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Bilhetes com clareza e objetividade

Como redigir bons bilhetes para se comunicar com os familiares dos alunos

Beatriz Santomauro

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Papéis bem definidos

Ter noção do que é responsabilidade da escola também é essencial. O que adianta queixar-se aos pais do aluno que não fica sentado durante a aula? Cabe ao professor resolver situações como essa. "É o mesmo que a família reclamar na escola que o filho não quer tomar banho", exemplifica Sonia.

Vale reforçar: o estudante precisa ser chamado para discutir a situação antes de o aviso ser enviado aos pais. Quando a criança não faz as lições de casa, por exemplo, é papel do educador conversar com ela, mostrando que essa é uma responsabilidade dela. Nesse momento, ele tem de estar pronto para ouvir as explicações. Se depois desse encontro o aluno continuar demonstrando que não consegue se organizar, é momento de os adultos intervirem para ajudá-lo. Juntos, todos podem pensar em que momento e local a lição será realizada e conferir as atividades realizadas. "É dever dos pais dar o apoio necessário ao filho em casa", diz a coordenadora.

Se o estudante é quem vai levar o bilhete aos pais, ele deve conhecer seu conteúdo. "Ele é um sujeito, e não apenas o portador de um papel. Tem de ser respeitado e informado a respeito do que é falado sobre ele", explica Sonia. "É necessário ter cuidado com o que se diz e como se diz e precisamos estar atentos para não passar uma mensagem errada por falta de clareza ou de precisão no bilhete", completa.

Sandra também constatou durante a pesquisa que na maioria das vezes a reação dos pais diante dos bilhetes é punir os filhos. Contudo, essa forma de comunicação não deve ser utilizada para realizar ameaças. A atitude correta é abrir o diálogo e não cobrar a família. Uma mensagem eficiente demonstra que a criança está sendo vista pela escola, que deseja a melhoria do seu desempenho.

Em muitos casos, os estudantes cujos pais recebem bilhetes deixam de repetir a ação criticada por medo de serem novamente reprimidos e não porque entenderam a importância de mudar de comportamento. Por isso, com o passar do tempo, eles voltam a se envolver em conflitos. Isso demonstra que a intenção inicial da escola - de procurar a parceria com as famílias para evitar que o problema se repita - não está sendo alcançada. Mas, se for bem conduzido, o esforço contribuirá para que no futuro a criança decida seus atos com mais autonomia, passando a regular suas próprias ações. 

Transferência de responsabilidade. Ilustração Melissa Lagôa

Transferência de responsabilidade
O professor parece se referir a um conflito entre pares, mas o real enfoque está no fato de isso atrapalhar a aula. Além disso, não é identificada nenhuma preocupação com as atitudes ou o conflito em si. Ele não resolve o caso e tenta transferir o problema para os pais.

Na medida certa. Ilustração Melissa Lagôa

Na medida certa
A mensagem é direcionada à pessoa responsável pela Educação da criança (Roberto). O texto introduz o problema, relata o que já foi feito para amenizar a situação e propõe um encontro. Ao antecipar o assunto, evita que os pais se preocupem.

 

*A escrita original dos bilhetes foi rspeitada e os nomes foram trocados para preservar a identidade das pessoas

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Publicado em NOVA ESCOLA Edição 251, Abril 2012. Título original: Prezado(a) senhor(a),
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