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Hora-atividade é para melhorar a formação

A lei do piso salarial amplia o horário de trabalho extraclasse dos atuais 20% a 25% da jornada, determinados pelo Plano Nacional da Educação, de 2001, para um terço do período. Conheça estratégias que fazem desse tempo o principal momento de formação continuada do Magistério

Gustavo Heidrich (novaescola@atleitor.com.br)

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Professora há 27 anos, Deise Souza ainda se lembra dos tempos de faculdade. "Era uma época em que eu recebia muita informação, mas formação mesmo era pouca. Hoje, se não pensarmos no dia-a-dia da sala de aula, ficamos na mesma", diz. Essa consciência veio quando Deise passou a usar bem o trabalho coletivo - dentro da escola e no horário de serviço - ao lado da coordenação pedagógica e de outros colegas. De lá para cá, ela passou a tematizar sua prática e, com isso, conseguiu transformar suas aulas para melhor.

Nesta reportagem, convidamos você a refletir sobre o papel do professor, mostramos a rotina de trabalho em horários extraclasse de duas escolas, uma da rede pública, onde Deise leciona, e outra da particular, ambas em São Paulo. É fácil notar que o trabalho em ambas não tem diferenças profundas. A unidade principal de organização do tempo é a semana. Durante esse período, as coordenadoras fazem uso de estratégias formativas que vão desde o diagnóstico da aprendizagem das turmas até a busca pela ajuda de especialistas. No quadro abaixo você conhece um exemplo de construção de um plano de formação continuada, realizado pela coordenadora pedagógica Roseli Moreira, da Emef Nilo Peçanha, em São Paulo

 

PLANO DE FORMAÇÃO

A etapa inicial da criação de um plano de formação é o diagnóstico da realidade da escola. O coordenador pedagógico é o responsável por esse processo. Ele deve apresentar os desafios que a escola e os alunos enfrentam e traçar prioridades. Mas as decisões devem ser compartilhadas. É importante ouvir os professores e estimulá-los a participar da definição de objetivos.

Acompanhe abaixo o relato da coordenadora pedagógica Roseli Moreira, sobre o processo de criação do plano de formação na EMEF Nilo Peçanha, em São Paulo.

"Quando cheguei à escola, em 2005, a taxa de analfabetismo de 4ª a 8ª série oscilava entre 22% e 55%, dependendo da turma. Apresentei esse dado aos professores, e também os resultados da Prova Brasil, e a surpresa foi geral. Eles não conheciam a realidade da própria escola. Então, passei a questioná-los: O que podemos fazer para reverter esse quadro? Que contribuição vocês esperam da coordenação? Foram surgindo propostas para o que deveria ser trabalhado no horário extraclasse e a definição de metas como a erradicação do analfabetismo e a melhora da capacidade leitora dos alunos. Esses objetivos se concretizaram por meio de um grande projeto chamado 'Alfabetizar: desafio possível', em que dedicamos mais atenção aos alunos com dificuldades de aprendizagem, à criação de projetos didáticos de leitura e escrita e, por fim, ao trabalho extraclasse dedicado ao estudo das atividades de alfabetização. É tudo uma questão de gerar as demandas por meio do diagnóstico da realidade, de criar rotinas para os professores e de mostrar como e onde eles podem interferir no processo de ensino e aprendizagem. Em três anos, já conseguimos erradicar o analfabetismo na 4ª série".

 

Publicado em 09/2008
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