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Primavera árabe: o movimento que derrubou a ditadura no Egito

VEJA na Sala de Aula

 

Explique para turma as causas e consequências da onda de movimentos populares que levou ao declínio diversos regimes tradicionais de governo nos países árabes

 

primavera arabe




Objetivos
Compreender e discutir as consequências da Primavera árabe

Conteúdos
Países árabes
Primavera árabe

Anos
Ensino Médio

Material necessário
- Cópias da reportagem de Veja "No berço da primavera árabe", publicada em 21 de novembro de 2012

Introdução
A denominada Primavera Árabe já ocorre há dois anos. Trata-se de uma onda de movimentos claramente populares que ultrapassaram as forças políticas e religiosas no mundo árabe, e que levou à bancarrota diversos regimes instalados há muito tempo como na Tunísia, no Egito e na Líbia. A onda permanece com força na Síria, e certamente, ameaça outros regimes da região. Algo interessante a se verificar diz respeito às novas realidades existentes onde a Primavera Árabe produziu a mudança de regime. No entanto, a busca de grandes novidades pode frustrar se não houver um entendimento mais aprofundado do que de fato se passa pela região. Precisamos compreender as dificuldades de produzir mudanças consistentes no mundo árabe. As atividades e as reflexões a seguir propõem explorar alguns ângulos específicos dessa região do mundo.

Flexibilização
Para alunos com deficiência intelectual
Se você tiver um aluno com deficiência intelectual na sala a sugestão é que, na primeira etapa, disponibilize ilustrações que evidenciem os costumes destes povos. Fotos que mostrem as roupas, as comidas, as cidades e até as religiões são algumas das possibilidades. Isso pode ajudar toda a turma a compreender que o assunto será uma cultura e um contexto diferentes dos que vivemos.

Desenvolvimento

1ª etapa - Diferenças entre mundo árabe e civilizações ocidentais e o conceito de desenvolvimento
Comece a aula pedindo que os alunos leiam a reportagem e identifiquem os principais pontos de semelhança e diferenças culturais entre árabes e as sociedades ocidentais, com a nossa, por exemplo. Chame a atenção para uma grande diferença entre o mundo árabe o mundo europeu e americano (e agora também de grande da Ásia). No mundo árabe não estão entronizadas a questão do bem estar social, por exemplo, como costumamos ver nas civilizações ocidentais.

 Aproveite o momento e faça uma digressão sobre a palavra "desenvolvimento", geralmente atrelada às definições das sociedades ocidentais. Dizemos que alguns países são mais, outros menos desenvolvidos. Da mesma forma, os governos são vistos como melhores ou piores se são capazes de provocar, facilitar, favorecer o desenvolvimento. No entanto, diga para a classe que as concepções de desenvolvimento são diversas, dependendo de quem a defende. Mas, há algo de comum em todas as concepções (que são ideias, ideologias). O que será? Explique que, desenvolvimento é o entendimento de que é possível, e desejável, visar um futuro novo, não a simples reprodução do presente, idêntico ao existente. Deve-se esperar qualquer coisa de melhor.

2ª etapa: A ideia de "desenvolvimento" no mundo árabe e a orientação geopolítica
Embora o conceito de desenvolvimento tenha se instalado progressivamente no mundo, orientando genericamente as sociedades e até mesmo as vidas individuais, no mundo árabe ele encontra resistência, o que pode parecer aos nossos olhos algo absurdo, mas não é, pois tem explicação histórica. É identificável nos seus próprios termos.


Conte para a turma que os países do mundo árabe não se rebelaram somente porque há monarquias ditatoriais. Há ditadores militares, ditadores civis e falta generalizada de democracia desde longa data. Estão em rebelião porque não há desenvolvimento, por que não há projetos sociais, nem concepção alguma de desenvolvimento arraigada até então, o que não quer dizer que as populações não sentissem necessidade de mudança. Não há essa concepção em especial junto às lideranças políticas e religiosas da região. Mas, se não há orientação em direção ao desenvolvimento, o que organizaria então os governos da região?

O que está no lugar do desenvolvimento (uma lógica anti-desenvolvimento) é a orientação geopolítica de todas as ações governamentais e mesmo as sociais. Essa orientação faz da defesa da expansão territorial, ou da manutenção do território conquistado às duras penas, ou da hostilidade ao inimigo vizinho, ou coisas do gênero um substituto positivo ao desenvolvimento no imaginário social.

Vamos pensar juntos: se os governantes são a encarnação da existência dos países, libertadores dos inimigos e defensores dos países diante dos perigos externo - no caso, o "o mundo ocidental", e se tudo isso é o centro de suas funções não é difícil imaginar eleições, novas propostas, novos programas e coisas do gênero? A missão desses governantes não é fixa, marcada por uma enorme rigidez? Pensem em torno da ideia de desenvolvimento: haverá sempre forças novas, novos programas, concepções conflitantes sobre o futuro, enquanto num mundo sem a ideia de desenvolvimento só faz sentido a manutenção do presente.

O mundo árabe é fortemente marcado pela persistência da geopolítica como orientação central das sociedades nacionais. Segundo o geógrafo Jacques Lévy, as sociedades dos países árabes são fortemente marcadas pela ideia de uma queda histórica causada pelos europeus. Diz ele que essa visão vem desde a conquista e a reconquista da Península Ibérica passando pelas Cruzadas, até a colonização dos séculos 19 e 20. Conte para os alunos que, esta visão conhece uma atualização poderosa com a criação do Estado de Israel e promove um encontro do nacionalismo de Estado (núcleo da geopolítica) e a hostilidade etnorreligiosa. Essa convergência oferece a oportunidade para as lideranças árabes do mundo político, ou do mundo religioso, tirar partido para conservar e estender seu controle sobre a sociedade.

3ª etapa: O nacionalismo calcado na ideia de Estado-nação
Diga para a classe que, para realizar pesquisas e estudos sobre realidades como a do mundo árabe, é preciso um ponto de partida teórico (construído a partir de interpretações de realidades históricas).
E eis algo essencial sobre a dinâmica dessa sociedade e suas posturas dominantes existente. No países árabes, o nacionalismo é totalmente calcado nos Estados-nação, e não em nações reais. Ou seja, nutridos por ideologias anticoloniais e por um radicalismo islamista anti-ocidental, esses países estão sempre procurando novas vias para alcançar uma dignidade geopolítica perante o mundo. A persistência dessa ideologia hostil ao desenvolvimento se alimenta de uma convicção que pode ser vista como um beco sem saída: aceitar o desenvolvimento seria aceitar aquilo que os dominadores dizem ser bom, e isso colocaria em questão uma maneira própria de fazer a sociedade.
Neste caso, não se vislumbra uma visão própria de desenvolvimento, é o desenvolvimento em si que é o inimigo. Desenvolvimento é o inimigo, daí uma sociedade rígida que terminou explodindo.

4ª etapa: Da revolução a um novo cenário
Pergunte para a turma, se diante do quadro apresentado, eles acham que será fácil essa mudança de rumos instituída pela Primavera Árabe. Deixe que eles levantem hipóteses, mas conduza a discussão mostrando que estes novos rumos são complicados. Diga para a classe que, muitos elementos enrijecidos são verdadeiros obstáculos para a mudança: do ponto de vista da vida social, a dominação do homem sobre a mulher será ainda motivo de enormes conflitos; por exemplo.
Já do ponto de vista político, é preciso começar a construir um espaço público que jamais existiu; enquanto do ponto de vista econômico é preciso que esses países tenham estrutura produtiva e não dependam apenas do extrativismo (o Egito já vai nesse caminho), para que sua dinâmica econômica não seja tão inconsistente e frágil.
Ainda nesse campo econômico é preciso que os líderes políticos compreendam que a abertura para o mundo global, controlada e nos termos escolhidos pelas sociedades nacionais, pode ocorrer dentro de novos moldes, sem temer que os inimigos capitalistas estejam sempre vencendo.

5ª etapa: Atividade
Peça para que a turma levante dados sobre alguns países árabes: índices de analfabetismo, dados de saúde, índices de natalidade, dados produtivos etc, tanto dos que viveram diretamente a Primavera Árabe quanto os outros (como a toda poderosa Arábia Saudita).

Depois, peça que levem os dados na aula seguinte e confrontem com as interpretações teóricas feitas sobre o mundo árabe a fim de escrever um pequeno texto que coloque em cheque a seguinte ideia: O mundo árabe é realmente subdesenvolvido ou um mundo que nega o desenvolvimento? (a Primavera Árabe parece não negar)

Avaliação
Verifique se, por meio da argumentação crítica dos textos entregues e da comparação dos dados pesquisados, os alunos conseguiram entender, mais do que geopoliticamente, criticamente, os impasses culturais, sociais, políticos e econômicos que permeiam as revoluções árabes.

Conteúdo relacionado

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Consultoria Jaime Tadeu Oliva
Geógrafo, professor e pesquisador do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo.

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