1896-1980) foi um dos pensadores mais influentes da Educação. Sua atualidade e repercussão na sala de aula devem-se, principalmente, ao incessante trabalho em compreender como se desenvolve a inteligência humana. Entre estudos e pesquisas, que renderam mais de 20 mil páginas, um conceito perpassa toda a sua obra: a ideia do sujeito epistêmico. Segundo Piaget, esse "sujeito" expressa aspectos presentes em todas as pessoas. Suas características conferem a todos nós a possibilidade de construir conhecimento, desde o aprendizado das primeiras letras na alfabetização até a estruturação das mais sofisticadas teorias científicas.

Que características tão especiais são essas? "Basicamente, a capacidade mental de construir relações", explica Zélia Ramozzi-Chiarottino, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). Essa habilidade permite o desenvolvimento de uma gama de operações essenciais para a aquisição do saber: observar, classificar, organizar, explicar, provar, abstrair, reconstruir, fazer conexões, antecipar e concluir - ações que, de fato, todos temos o potencial de realizar. Um esquimó, por exemplo, é capaz de diferenciar a paisagem fria e se localizar no gelo assim como um índio brasileiro sabe caminhar pela Floresta Amazônica sem se perder. Em ambos os casos, o modo de classificar (no caso, mapear) e reconhecer o espaço geográfico é o mesmo. O que muda é a coisa classificada, que varia de acordo com o meio.

O conceito de sujeito epistêmico (leia um resumo no quadro abaixo) começou a tomar forma quando Piaget iniciou seus estudos sobre o processo de construção de conhecimentos de Matemática e Física na criança pequena. "Ele é considerado o inaugurador da epistemologia genética, teoria que investiga a gênese do conhecimento, tema que estava ausente das pesquisas até o fim do século 19", diz Lino de Macedo, também do Instituto de Psicologia da USP. Até então, as formulações sobre o desenvolvimento da inteligência eram uma exclusividade dos filósofos. As ideias de um deles, o alemão Immanuel Kant (1724-1804), tiveram grande impacto na obra de Piaget. Kant foi um dos primeiros a sugerir que o conhecimento vem da interação do sujeito com o meio - uma alternativa ao inatismo, que considerava o saber como algo congênito, e ao empirismo, que encarava o saber como um elemento externo que só podia ser adquirido pela experiência (leia mais no quadro).

Ao retrabalhar as proposições de Kant, Piaget concordou com a ideia da interação sujeito/meio - mas foi além, afirmando que o desenvolvimento das estruturas mentais se inicia no nascimento, quando o indivíduo começa o processo de troca com o universo ao seu redor. Ele também destacou a necessidade de uma postura ativa para aprender. Imagine, por exemplo, uma pessoa que more a vida inteira numa montanha. Ela pode nunca saber que existem terras baixas, planícies e vales de rio. Por outro lado, se decidir fazer uma viagem morro abaixo, vai conhecer a paisagem de seu entorno e, por meio das relações (comparação e classificação, por exemplo), vai entender que a montanha é um elemento natural diferente dos demais. "Para que o processo de estruturação cognitiva ocorra, é fundamental a ação do sujeito sobre o meio em que vive. Sem isso, não há conhecimento", completa Zélia (leia mais no quadro da página seguinte).

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Thiago Braga Mello Fernandes - Postado em 02/06/2011 19:38:28

Uma pena que as escolas ignoram completamente os ensinamentos de Piaget. Em nenhum momento o aluno é dado a liberdade de ser ativo e aprender de verdade. O professor está sempre direcionando o aprendizado do aluno para a meta esdrúxula estipulada pela sociedade.

francisco cordeiro vieira filho - Postado em 29/01/2011 00:03:33

Parabéns, este material estar sintetizando de maneira clara o pensamento de Piaget no que se refere a sujeito epstêmico. Enquanto educador precisamos compreender as teorias para realizarmos uma reflexão sobre nossas práticas pedagógicas e Nova Escola, vem contribuindo muito, pois as reportagens estão cada vez melhores.

Maria dos Reis Gomes Ferreira - Postado em 19/01/2011 17:55:39

Achei essa reportagem de extrema importância,pois Jean Piaget é o primogênito da Epistemologia Genética, onde o sujeito condiz respeito as estruturas mentais comuns a todos os seres humanos que tem a possibilidade de aprender fazendo relações entre diferentes informações tais estruturascomeçam no início ao fim da vida por meio da ação dos indivíduos sobre o meio num processo de interação. Isso é graticante para estudantes , professores , gestores e todos os educadores. Parabéns a nova escola!



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Publicado em NOVA ESCOLA Edição 238, Dezembro 2010. Título original: O desenvolvimento da inteligência
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