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A relação entre História e Arte

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Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Objetivos
Perceber os laços entre os processos históricos e sociais de um período e as produções artísticas a ele associados

Conteúdos
História da Arte e História Social

Tempo estimado
Duas aulas

Introdução

A resenha do livro A Arte Moderna na Europa, do historiador da arte italiano Giulio Carlo Argan, publicada em VEJA, destaca um dos pontos centrais do pensamento do autor: os laços entre a produção artística e os processos socioeconômicos de uma época. O aspecto é questionado por algumas correntes do chamado pós-modernismo, mas sem dúvida, como informa a revista, dominou o ambiente em que a modernidade se forjou. Explore com os estudantes toda a riqueza dessa associação entre Arte e História.

Atividades

1ª aula
Comece a aula perguntando aos alunos se existe relação entre a produção artística e os acontecimentos de uma época. Ouça as respostas e peça que a turma examine algumas obras de arte.

Comece mostrando obras de Jean-Baptiste Debret (1768-1848), que registrou uma infinidade de aspectos da realidade brasileira na época de D. João VI e D. Pedro I (veja indicações imagens ao final deste plano). Pergunte aos alunos quais características do Brasil da época podem ser identificadas nas imagens. Chame a atenção para as diferentes cenas referentes ao escravismo. O artista retrata os feitores castigando fisicamente os cativos. Em outra obra de Debret, se vê um casal sentado à mesa enquanto crianças nuas, filhas de escravos, circulam pelo aposento. Há, ainda, um retrato e um mercado onde escravos eram vendidos. Conclua com a moçada que o artista consegue mostrar ao expectador que o escravismo não se limitava às grandes fazendas de café, cana-de-açúcar ou outros produtos de exportação, mas estava difundido por toda a sociedade brasileira.

Em seguida, peça que os alunos comparem o quadro Napoleão cruzando os Alpes, de Jacques-Louis David (1748-1825) - que mostra Bonaparte sobre um fogoso cavalo empinado - e a tela Bonaparte cruzando os Alpes, de Paul Delaroche (1797-1856) - que representa o general montado numa mula, animal muito mais adequado para a travessia das perigosas passagens alpinas. Pergunte aos alunos qual era a intenção de cada artista ao retratar a cena. A turma deve perceber que existem algumas armadilhas na iconografia. Além de representar fatos e modos de vida, a Arte retrata pontos de vista e interesses de determinadas camadas da população de sua época. Isso obriga o historiador a consultar o máximo de fontes possível e filtrar as informações que cada uma delas contém para se aproximar de uma descrição precisa dos fatos.

Para finalizar a aula, apresente à classe outros exemplos, como o quadro O grito do Ipiranga (óleo sobre tela, 1888), de Pedro Américo (1843-1905). A obra se aproxima da abordagem heroica de David, descartando a realidade prosaica de uma viagem em lombo de burro do Rio de Janeiro a São Paulo.

2ª aula

Comece a aula pedindo que os alunos leiam a reportagem "A reinvenção do belo", publicada em VEJA, e expliquem qual é a opinião de Giulio Argan sobre a relação entre a produção artística de uma época e os processos socioeconômicos associados a ela. Ouça as respostas e explique que a visão do escritor reflete uma abordagem marxista, na qual se vinculam as relações de produção de determinado período histórico aos os aspectos da superestrutura - a arte, a religião e outros elementos culturais.

Em seguida, chame a atenção da moçada para o trecho do texto em que o autor enfatiza as mudanças que a Revolução Industrial trouxe à produção artística. Discuta com os alunos a relação entre Arte e artista antes e depois da Revolução. Forneça algumas informações para embasar o debate (saiba mais no texto abaixo).

Texto de apoio ao professor

Durante o Renascimento, muitos pintores ou escultores se viam como artesãos. O trabalho deles era encomendado por representantes da nobreza - príncipes, papas, cardeais, reis, duques etc. - e grandes burgueses. Ficava claro para o artista a qual público cada quadro ou escultura se destinava e quais expectativas deveriam ser atendidas.

Com a Revolução Industrial, a difusão do capitalismo e a ascensão da burguesia, o artista se tornou senhor de seu projeto criativo. Essa ruptura engendrou uma verdadeira reinvenção da Arte. Saiu de cena o artista-artesão, que tinha plena consciência de quem adquiria suas produções, e surgiu o artista solitário do Romantismo, que produzia para uma entidade abstrata: o mercado. Nas palavras do filósofo alemão Walter Benjamin (1892-1940), "[...] a intelectualidade parte para o mercado. Pensa que é para dar uma olhada nele; na verdade, porém, já para encontrar um comprador".

 

Entendidas as mudanças advindas da Revolução Industrial, pergunte aos alunos o que muda no trabalho do artista a partir do momento em que ele passa a produzir para o mercado. Para ajudar na reflexão, apresente a frase do alemão Karl Marx (1818-1883), em que ele afirma que "os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem arbitrariamente, nas condições escolhidas por eles, mas sim nas condições diretamente determinadas ou herdadas do passado".

Termine a aula perguntando à turma se, atualmente, o artista goza de um grau de liberdade maior em suas produções, ou se o trabalho também está pautado pela realidade e pela História que o cerca? Coloque essa ideia em discussão e peça que os alunos exponham seus pontos de vista e argumentem.

Avaliação
Observe se a turma entendeu que existe uma relação direta entre Arte e História, em que uma área influencia e é, ao mesmo tempo, influenciada pela outra. Perceba se ficou claro para os alunos os objetivos do artista ao retratar um fato histórico e a questão dos pontos de vista e interesses diversos.

Consultoria Carlos Eduardo Matos
jornalista e editor de livros didáticos e paradidáticos

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