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Política e cultura: fronteiras
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Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:
Objetivos
Entender em que contexto ocorre ou ocorreu a posse de terras por estrangeiros em alguns países americanos
Introdução
Qual é o limite para a aquisição de terras por parte de estrangeiros? Esse questionamento soa muito atual no Brasil, onde paira a preocupação quanto a uma possível internacionalização da Amazônia. Volte um pouco no tempo e resgate com a moçada acontecimentos que retratam como governos e cidadãos lidaram e lidam com essa questão no Brasil, no Paraguai e nos EUA.

Regresso forçado: além de fazendeiros, pequenos agricultores
brasileiros deixam suas propriedades por causa da pressão
de camponeses sem-terra paraguaios. Foto: Joel Rocha
Atividades
1ª aula Ao contrário do que aconteceu no século XX, quando as relações Brasil-Paraguai foram tranqüilas, o século XIX foi marcado pela Guerra do Paraguai (1864-1870), iniciada com a invasão do Rio Grande do Sul e de Mato Grosso por tropas paraguaias e com a detenção do navio brasileiro Marquês de Olinda que navegava pelo Rio Paraguai. O enorme custo da guerra e, principalmente, as perdas humanas transformaram esse conflito no maior da história da América do Sul independente, tanto pela longevidade quanto pelo número de combatentes.
Atualmente, outra situação abala a boa vizinhança desses dois países. Nos últimos quarenta anos, agricultores brasileiros emigraram para o Paraguai. Lá, compraram terras e passaram a cultivar diversos produtos, especialmente soja tanto que o país se transformou em um grande exportador mundial do produto. A participação dos agricultores brasileiros diversificou a economia e desenvolveu o setor primário, em um país estigmatizado pela venda de mercadorias contrabandeadas para o Brasil e pela falsificação de marcas de produtos, como roupas e bebidas.
A modernização do campo gerou oposição de camponeses sem-terra e também de movimentos e partidos políticos de esquerda. Além de denúncias e protestos, essas organizações começaram a invasão de terras desses brasileiros muitos, inclusive, naturalizados paraguaios ou com filhos nascidos naquele país. A situação ficou mais complicada após a recente eleição de Fernando Lugo, pois o novo presidente fez uma série de promessas aos sem-terra.
A tensão não pára de crescer. Diversas fazendas de brasiguaios foram invadidas, algumas continuam ocupadas e em outras a desocupação ocasionou conflitos com forças policiais. Pior: mais fazendas estão ameaçadas de ser ocupadas e os proprietários prometem resistir.
Proponha aos alunos uma pesquisa sobre como surgiram os chamados brasiguaios, de que regiões ou estados brasileiros eles partiram (e por quais razões), como compraram terras no Paraguai, como era o regime político naquela nação quando da chegada das primeiras levas de imigrantes e quais os principais problemas da atualidade envolvendo os brasiguaios e o novo governo do país vizinho.
2ª aula Durante a ditadura militar, muitas empresas estrangeiras compraram terras na Amazônia e criaram imensos latifúndios na região, justamente quando o regime iniciava a ocupação mais efetiva do Norte da nação sob o lema: Integrar para não entregar. Mas a presença de multinacionais na Amazônia não era nova. No fim da década de 1920, a história de fracasso de Fordlândia começou a ser escrita. Nessa gleba de terra, o americano Henry Ford tentou produzir látex em escala industrial, principal matéria-prima para a borracha usada nos pneus de seus carros.

Quase Glória: funcionários exibem foto de Henry Ford em Fordlândia,
o vilarejo esquecido na Amazônia
Décadas depois, o Projeto Jari, do milionário americano Daniel Ludwig, foi alvo de grande campanha nacionalista radical. O governo militar foi acusado pela oposição de ser conivente com a situação que levaria à desnacionalização da Amazônia. Surgiram vários movimentos de denúncia que atacavam as metas econômicas do projeto e os problemas ambientais, trabalhistas e sociais existentes (ou supostamente existentes) na área do projeto. Apesar da verdadeira fortuna investida, o Jari acabou sendo um retumbante fracasso.

Investimento fracassado: duas grandes plataformas foram fabricadas no
Japão e levadas até a Amazônia para abrigar as atividades do Projeto Jari.
Foto: IHI
Proponha que os estudantes pesquisem o primeiro momento da presença de empresas estrangeiras na região e que pode ser simbolizado pela Fordlândia. Em uma segunda etapa, indique uma pesquisa sobre o Jari para apontar os fundamentos do empreendimento, sua localização, as causas do fracasso e as condições em que vive hoje a população local. É importante complementar a análise com imagens que devem ser exibidas para a sala.
Após as exposições, abra uma discussão sobre a presença de empresas estrangeiras na Amazônia. Encerrada esta etapa, peça uma redação individual para que os jovens defendam uma postura a respeito do tema trabalhado.
3ª aula Um terceiro contexto a ser explorado data de 1850, quando o governo imperial promulgou a Lei de Terras. A aquisição de terras públicas deveria ocorrer somente por meio da compra. Nos Estados Unidos, em 1862, foi decretado o Homestead Act que doava terras públicas a todos os que desejassem ocupá-las. Diante dessas duas realidades, convide a turma a delinear o Brasil de 1850 (quanto às suas características econômicas, sociais e políticas). Peça ainda uma pesquisa sobre a Lei de Terras. Vale igualmente buscar dados sobre os Estados Unidos em 1862, nos mesmos termos do levantamento a ser feito sobre o Brasil. É importante que todos leiam a lei americana.
Sugira a confecção de um quadro sinóptico com os principais pontos das duas leis. Após a identificação das distintas situações econômicas, sociais e políticas, abra uma discussão sobre as diferenças e as similaridades entre os dois países e as possíveis conseqüências históricas desses fatos para o desenvolvimento posterior de um e de outro.
Quer saber mais?
INTERNET
O site Web História disponibiliza o texto da Lei de Terras
O site Class Brain tem o texto do Homestead Act (em inglês)
Consultoria: Atividade desenvolvida por Marco Antonio Villa
Professor de História da Universidade Federal de São Carlos, SP