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Plano de Aula

Quando já podeis vira "japoneis"

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Reportagem de Veja

 Objetivos
Exercitar a interpretação de textos e explicar aos alunos quais os conceitos de uma crônica

Introdução
Pobre dom Pedro I. O pomposo verso de abertura do Hino da Independência, composto pelo imperador brasileiro no século XVIII, há tempos foi distorcido e ironizado na versão popular. Nesta edição de VEJA, Millôr Fernandes se apropria do "japonês da pátria filho" e aproveita para espicaçar o amor à terra natal. Explore o decálogo do autoproclamado "maior pensador do Meyer", mostrando aos jovens que o texto reúne citações, metáforas, antítese, neologismo e outros recursos lingüísticos para formar uma divertida crônica política.

Atividades
1ª aula - Promova a leitura do texto. Os alunos sabem dizer a que gênero literário ou jornalístico ele pertence? Ouça os comentários e pergunte se o decálogo organizado pelo autor pode ser considerado uma crônica. A resposta é sim. Enumere as razões.
• Trata-se de um relato breve.
• Gira em torno de um assunto único.
• A temática é atual (chame a atenção para a palavra candidatos, uma referência aos postulantes a cargos eletivos no próximo pleito).
• O discurso é elaborado na ordem direta.
• Vale-se de graça, humor e sentimentalismo - ainda que esse último seja trabalhado às avessas.
• Apresenta uma conclusão.
• Emprega vocabulário simples e, portanto, privilegia a compreensão sobre a erudição.
• Menciona frases de terceiros para agregar valor (as pessoas sempre se impressionam com citações).

De onde foi tirado o título que encabeça a página? Os estudantes provavelmente sabem. Peça que cantem uma parte do Hino da Independência e a respectiva paródia - a estrofe inicial das duas já basta. Compare-as e ressalte quanto as letras se parecem sob o aspecto da sonoridade. Informe que a troca do "já podeis" pelo "japonês" (muitas vezes transformado em "japoneis", em decorrência de hábitos culturais), que obedece ao critério da similaridade fônica, é um sintoma do divórcio entre a norma urbana culta da língua e sua vertente popular.

Essa tendência de escarnecer o que não se conhece já era observada, por exemplo, nos serviçais de origem humilde que atendiam à corte portuguesa instalada no Brasil - numa época em que os nobres e seus convivas expressavam-se preferencialmente em francês.

Lembre que uma das marcas registradas de Millôr é o uso de neologismos. Quem consegue identificar no texto um ou mais vocábulos que não pertencem ao léxico da língua portuguesa? Mostre que "xenofobista" se enquadra nesse padrão. Com o auxílio de um bom dicionário, os alunos devem tentar descobrir, por analogia com verbetes semelhantes, o significado da palavra criada pelo humorista. Se alguém estranhar a sigla INPS, conte que ela diz respeito ao extinto Instituto Nacional de Previdência Social, que deu lugar ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

2ª aula - Organize a classe em cinco grupos e sorteie duas das citações listadas por VEJA para cada um pesquisar na internet. Sugira que as equipes investiguem quem são - ou foram - os autores das frases sobre patriotismo. Eles merecem crédito? Por quê?

É casual a rima patriota/idiota grafada por John Dryden, do item II? O título em destaque, Absalom e Architophel, remete a que tipo de obra?

O grupo encarregado de averiguar o item VII deve checar se o projeto de lei do deputado Rafael de Carvalho foi aprovado pela Câmara. Qual parece ter sido a intenção do parlamentar ao propor a condenação dos mártires da liberdade? A que partido ele pertencia?

A equipe destacada para estudar o item VIII não encontrará na biografia do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a assertiva atribuída a ele. Se a busca na web for feita por meio de palavras-chave, a moçada terá grande probabilidade de descobrir que uma afirmação quase igual foi proferida em 1961 pelo então presidente americano John Fitzgerald Kennedy, em seu discurso de posse: "Não pergunte o que seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer por seu país".

Por que, na opinião da turma, Millôr provoca FHC dessa maneira? Explique que, no caso, houve o rompimento da isotopia do discurso em favor do objetivo de divertir o leitor. E qual é o intuito da comparação entre as iniciais do ex-chefe de Estado e a sigla PhD (Philosophiæ Doctor)?

Aponte a relação explícita que une os itens IX e X. O articulista de VEJA cria, na segunda frase, uma metáfora com a presença do elemento comparativo - ou seja, a citação de Samuel Johnson. Mais que isso, o autor estabelece um falso dilema à moda aristotélica.

Coordene a análise da conclusão final. O amor à nossa "estremecida Pátria" ensinado desde o berço é a única alternativa à emigração?

3ª aula - Que tal desafiar a turma a interpretar o texto que leu? Distribua as cadeiras de modo que desenhem dois círculos, um dentro do outro. Na roda interna ficarão dez alunos, ou duplas deles - o importante é que formem dez núcleos do que você vai chamar de grupo de verbalização. Na roda externa serão colocados outros dez núcleos - o grupo de observação. Atribua a cada um dos núcleos do primeiro grupo a responsabilidade de defender as idéias contidas numa das citações, independentemente de concordarem com elas. Quando Cúrcio Romanneti afirma tremer ao ouvir que Deus é justo, devemos supor que ele blasfema? Que conexão esse personagem tenta criar entre a pátria e o Todo-Poderoso?

E Lao-Tsé insinua que o patriotismo levaria um país ao esfacelamento - ou esse fanatismo nacional seria justamente uma conseqüência das disputas internas?
Por que George Bernard Shaw opõe o patriotismo à paz mundial?

Como diferenciar o sentimento humano e a doutrina de que fala Leon Tolstoi? O que há de nocivo em ambos?

Verissimo sustenta que não existem patriotas em filas do deficiente serviço de saúde mantido pelo governo federal. Onde está essa gente ufanista, afinal?

Que argumentos um deputado deveria usar, hoje, para convencer os demais parlamentares a aprovar um projeto de lei contra os "pais da pátria" e "defensores das liberdades públicas"?

O que a pátria pode fazer por Fernando Henrique Cardoso? Como os canalhas podem se refugiar no patriotismo, como diz Johnson? Por que a pátria dá guarida aos canalhas?

O grupo que ocupa o círculo externo deve, num primeiro momento, escutar com atenção as defesas de tese dos colegas - e, se possível, anotá-las. Concluída essa etapa, caberá a eles apresentar as antíteses. Você, professor, vai mediar essa discussão acalorada.

Para finalizar, pergunte qual a função do cartum que encerra a página de VEJA. Ele dialoga com o restante do texto? Peça comentários.

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
O Melhor do Mau Humor, Ruy Castro, Companhia das Letras, tel. (11) 3707-3500
Dicionário Universal de Citações, Paulo Rónai, Ed. Nova Fronteira, tel. (21) 2131-1111 

Consultor Ângelo Masson Neto
Professor de Linguistica das Faculdades Integradas Alcântara Machado (Fiam), de São Paulo

Ellen Araujo Nunes - Postado em 16/08/2009 18:23:37

EXTREMAMENTE DECEPCIONADA COM A ATITUDE DA REVISTA ESCOLA EM PUBLICAR UM MATERIAL TÃO OFENSIVO AO PRÓPRIO PAÍS. QUE OS ALUNOS BRASILEIROS SINTAM ORGULHO DE CANTAR O HINO DA INDEPENDÊNCIA. DESDE QUANDO DESRESPEITAR UM SÍMBOLO CÍVICO É LEGAL, DO PONTO DE VISTA JURÍDICO? PÉSSIMO EXEMPLO O DE VOCÊS...

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