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Rotina semanal de formação continuada

Gustavo Heidrich

Na escola pública
Cumprindo uma jornada de 40 horas semanais como professora do 4º ano da EMEF Nilo Peçanha, na capital paulista (600 alunos e 35 professores), Deise Souza tem 11 horas de trabalho extraclasse, dentro da escola, e mais duas horas de planejamento individual em casa, completando as 13 horas determinadas pela lei.

Quatro horas com a coordenação
Deise participa de duas reuniões coletivas por semana com a coordenadora da escola, Roseli Moreira. Os encontros têm duração de duas horas. O trabalho começa com comentários e um debate sobre a leitura indicada pela coordenadora na semana anterior. Em seguida, as professoras relatam suas dificuldades e debatem situações-problema reais ocorridas em sala de aula. "O fundamental para esses encontros é a pauta. Sem ela, o trabalho fica dispersivo e perde o sentido", alerta Roseli.

Quatro horas entre os professores
Ao longo da semana, há mais dois encontros de duas horas cada um. Nesse período, Deise se reúne com os demais professores, sem a presença da coordenação, mas com uma pauta definida por ela. É o momento de preparar ou aperfeiçoar seqüências e projetos didáticos que serão trabalhados com os alunos. Nessa reunião tem lugar também o intercâmbio entre os registros diários da prática de sala de aula, o portfólio e as sínteses avaliativas do desempenho dos estudantes. "Apesar de ser um horário só dos professores, é fundamental que o coordenador oriente previamente a pauta e que ela esteja em consonância com as reuniões das quais ele participa", pontua Roseli.

Três horas individuais

Em mais três horas semanais, Deise se dedica a um trabalho individual, fora da classe, mas dentro da escola. É um tempo para a formação pessoal, quando faz as leituras indicadas pela coordenadora pedagógica e estuda os conteúdos específicos para o ano em que leciona. "Aprendi que não existe verdade absoluta em Educação. Há sempre algo sendo desenvolvido ou uma lacuna de conhecimento que você pode preencher para melhorar a prática. A formação continuada é para isso: colocar em xeque as certezas do professor", afirma.

Duas horas em casa
Finalmente, Deise completa o trabalho extraclasse com duas horas em casa, no começo de cada semana, quando se dedica ao planejamento das aulas, à organização dos materiais que serão utilizados pelos alunos e à pesquisa mais focada nos conteúdos a trabalhar na semana. "Isso tudo exige comprometimento e não se atinge sem que o professor se envolva e acredite na importância do horário extraclasse. Fazer só porque a lei obriga é o fim", diz a coordenadora pedagógica Roseli Moreira.

Na escola particular
Com uma distribuição de tempo diferente, a professora Margareth Tieppo, da Escola de Educação Infantil Projeto Vida (282 crianças e 16 professores), cumpre atividades de formação continuada semelhantes às de sua colega da rede pública. Mudam alguns recursos e o tipo de abordagem proposto pela coordenação, mas o cerne do trabalho é o mesmo: avaliação e replanejamento permanentes da didática.

Quatro horas com a coordenação
São duas reuniões semanais com a coordenadora pedagógica Débora Rana, ambas com duração de duas horas. Na primeira delas, em conjunto com a equipe de professores da escola, a discussão é sobre temas amplos, que envolvem todos os anos da Educação Infantil e foram definidos no projeto pedagógico para aquele ano. "Um dos temas que está em pauta é a formação moral da criança. Para isso, chamamos um especialista no tema que dá algumas aulas para os professores. Depois, com leituras e debates, continuamos a discutir o tema ao longo do ano", explica Débora. Na segunda reunião, Margareth se reúne apenas com as colegas que trabalham com crianças da mesma faixa etária que as dela. Num grupo reduzido (em média, quatro educadoras), elas recebem da coordenação uma orientação mais focada nas necessidades específicas da idade. "Conversamos muito, tiramos dúvidas, trabalhamos no desenvolvimento de projetos e materiais específicos e assistimos aos vídeos com atividades práticas. A coordenadora também avalia e discute as produções da criançada", relata Margareth.

Uma hora e 40 minutos com as colegas
Em pelo menos dois horários de 50 minutos cada um, Margareth se reúne com outras professoras para fazer as leituras indicadas pela coordenadora, debater dúvidas da prática de sala, montar o portfólio do grupo e as sínteses avaliativas com as produções das crianças.

Três horas em casa

Em casa, Margareth dedica um período para organizar o planejamento da semana.

No mês
Completando a rotina extraclasse, Margareth ainda faz uma reunião mensal com a coordenadora, em que discute dificuldades individuais das crianças. Finalmente, a cada semestre, mais um encontro é realizado, dessa vez para Débora apresentar a avaliação do desempenho de Margareth. A coordenadora ainda tem um compromisso na agenda. Ela se reúne todo mês com a direção da escola para discutir o suporte financeiro necessário para as atividades de formação extraclasse. De olho nas inovações tecnológicas, mantém um grupo de discussão por e-mails com as professoras. No ambiente virtual, Débora promove um debate on-line sobre a prática. "Não existe fórmula pronta e o tempo pode ser distribuído de várias maneiras, mas um projeto completo para formação continuada na escola tem de incluir: diagnóstico tanto das crianças quanto dos professores, organização do tempo - entre coletivo, individual, em pequenos grupos - determinação do investimento que a escola está disposta a fazer, os conteúdos que precisam ser trabalhados na pré-escola e, acima de tudo, as necessidades dos pequenos", conclui Débora.

 

SITUAÇÕES-PROBLEMA

A apresentação de estudos de caso reais aproxima o professor do trabalho formativo e é uma poderosa estratégia de reflexão sobre a prática. Por meio do debate sobre os casos é possível perceber a ideologia ou o método de ensino que está por trás da ação do professor e sobre o qual, muitas vezes, ele não tem consciência. Para apoiar a discussão é importante que o grupo disponha de um referencial teórico que sirva de modelo para a análise da situação. Dessa maneira, o debate não se perde no senso comum e em mitos sobre a prática. Uma dica para o coordenador pedagógico, ao apresentar estudos de caso, é usar, nos primeiros encontros do trabalho coletivo, situações em terceira pessoa. Isso faz com que os docentes em formação não se sintam intimidados ou obrigados a relatar casos pessoais. Estabelecida a confiança, o ideal é que os professores passem a falar da prática pessoal para fazer dela o objeto de estudo. Voltar

 

PAUTA

A pauta é o planejamento do formador. Nela se dá o detalhamento do plano de formação. Por isso, deve prever a divisão do tempo da reunião (quanto dedicar ao debate das leituras, à apresentação de estudos de caso, às dúvidas etc.) e estabelecer um foco, definindo o conteúdo e o ponto de partida e de chegada, em consonância com os encontros anteriores. Volta

 

 

REGISTRO DIÁRIO

É o "diário de bordo" do professor. Nesse documento, ele constrói uma narrativa e uma reflexão do trabalho em sala de aula. "O diário é o principal instrumento de debate entre coordenador e professor. É principalmente por meio da análise reflexiva da prática que são identificadas (e, se for o caso, modificadas ou aperfeiçoadas) as hipóteses de aprendizagem usadas pelos professores", ensina Telma Weisz. É importante que esse registro mostre uma visão "distanciada" do professor em relação à própria prática. Ou seja, ao escrever, é preciso tentar avaliar a atuação e a recepção das crianças, com o menor envolvimento pessoal possível. Os encontros com o coordenador para avaliar os registros diários devem ser, no máximo, semanais. "Cabe ao coordenador avaliar sua capacidade de leitura e disponibilidade de tempo para traçar uma agenda de devolução e debate dos registros diários. Em média, isso leva um dia de trabalho. Se demorar mais de uma semana para dar esse retorno, o trabalho perde o sentido", alerta a coordenadora pedagógica Débora Rana. Volta

 

 

GRAVAÇÃO EM VÍDEO

É considerada a estratégia mais eficiente de documentação da prática de sala de aula por colocar o professor como espectador de si próprio. A filmagem precisa ser realizada por uma terceira pessoa. É recomendável que seja anexado ao vídeo um relato reflexivo escrito pelo professor sobre aquela prática. "A gravação permite conjugar múltiplos olhares do grupo de professores e, por meio da discussão, construir um olhar comum, coletivo, sobre a atividade que está sendo analisada", explica Telma. Volta

 

 

PORTFÓLIO E SÍNTESES AVALIATIVAS

O portifólio de cada aluno deve conter os produtos finais dos projetos didáticos, fotografias, textos e demais trabalhos, acompanhados de um breve registro escrito que apresente a avaliação da aprendizagem em cada produção. "Sem esse material eu não saberia falar dos meus alunos. É por meio dele que percebo as dificuldades e levo as dúvidas para o trabalho de formação", relata a professora Margareth Tieppo. Voltar

 

DEBATE ON-LINE

Por meio de um grupo de discussão na internet, o coordenador pedagógico pode facilitar a interação e o debate entre os professores e ampliar os efeitos do trabalho extraclasse. Essa troca pode se dar por e-mail ou por meio da criação de comunidades virtuais (acesse o Ponto de Encontro e saiba como criar uma comunidade). "Costumo retirar trechos que acho mais interessantes do registro diário dos professores e colocar em discussão no grupo de e-mails. Com o debate de idéias que surge sempre conseguimos chegar a conclusões que alimentam o trabalho", conta Débora Rana. Voltar

MARIA APARECIDA FRANCISCO - Postado em 10/11/2010 11:03:21

MUITO INTERESSANTE A MATÉRIA. OS REGISTROS APRESENTADOS COMO PORTFÓLIO E REGISTRO DIÁRIO É UMA PRÁTICA DESENVOLVIDA NA ESCOLA EM QUE TRABALHA E DEU RESULTADOS MUITO POSITIVOS NA AVALIAÇÃO DO CORPO DOCENTE. PARABÉNS PELO CONTEÚDO!

Maria Edvânia lopes de Sousa - Postado em 18/05/2010 23:52:49

Genial! Adorei a matéria. Sucinta, franca, bacana mesmo. Retrata uma formação continuada na instância escolar com perfeição. Parabéns!

Eurides Gomes da Silva Borges - Postado em 16/11/2009 17:11:29

Adorei o documentario será de grande valia para encontros de formação continuada no local onde trabalho. Parabéns.



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Publicado em Setembro 2008,
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