Luis Carlos de Menezes

A palavra nem sempre é validada por expressões e atitudes. O rosto e o olhar, por exemplo, revelam alegria ou tristeza, simpatia ou rejeição, e confirmam ou contradizem o que uma pessoa fala. O ator, aliás, ajusta os gestos ao texto para dar veracidade a um personagem. Vale lembrar que "pessoa" e "personagem" têm a mesma origem, persona, que é a máscara do teatro romano pela qual (per) passa o som da voz (sona). Todos nós representamos papéis. Em situações de convívio familiar ou na sala de aula, projetamos imagens que, como máscaras teatrais, qualificam nossas ações. É possível que um sorriso expresse ternura ou desprezo e o silêncio demonstre ou consentimento ou recusa. Talvez digamos mais com atitudes que com palavras.
Nossos filhos e alunos aprendem lições ocultas que reforçam ou negam o que queremos ensinar. Uma criança que brincou na terra e é lavada com carinho aprende a associar higiene a afeto. Outra, maltratada pela mesma razão, pode passar a detestar banhos. Um menino que apanha por agredir outro menor tem sua violência validada e aprende a não bater no mais fraco na presença do mais forte. Um estudante humilhado por estar desatento pode aprender o desrespeito e passar a fingir atenção.
Mais do que as palavras, a atitude do professor promove participação ou passividade, cooperação ou individualismo, esperança ou desalento. Reunir alunos em círculo em vez de perfilá-los é sinalizar a importância da interação na aprendizagem. Tomar um livro de Ciências como fonte única de informação é ignorar a capacidade de investigação do jovem. Admitir que uma criança, por ser obesa, não participe de um jogo é aceitar que nem todos têm o direito de viver o esporte. Perguntar se a turma é grata a dom João por nos trazer a corte, à Inglaterra por nos vender seus produtos e a Napoleão por ter começado a confusão é convidá-la a pensar nossa história dos últimos 200 anos, não a memorizá-la. São incontáveis os exemplos, mas a idéia é que devemos ter consciência das mensagens implícitas em nossas atitudes e expressões e de que isso pode ser mais importante que outras sabedorias, pois os alunos também buscam sentidos, e não apenas informações. Conheço uma Luiza cuja vida mudou quando a professora a deixou inventar o fim de uma história e uma Jussara que descobriu sua profissão ao ver a colega cega sendo ensinada. Mas sei de um Rafael que largou a escola, ainda analfabeto, envergonhado por olhares de desprezo do professor.
A imagem que projetamos atinge os alunos mais profundamente do que os conceitos que explicamos. Por isso, a coerência entre nossas palavras e nossas atitudes, nossa confiança na vida e nosso apreço pela cultura são essenciais. Assim evitamos desvios de comportamento, como o do professor "desbravador"
Sandra Maria Gonçalves dos Anjos - Postado em 23/07/2009 18:29:06
Refletir e repensar a Educação na Formação dos professor, seria a construção de um novo caminhar na aprendizagem de todos os seres humanos. Parabéns professor Luis Carlos de Menezes por ser um "SER" tão humanizado na educação. Sandra Anjos.
Cristiane Valêsca Athanasio - Postado em 13/05/2009 08:27:56
Maravilhoso! É uma pena que poucos se preocupam com um tema tão relevante e fundamental na formação de professores! Cristiane Valêsca