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Vitamine sua turma com os clássicos

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Objetivos
Apontar a presença e o uso da ironia na linguagem jornalística, discutir a necessidade da formação do leitor e da leitura dos clássicos

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Reportagem da Veja:

Introdução
Reportagens têm sempre um lead, uma abertura que resume a idéia central desenvolvida no texto, certo? Em termos. Algumas, ricas e complexas, dispõem seus argumentos em camadas e conduzem o leitor além da idéia central, através desses níveis sucessivos. "Como ganhar verniz", por exemplo, promete ao leitor ajudá-lo a sobressair no trabalho ou nas reuniões sociais graças a citações estratégicas, feitas no momento certo. Mas aos poucos revela outros segredos e apresenta o leitor a livros fortes e "maravilhosamente bem escritos". E no parágrafo final: surpresa! Depois de ler os 14 livros propostos, "para fazer citações", o leitor terá lido mais que as pessoas ao seu redor e deixado para trás "a fase do verniz cultural". É como se os jornalistas pregassem uma peça no leitor.

ESTRATÉGIAS DE TRABALHO
Apresente aos alunos o conceito de ironia - Eiróneia, em grego, quer dizer interrogação. É uma forma profunda de questionamento da realidade, pois consiste em afirmar algo pretendendo que o interlocutor entenda o oposto do que se afirma. Lembre-lhes que eles fazem isso quando fingem interesse por algo, mas na verdade estão "tirando um sarro". Explique que a ironia é um meio de levar a pessoa a pensar mais seriamente sobre o próprio modo de vida e os próprios valores, uma forma capaz de corroer os conceitos e preconceitos do dia-a-dia - o que é sempre um processo criativo, embora muitas vezes dolorido. Comente com eles a presença da ironia não só na linguagem coloquial, mas também nos textos jornalísticos e literários. A seguir, leia com eles a reportagem e proponha-lhes a pergunta: os autores estão sendo irônicos?

Mostre a eles que sim, "Como ganhar verniz" é um texto articulado sobre a ironia. Isso fica evidente a todo instante: "Para igualar-se àquele colega carreirista que (...) não pára de citar Machado de Assis e outros autores, não é preciso tanta leitura assim." ou "Se ele perguntar se Pasárgada é o nome de uma nova boate, talvez seja o caso de mudar mesmo de emprego." No primeiro exemplo, o tom irônico surge na "praticidade" com que se pode lidar com a literatura; no segundo, na constatação de que a ignorância literária é generalizada. O ponto crucial do texto de VEJA é o último parágrafo. Nele, os autores explicitam o que pensam sobre a diferença entre ler para adquirir verniz cultural e ler por prazer e para adquirir cultura. Segundo eles, "na vida profissional ou social, não há muito diferença entre uma coisa e outra" - ou seja, a comédia da vida humana e social costuma nivelar por baixo as pessoas, satisfazendo-se com superficialidade e lugares-comuns. É na intimidade que os clássicos deixam de ser úteis como instrumento de brilho e ascensão, para se tornar fonte de prazer.

Um leitor ao longo da vida
Proponha aos alunos a questão: é realmente útil ler? Mais particularmente, é útil ler os chamados clássicos? Explique a eles que o texto "Como ganhar verniz" é, no fundo, uma forma de questionar a noção de "utilidade" que costumamos impor ao que fazemos. Ler um bom livro é antes de mais nada prazer, fruição, e não uma tarefa. Pergunte-lhes qual a "utilidade" de se ver um jogo de futebol ou um bom filme. Procure mostrar a eles que a leitura é um processo contínuo de aprimoramento intelectual e de investigação da realidade e da vida dos homens sobre a Terra. Assim sendo, deve-se formar dentro de cada um de nós um leitor ao longo da vida. Esse leitor terá gosto cada vez mais apurado a cada leitura feita de maneira apropriada. Ler de maneira apropriada significa ser capaz de avaliar o grau de realização da linguagem literária e absorver satisfatória e criticamente o que diz a obra. Em outras palavras, um bom texto literário exprime de maneira exemplarmente feliz algo importante sobre a experiência humana. Um bom leitor percebe e frui essas características. Por isso, não tente convencer seus alunos de que Machado de Assis é "melhor" do que um autor de best-seller. Com o tempo, se não deixarem de ler, eles serão mais exigentes e perceberão por si mesmos que um best-seller não apresenta qualidades comparáveis às dos clássicos em termos de linguagem ou de conteúdo - as experiências e emoções humanas. Os clássicos são chamados assim porque atingem essa harmonia entre forma e conteúdo. Eles dizem coisas de importância fundamental sobre nós, seres humanos, de maneira particularmente bem-feita. Ao fazer isso, tornam-se leituras prazerosas. Os leitores voltam a eles sempre que possível e nunca deixam de descobrir novas nuanças de beleza e magia verbais.

Mas é inegável que a fruição apropriada de um texto desses requer um leitor preparado. Esse deve ser o objetivo fundamental dos estudos literários em sala de aula: formar bons leitores de textos literários, que são cheios de especificidade em relação aos demais textos com que os alunos interagem. Isso exige que os estudantes tenham tempo para desenvolver a leitura profunda e reflexiva dos textos ao longo de todo o Ensino Médio, desenvolvendo o leitor que têm dentro de si, sem ter de se entregar à leitura frenética e desesperada de resumos de obras, às vésperas do vestibular.

O escritor italiano Ítalo Calvino observa que os jovens devem ter o direito de aproximar-se dos clássicos aparelhados a fazer essa sua primeira leitura de forma a poder saborear o texto que têm diante de si. E atingir esse ponto requer um percurso. Uma sugestão: começar pelos clássicos da literatura infantil, passar pelos clássicos de aventuras da adolescência (coisas deliciosas como A Ilha do Tesouro, O Conde de Monte Cristo, O Máscara de Ferro - comente com os alunos como muitas dessas obras viraram bons filmes) e chegar aos clássicos "adultos". Ao conhecê-los, o indivíduo penetra um mundo riquíssimo em prazer estético e intelectual, aprimora seu senso de humanidade, adquire novos instrumentos de expressão. Deixa de ter apenas verniz cultural e passa a ter cerne - o que talvez não seja útil, mas é recompensador quando pensamos que o ser humano não é só o animal que acumula riqueza, mas também o animal que pensa, questiona, faz arte.

Atividades
1. Peça aos alunos que pesquisem em jornais e revistas textos jornalísticos e publicitários em que surja a ironia. Os textos coletados devem ser comentados em sala de aula - com ênfase no papel desempenhado pelo ironia - e expostos em murais.

2. Leve para a sala de aula alguns poemas básicos. "Vou-me Embora pra Pasárgada", de Manuel Bandeira; "José", de Carlos Drummond de Andrade ou "Amor é Fogo que Arde sem se Ver", de Camões. Faça-os ler e reler os textos escolhidos em voz alta para que percebem o tecido sonoro. Faça-os pensar em situações de vida que possam ser "traduzidas" pelos textos. Mostre-se como leitor em formação e fale a eles de sua experiência, da forma como os bons poemas e as boas histórias passaram a fazer parte de suas vidas. 

Veja também:

Bibliografia
Por que ler os clássicos
, Ítalo Calvino, Cia. das Letras, fone: (11) 3707-3500

 

 

Consultoria Ulisses Infante
Autor de livros didáticos para o Ensino Médio

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