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Religiosidade popular no Brasil colonial

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Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Objetivos
Identificar manifestações da religiosidade popular nos primeiros séculos da história brasileira;
Entender os laços entre política e religião no período colonial.

Conteúdo
Religiosidade popular no Brasil colonial.

Tempo estimado
Duas aulas.

Introdução
A reportagem de VEJA sobre os problemas para a regularização de terras doadas no passado a santos católicos aponta para a forte presença da religiosidade no Brasil colonial. Explore esse tema com os alunos.

Desenvolvimento

1ª aula
Proponha a leitura da reportagem Terra para o santo, publicada em VEJA. Em seguida, coloque em discussão a relação entre religião e política no Brasil colonial.

Comece examinando com a turma o processo de ocupação da América Portuguesa. Aproveite os textos abaixo para uma aula expositiva sobre o tema.

Ocupação da América Portuguesa

Na época da colonização, o ponto de partida para a ocupação de um território era o estabelecimento de um punhado de pessoas em um trecho aparentemente promissor - podia ser um lugar próximo a um rio ou em uma elevação, um local que contasse com terras férteis ou riquezas minerais, entre outros fatores. Ali se formava um arraial e logo se erguia uma capela.

Muitos desses arraiais desapareciam com a mesma rapidez com que se formavam. Outros davam origem a povoados, que podiam ser elevados à condição de freguesia e, depois, ao status de vila - o que acarretava boa dose de autonomia.

Em geral, as vilas já consolidadas enviavam representantes para tomar posse dos arraiais próximos, ampliando seus domínios. Desse modo, a vila aumentavam sua arrecadação e ganhavam homens para a defesa.

Para que a turma entenda a dimensão das vilas coloniais, conte que as terras da Vila de Jundiaí, por exemplo, estenderam-se em direção ao nordeste paulista, até os atuais municípios de São José do Rio Pardo e Mococa. Peça que os estudantes verifiquem em um mapa a distância entre Jundiaí e as duas cidades. Isso vai mostrar à classe que muitas vilas eram uma espécie de "supermunicípios", que abrangiam muitos municípios da atualidade.

Mostre à classe, então, o papel da religião no estabelecimento dos laços de poder. Aproveite o texto abaixo para a explicação.

Paróquia e freguesia

Os termos "freguesia" e "paróquia" têm sentido similar. Eles se referem, em princípio, ao mesmo núcleo. O primeiro, no entanto, pertence à esfera política e administrativa, enquanto o segundo, à religiosa. Uma freguesia faz parte de determinada vila, enquanto a paróquia está integrada à estrutura administrativa religiosa. Pertencente a uma diocese ou bispado, a paróquia abriga necessariamente uma igreja onde o pároco reza missas e transmite os sacramentos aos fiéis. Ali também se realizam procissões e festas religiosas em louvor do padroeiro.

A existência de diversas paróquias no Brasil é uma evidência da forte religiosidade que marca o período colonial - e também dos laços entre as estruturas políticas e religiosas da colonização. Os poderosos locais, interessados na elevação do povoado à condição de freguesia - e, posteriormente, de vila -, financiavam a construção e manutenção da igreja paroquial e, em muitos casos, a subsistência do pároco.

Desse modo, como informa a reportagem de VEJA, "valorizavam suas terras e desenvolviam a região". A doação de glebas ao patrimônio de um santo era mais uma manifestação dos laços entre as elites rurais - com seus interesses políticos e econômicos - e as estruturas materiais e simbólicas do catolicismo. No imaginário popular, enriquecer os santos era um meio de assegurar proteção diante de eventuais rebeliões de escravos ou ataques de indígenas e soldados estrangeiros.

Terminada a explicação, peça que os alunos resumam oralmente os conteúdos discutidos.

2ª aula
Retome o conteúdo da aula anterior com os alunos e proponha que aprofundem a discussão sobre o papel da religião no imaginário brasileiro.

Para tanto, comece falando sobre um episódio anterior à colonização do Brasil: a ruptura pública de Martinho Lutero com o papado - ocorrida em 1517. Explique que, a partir daí, a hostilidade às imagens sacras caracterizou os adeptos da Reforma, enquanto os católicos tornaram ainda mais ostensiva sua devoção aos santos, afirmando sua identidade cultural em oposição aos protestantes.

Peça que a turma procure, na reportagem de VEJA, algumas passagens típicas da religiosidade dos primeiros séculos da história brasileira. Dê um tempo para que realizem a atividade e, em seguida, proponha que socializem as descobertas.

A turma deve perceber que a devoção aos santos católicos ganhou força no Brasil colonial. Um exemplo é a escolha de Santo Antônio como patrono do exército. Explique aos estudantes que o santo aparece como adversário dos protestantes - e protetor dos católicos - em diversos episódios da história. No livro Breviário da Bahia, o historiador Afrânio Peixoto (1876-1947) conta que os huguenotes (calvinistas franceses) foram expulsos do Rio de Janeiro e seguiram até a África, onde se apoderaram de uma imagem de Santo Antônio. Diz a lenda que a frota huguenote foi destruída por uma tempestade, mas a imagem chegou intacta às praias da Bahia. Em 1595, Santo Antônio tornou-se protetor da cidade de Salvador.

Conte que o santo ingressou no exército, na Bahia, no posto de soldado raso. Fez rápida carreira: até o final do século 17, recebeu dezenas de promoções, em diversas capitanias, auxiliando os luso-brasileiros na luta contra os holandeses, contra os castelhanos, e também apoiando as tropas que investiram contra o Quilombo dos Palmares e outros redutos de ex-escravos. É por isso que o historiador Luiz Mott chama Santo Antônio de "divino capitão-do-mato". Mostre aos alunos uma quadra popular bastante conhecida na época:

"Santo Antônio de Lisboa
não quer que o chamem de santo,
quer que lhe chamem soldado,
general, mestre de campo".

Pergunte à turma se a associação entre santos e exércitos se limita a Santo Antônio. Proponha que os estudantes façam uma pesquisa sobre lendas associadas a São Sebastião e Santiago de Compostela.

Os alunos devem descobrir que há relatos de que o primeiro lutou ao lado dos portugueses na expulsão dos franceses do Rio de Janeiro. Santiago, por sua vez, teria liderado as campanhas da Reconquista da península Ibérica contra os árabes, a ponto de tornar-se conhecido como "Santiago Matamoros". Além de protetor dos exércitos castelhanos, Santiago foi patrono das tropas portuguesas até o século 14, quando os conflitos entre Castela e Portugal levaram os lusos a escolher outro comandante divino: São Jorge.

Chame a atenção da moçada para outro aspecto característico da religiosidade popular: a convivência diária com o milagre. Além da intervenção das entidades celestes nos combates, é comum encontrar relatos sobre imagens que sangravam quando golpeadas pelos holandeses e outros "hereges" - e lendas de santos protegiam diretamente seus devotos contra doenças e perigos e recebiam crédito por isso.

Terminada a explicação, faça uma síntese do conteúdo discutido com a classe. Proponha que os alunos descrevam com suas palavras os laços entre as estruturas políticas e religiosas no Brasil colonial. Eles devem perceber que a religião ajudava a manter a ordem econômica e social da época. Outro aspecto que deve ser percebido, típico da religiosidade popular da época, é a intervenção constante das entidades sobrenaturais no cotidiano de uma população cuja sobrevivência dependia em muitos casos da boa vontade dos poderosos.

Avaliação
Aproveite a explanação final dos alunos para certificar-se de que eles entenderam os fortes laços entre as estruturas religiosas e políticas no período colonial brasileiro.

Consultoria Carlos Eduardo Matos
jornalista e editor de livros didáticos e paradidáticos

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