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Estruturas e ações para uma escola sustentável

O bom educador sabe que exemplos consistentes educam. Uma estrutura que use com consciência os recursos naturais (como a água e a energia) e seja acessível (tanto em sua estrutura física quanto nas ações cotidianas) favorece a apreensão de conceitos socioambientais e a construção de novos valores e atitudes

Paula Nadal e Noêmia Lopes. Ilustrações: Rogério Fernandes

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=== PARTE 1 ====

Salas de aula com iluminação natural, painéis para a captação de energia solar, sistemas para a reutilização de água da chuva, área verde abundante. Essas características não são suficientes para uma escola promover o respeito à natureza (veja o infográfico de um edifício sustentável modelo). Para chegar lá, é fundamental que alunos, funcionários e até mesmo a comunidade do entorno tenham oportunidades diárias de construir novos valores e atitudes. "É preciso iniciar esse processo desde cedo. Não basta falar, fazer atividades e ensinar com livros. É como aprender Matemática: requer prática", diz Lucia Legan, autora do livro A Escola Sustentável, pedagoga e diretora do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (Ecocentro Ipec), em Pirenópolis, a 120 quilômetros de Goiânia.

Ser ecologicamente sustentável significa apostar numa forma de desenvolvimento que não prejudique o planeta no presente e satisfaça às reais necessidades humanas das próximas gerações. Tal postura se enquadra em outro conceito, o de permacultura, criado em 1970. Segundo ele, o homem deve se integrar permanentemente à dinâmica da natureza, retirando do meio que o circunda apenas o que precisa e devolvendo o que ela própria requer para continuar viva.

Para implantar e manter essa postura dentro da escola, é preciso igualar o discurso à prática. Não adianta falar em classe sobre o combate ao desperdício de água e lavar o pátio com mangueiras ou debater fontes de energia renováveis e manter luzes acesas em locais banhados por luz natural. Essa coerência é a base do projeto ambiental da EE Comendador Joaquim Alves, em Pirenópolis. Ele foi desenvolvido pela diretora, Iolanda José Naves, e sua equipe com a ajuda dos profissionais do Ecocentro Ipec. Antes de abraçar atitudes sustentáveis, os alunos fizeram desenhos e maquetes de argila sobre como gostariam que a escola fosse em termos ambientais. Surgiram ideias que ainda não foram aplicadas, como coletores de chuva, mas também aspirações que já foram concretizadas com sucesso, como a ampliação das áreas verdes. Os alunos de 6º a 9º ano participaram ativamente da elaboração do projeto e da implantação da nova praça da escola, que tem até um banco de terra prensada - onde eles, de comum acordo, decidiram colocar um tabuleiro de damas.

Hoje, faz parte da rotina desses alunos auxiliar professores e funcionários a cuidar de uma horta, manter uma composteira de resíduos orgânicos e cultivar árvores. Iolanda enfatiza a importância de gestos pequenos, porém eficientes, ao contar que não tem estrutura para a captação de energia solar ou eólica, mas isso não impede que todos aprendam sobre energias renováveis. "E todos ficam atentos à questão do desperdício, mantendo luzes desligadas sempre que há a iluminação natural disponível", diz.

=== PARTE 2 ====

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Publicado em Maio 2010. Título original: Forma e conteúdo verdes
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