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Como os alunos fazem buscas na internet

Estudo realizado pela Universidade de Buenos Aires, na Argentina, mostra como os estudantes procuram informações na rede mundial

Gabriel Pillar Grossi, de La Plata, Argentina

Foto: Philippe Lissac/Godong/Corbis
ESTUDO NA TELA O jovem precisa saber selecionar sites e, dentro deles, interpretar as informações corretas. Foto: Philippe Lissac/Godong/Corbis

A tecnologia está cada vez mais presente na vida de todos. Tanto é assim que pela primeira vez na história o Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação Comparada, a famosa prova realizada com jovens de 15 anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE) vai incluir, neste mês de maio, um teste para ser respondido com o auxílio do computador. As 27 questões serão aplicadas apenas em 17 países (dos quase 60 que fazem o Pisa), justamente para medir a capacidade de encontrar informações e construir conhecimento utilizando a rede mundial.

No entanto, o uso de computadores na escola ainda não está tão disseminado em nosso país (e em muitos de nossos vizinhos). Pesquisa divulgada no mês passado mostrou que 63% dos estudantes brasileiros dizem que o lugar mais habitual para acessar a internet é a escola. Porém, esses mesmos jovens afirmam que metade dos professores não utiliza nem recomenda a rede. E apenas um em cada dez entrevistados aprendeu a usar a ferramenta com um educador.

Cientes dessa falta de familiaridade dos professores com a internet, pesquisadores da Universidade de Buenos Aires vêm se dedicando a entender como os alunos buscam informações na rede. "Muita gente acha que, pelo fato de terem mais acesso às máquinas desde cedo, as crianças sabem tudo o que precisam fazer, o que não é verdade", destaca Flora Perelman, a coordenadora do estudo, que foi apresentado em março durante as Jornadas 30 Anos de Leitura e Escrita na América Latina, em La Plata. "Temos um papel fundamental na hora de ajudar essa turma a usar as novas tecnologias."

O estudo, feito com alunos do equivalente ao nosso 7º ano em 400 escolas da província de Buenos Aires, indica que há cinco pontos essenciais a considerar antes de colocar a garotada na frente da tela: compreender que a busca na rede é uma prática social de leitura, tomar consciência de que a máquina deve ser usada ao nosso favor, aprender a escolher os sites que têm o que se quer procurar, saber selecionar informações confiáveis e entender o peso da imagem no processo.

O que o aluno deve buscar na rede, onde e como 

O primeiro problema que se coloca para os estudantes ao pesquisar na internet é onde encontrar o que se quer. Em geral, acessam um site de busca (tipo Google) e digitam uma ou mais palavras. Há três comportamentos padrão. Quando quer apenas se divertir, o jovem clica no primeiro resultado de busca e vai para o novo site. Na hora de buscar conhecimento geral, ele clica em no máximo dois sites, até achar o tema em questão. Finalmente, quando tem de localizar algo específico para uma tarefa escolar a complexidade aumenta: o aluno faz a busca, lê o site, tenta avaliar a qualidade dos dados oferecidos e refaz o processo várias vezes, até ter alguma certeza de que os nomes, números e datas conferem. Mas o processo é eficaz? "Isso prova que buscar informação na internet é altamente complexo, é uma prática social de leitura e, portanto, requer auxílio constante do professor", explica Flora Perelman.

Mariana Ornique, também da equipe que realiza o estudo, conta que, quando o professor não orienta o trabalho, o mais comum é a turma digitar qualquer coisa na tela, sem pensar muito. "Só que a página de busca não é capaz de interpretar nada." Por isso é fundamental discutir o que exatamente se quer encontrar - antes de clicar. Em outras palavras, é preciso levar os alunos a entender a diferença entre pedir informação a alguém e à máquina. Só assim a tecnologia é usada a favor do usuário e da aprendizagem.

Na hora de escolher, confiança é a chave 

O terceiro passo é aprender a selecionar os sites "Na dúvida, as crianças muitas vezes optam por um ‘.org’ ou ‘.gov’, porque acreditam que páginas não-comerciais têm mais credibilidade", afirma outra pesquisadora, Vanina Estévez. "Será? Duvidar das informações é essencial e é preciso ensinar a turma a fazer isso." Segundo a pesquisa, os jovens acreditam muito na objetividade dos fatos históricos. Mas é essencial que eles compreendam que qualquer ponto de vista carrega consigo uma certa parcialidade - conhecimento, aliás, que deve ser explorado também em atividades sem o computador. Daí a importância de saber selecionar as informações confiáveis (a quarta conclusão do estudo). Afinal, nem tudo o que está disponível na internet é verdadeiro.

Como, então, levar a turma até dados confiáveis? "Essa é a questão quando se trata de explorar a tecnologia na escola", diz a pesquisadora Emilia Ferreiro, conhecida por seus estudos em alfabetização, mas que coordena trabalhos sobre o uso do computador em classe. "Quando alguém nos pergunta algo, imediatamente pensamos para que essa pessoa quer saber isso, aonde quer chegar. E a máquina não faz isso. Nenhum site de busca consegue interpretar como nós fazemos."

A força das imagens e como não se enganar 

Finalmente, María Rosa Bivort, também da equipe de Buenos Aires, chama a atenção para a importância da imagem na busca via internet. "Numa das tarefas propostas, os alunos tinham de encontrar fotos de imigrantes que vieram da Europa no século 19", conta ela. "Ao colocar palavras-chave nas ferramentas de busca, como ‘navio’ e ‘século 19’, algumas crianças encontraram fotos recentes de embarcações antigas em festas em homenagem aos imigrantes, por exemplo." Isso serviu para os professores explicarem que nem todas as imagens em sépia (aquele tom amarelado que as fotos em preto-e-branco ganham com o tempo) são velhas de verdade, pois esse efeito pode ser obtido hoje justamente graças à informática. Sem falar no próprio visual dos sites - um mais atraente pode "parecer" mais confiável, sobretudo para crianças menores.

Tudo isso só reforça a importância de cruzar informações e checar antes de simplesmente comprar o que aparece na tela. "A confiabilidade é mesmo o aspecto crucial", analisa Emilia Ferreiro. "A grande vantagem é que a máquina nos permite experimentar infinitamente. Podemos voltar, refazer, trocar tudo. E isso não causa nenhum problema ao trabalho, pois ele é 100% reversível. No entanto, precisamos ensinar a interpretar. Pois só assim vamos ajudar os alunos a construir conhecimento de fato."


Tecnologia

Tecnologia a serviço da aprendizagem

Rozimeire Cortez Duque - Postado em 25/08/2009 21:06:17

Aposto na internet como mais uma ferramenta no processo de aprendizagem. Ao utilizá-la você terá alunos motivados, um leque de possibilidades se abrirá como mapas virtuais explorados, criação de blogs, troca de e-mail, realização e publicação de vídeos e até participação em vídeo conferência. Tudo isso somado a conteúdos com certeza gerará oportunidades de ensino. Desenvolvi para meus alunos uma atividade de pesquisa orientada utilizando a internet de forma objetiva, segura e com temas específicos - criei uma Webquest. O método facilitou e estimulou o aprendizado. WebQuest foi proposta pelo Professor Bernie Dodge, da Universidade de São Diego, em 1995. Para desenvolver uma é necessário criar um site que pode ser construído com um editor de HTML ou até um serviço de blog. Quando o tema é instigante e bem elaborado o método possibilita trabalho em grupo, pesquisa na internet de modo seguro, trocas de experiências e enriquecimento na forma de aprender. Rozimeire Cortez Duque - especialista em Informática em Educação

Miguel Angelo Montanari - Postado em 12/06/2009 21:44:24

Sem dúvida a sociedade da comunicação tem realmente e em tempo real, segundos, o acesso ao que muitos levaram anos de estudo, dedicação científica com pesquisas e estudos. Ao som tosco de um ``clic`` descobre-se o mundo de possibilidades. Possibilidades para quê?, quem?, como? A dúvida é o procurado mais precioso no meio cibernético, no caso, a internet. Transformações, descobertas ou amizades iniciam ao teclarmos para as possibilidades, estas, expostas como produtos em dia de feira. Peguemo-as e vamos mudar nossas estratégias, fazer parte deste encanto que arrebanha milhões de jovens a todo instante. Como Educadores devemos entender, explorar e aprender com tantas possibilidades, inclusive a que nos resta de mais honrada e digna, a de ``SER`` professor. Sermos rápidos o suficiente para entendermos que o mundo muda a todo instante e todos nós temos esta obrigação de troca paradigmática incessante, orientar, informar-se, experimentar, trocar refletir, aprender e tantas outras velhas opções que nos fazem mestres atuantes ainda falam mais alto quando necessário ao aprendizado, sem inteligência e o seu uso para compreendermos o mundo e as novas tecnologias somos aprendizes dispersos em um universo virtual. A internet deve ser uma ferramenta estudada, utilizada e desmistificada onde o professor possa corroborar com o adquirido e à adquirir das pessoas, tendo sempre como meta o pensamento analítico, crítico e reflexivo do que se quer buscar nesta poderosa hipermídia que reune sons, texto e imagens de todos os tempos e em todos os tempos possíveis de acesso. Abraços a todos.

Priscilla Silvestre de Lira Oliveira - Postado em 30/04/2009 18:55:30

A reportagem é interessante e pertinente com a realidade enfrentada em muitias escolas brasileiras e não ,somente, as escolas públicas. Uma vez que muitos professores mostram resistência em utilizar as ferramentas de Informação e Comunicação, como o computador e seus programas, entre eles a Internet, desse modo é necessário discutir o porque dessa resistência. Porque uma alfabetizadora renomada, como Emília Ferreiro ressalata que não é possível separar a informática e seus aplicativos, além de outras Tecnologias de Informação e comunicação do cotidiano escolar, porque os alunos mostram que utilizam essas tecnologias, portanto quando Ferreiro atribui ao docente a tarefa de mostrar que os alunos devem interpretar o conteúdo de páginas e websites, além de mostrar como uma pesquisa deve ser realizada, o professor desperta para uma nova realidade, aprender a utilizar o computador e a como utilizar, propiciando, uma maior interação entre professor e aluno.

Publicado em NOVA ESCOLAEdição 222, Maio 2009,
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