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Plano de Aula

The Translation on the table - ou não

Planeta Sustentável

Conteúdo relacionado

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Objetivos
Compreender a importância do título numa obra e as dificuldades de transpor expressões de uma língua para outra

Introdução
Uma brincadeira comum aos adolescentes quando dão seus primeiros passos numa língua estrangeira é tentar traduzir expressões idiomáticas bem brasileiras. Pérolas como "the cow went to the swamp", "you can come hot ‘cause I’m boiling" e "to blow up the ballon’s mouth" fazem a alegria da moçada. Outra diversão é pegar os títulos originais de filmes e comparar com a tradução feita para serem veiculados no Brasil. Não faltam exemplos de barbaridades e versões incompreensíveis. VEJA desta semana destaca que, pela primeira vez na longa série (22 filmes oficiais) do espião criado pelo britânico Ian Flemming, não haverá um título em português para a obra, que manterá o original 007 - Quantum of Solace. A análise do motivo vai render animadas discussões em sala de aula.

Atividades
1ª aula - Lembre aos alunos que toda produção precisa de um título, desde a mais singela redação até um blockbuster que recebeu milhões de dólares em investimentos de filmagem e divulgação. O título tem força representativa de "dizer" algo à obra, sugerir, motivar, envolver elementos que possibilitam uma interpretação. É um item que engendra outra estrutura por meio de idéias e conceitos que se coadunam em direção a um significado. É marca definidora de caminhos interpretativos, potencializando ainda mais as semioses entre palavra, sonoridade e obra. É um recurso lingüístico, mas, ao entrar em contato com a produção que nomeia, torna-se ele a própria obra, sendo um significante de outro significante. Um exemplo para melhor elucidar a questão é o entendimento entre significado e significante na relação entre o ar (um significante) e brisa (outro significante que se coloca como significado do primeiro). Antes de ser ela mesma, a brisa é o próprio ar.

Vivemos numa sociedade de massas em que o marketing assumiu um papel preponderante como ferramenta de promoção de idéias e produtos (inclusive culturais). Para se ter uma idéia, em média metade do orçamento de um filme americano é destinada a promoção e marketing. São cifras estratosféricas e que provocam enorme pressão por resultados. Um tipo de retorno é a venda de objetos ligados à história. Livros, cartazes, bonecos, camisetas, bonés e um sem-número de artigos precisam ser vendidos para engordar o faturamento e isso está mexendo com a questão da tradução dos títulos. O ursinho que no Brasil tinha sido batizado de Puff precisou reassumir seu nome de batismo, Pooh, por exigência dos americanos. Ao lançarem uma película, eles queriam vender toda uma gama de bugigangas com o mesmo nome do personagem no mundo inteiro. Toy Story também teve a tradução do título vetada, de olho na venda de brinquedos sobre a obra. O clássico Guerra nas Estrelas, de 1977, teve que virar Star Wars por ordem do departamento comercial no fim do século XX, quando três novos filmes da saga intergalática foram lançados.

A lógica é: o título não basta ser bom, ele tem de vender. E, se houver a perspectiva de vender muito globalmente, nada de traduzir. Debata com o grupo a questão de nomear uma obra. Peça que rememorem a dificuldade que tiveram ao escrever redações e eventuais contos, crônicas, poesias etc. Anote no quadro características que a turma considera importantes para um "bom título": sonoridade, concisão, humor...

Solicite que pesquisem títulos originais de filmes e suas traduções e tragam duas listas na aula seguinte: uma com as boas e outra com as ruins.

2ª aula - Cheque as listas da moçada e discuta exemplos de boas traduções. Confira a adequação com as características positivas apontadas na aula anterior. Depois, parta para os exemplos excêntricos. Podem surgir citações a Airplane! (Apertem os Cintos... o Piloto Sumiu!), Tremors (O Ataque dos Vermes Malditos), Scary Movie (Todo Mundo em Pânico) e Teen Wolf (O Garoto do Futuro).

Por fim, questione o que fazer quando o título original apresenta um trocadilho ou uma expressão idiomática não traduzível. Use como exemplo Bee Movie, que em inglês tem a mesma sonoridade de "Filme B" e de "Filme de Abelha". No Brasil, virou Bee Movie - A História de uma Abelha. É o momento de indagar sobre o uso do inglês. O que a turma acha de manter palavras estrangeiras nos títulos? Isso afasta o público que não domina o idioma ou serve como um "toque de sofisticação"? O Musical do Ensino Médio teria o mesmo apelo de High School Musical? Alguém consegue explicar por que Spiderman virou Homem-Aranha, mas Batman não virou Homem-Morcego?

Encomende uma redação individual que leve em conta os vários aspectos discutidos e avise: você vai alimentar uma grande expectativa quanto ao título dos textos...

Para seus alunos

Versões daqui e d’além-mar

Uma curiosidade que, com certeza, vai animar o debate é a comparação entre os títulos adotados no Brasil e em Portugal. Volte à série de filmes de 007, que originou este plano de aula, e peça que a garotada se posicione sobre as traduções: 

tabela de filmes traduzidos

Para descontrair, cite que o clássico Psycho, de Alfred Hitchcock, foi bem traduzido para Psicose no Brasil, mas virou O Filho que Era a Mãe em Portugal — título que simplesmente antecipa o surpreendente final da trama.

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