Assine Nova Escola
Revistas do mês
Nova Escola
Gestão Escolar
publicidade

Sequencia Didatica

Uso da luz e das cores pelos impressionistas

Mais sobre Impressionismo

Entrevista

Games

Explique à turma as mudanças que o Impressionismo trouxe à arte no século 19 e proponha um trabalho de pintura que imite a técnica de artistas impressionistas como Monet, Renoir e Degas

Objetivos
- Estudar os conceitos básicos da cor e seu uso em diferentes momentos da produção humana
- Identificar os conceitos fundamentais ligados ao uso das cores em composições visuais
- Desenvolver a percepção e a capacidade de apreciação estética
- Valorizar a produção visual e o domínio técnico em seus diferentes segmentos e épocas

Le bain - Alfred Stevens

Conteúdos
- Pintura Impressionista
- Teoria das Cores

Anos
Ensino Médio

Tempo estimado
4 aulas

Material necessário
- Materiais para pintura: tintas guache nas cores magenta, amarelo e ciano, além de branco e preto (a tinta magenta será usada no lugar do tradicional vermelho), papel canson, pincéis, paninho para limpar os pincéis, potinhos para colocar água, uma bandejinha de isopor para preparar as tintas, um pedaço de papelão de 30x30cm, tesoura ou estilete, régua, lápis, fita adesiva (fita crepe) e um pedaço de plástico levemente translúcido e incolor
- Computadores com acesso à internet
- DVD do filmes "Sonhos", do cineasta Akira Kurosawa (a cena onde o personagem do pintor Van Gogh fala sobre a luz, utilizado no plano, está disponível na internet )



Desenvolvimento
Aula 1 - Contato com o Impressionismo
Conte aos alunos que eles vão estudar o Impressionismo e pergunte se alguém já ouviu falar do movimento e sabe do que se trata. Em seguida faça uma exposição usando o texto abaixo como base:

 

O que explicar para a turma?

As vanguardas artísticas do século 20 trouxeram uma verdadeira revolução para o mundo da arte. No entanto, talvez as coisas tivessem tomado outro rumo se, no século 19, com o surgimento da fotografia, um grupo de artistas não tivesse aceitado o desafio de rever o que era considerado arte.

Estamos falando dos Impressionistas. A reportagem "E eles enfrentaram a fotografia" publicada na edição 180 da revista Bravo! nos coloca em contato com os nomes de artistas que ao seu tempo foram extremamente ousados, que acreditaram na possibilidade de explicitar o seu próprio modo de olhar a natureza e o mundo ao seu redor.
Até esse momento a concepção de arte estava muito ligada à ideia de imitação da natureza, mas que quando a fotografia surgiu por volta de 1840 era uma forma de retratar com fidelidade as coisas que nos cercam. Na época, muitos artistas ficaram chocados e chegaram a pensar que o seu papel havia sido extinto, já que o nível de precisão da câmera fotográfica poderia ser maior do que aquele alcançado por meio de seus pincéis e tintas.

Os artistas começaram a discutir o que era esse "compromisso com a realidade", afinal quanto mais perfeitamente tentavam representá-la, mais se afastavam dela. Poderíamos talvez dizer que assim como os artistas gráficos retocam as imagens fotográficas hoje por meio de softwares específicos para a edição, os pintores faziam o mesmo naquela época só que com as tintas. Logo, onde estaria a realidade?Imaginem então o que não ocorreu quando a fotografia surgiu? Essa foi apenas a "gota d’água" para que o copo praticamente transbordasse, pois desde as primeiras décadas do século pintores como Gustave Courbet já buscavam novas temáticas para suas obras, mostrando cenas de pessoas trabalhando, registrando o momento da cena e tentando superar as tradicionais concepções que condicionavam a relação entre o artista e a realidade.

A cor nessa época se tornara uma preocupação não só para a arte, mas também para a ciência e vários eram os pesquisadores que estavam se dedicando ao estudo dos fenômenos luminosos e sua relação com a nossa percepção das cores.
Vale lembrar que a cor era um elemento que a fotografia ainda não conseguia solucionar (as imagens ainda eram monocromáticas).

A partir desse cenário, já na segunda metade do século 19, surgem artistas como Claude Monet, que passaram a se dedicar à singular experiência de mostrar na pintura o colorido do mundo, mas não de uma maneira idealizada. Monet percebeu que a influência da luz na nossa percepção da paisagem, por exemplo, era tamanha, que se registrássemos um mesmo local em diferentes momentos do dia, o veríamos com colorações bastante diferentes. Temos aí um outro dado importante para os impressionistas o tempo: para obter fidelidade à cena, por meio da pintura, é preciso ser rápido.

O Impressionismo, como o próprio nome nos sugere, lida com o momento - a nossa relação com a luz e com as cores naquele instante, uma impressão, algo que passa tão rápido como o nascer do sol, tal como o retratou Monet em Impression soleil levant.

Muitos impressionistas pintavam ao ar livre o que exigia deles essa rapidez na execução das pinturas e, para tanto precisavam trabalhar com pinceladas ligeiras, que lhes permitissem capturar o momento. Embora a cena retratada fosse importante, não havia na pintura impressionista uma grande preocupação em relação aos detalhes, mas sim com o todo.
 (por Maria José Spiteri)

Para facilitar a compreensão, compare as obras de artistas impressionistas como Monet, Renoir, Degas com obras de pintores anteriores como por exemplo Ingres, Vermeer e outros. Vocês poderão inclusive visitar coleções de obras disponibilizadas na internet pelo Google Art Project (por meio dessa ferramenta é possível acessar diversas coleções internacionais, vendo as obras em alta definição, o que permite ao visitante virtual, utilizando o zoom, se aproximar da obra como se estivesse diante do original).

Sugestões de Obras para visitar no Google Art Project:
Musée de L’Oragerie
• Claude Monet - The Water Lilies - Morning (1914 - 1926)
• Auguste Renoir - Gabrielle and Jean (1895 - 1896)
• Claude Monet - The Water Lilies - Green Reflections (1914 - 1926)

The Frick Collection
• Jean-August-Dominique Ingres - Comtesse d'Haussonville - 1845

Musée D’Orsay

• Claude Monet - The Rue Montorgueil in Paris. Celebration of June 30, 1878
• Auguste Renoir - Dance at Le Moulin de la Galette, 1876
Edgar Degas - Dancers - (1884 - 1885)

A partir dessa explicação ficará mais fácil para a turma entender como a base da pintura impressionista está no uso das manchas de cor. E já que o assunto é cor, esse pode ser um bom momento para trabalhar alguns conteúdos ligados à teoria das cores.

Os impressionistas nos alertaram para a relevância da relação entre a cor e a luz. Sem a luz não vemos as cores (vocês podem contar com a colaboração de um professor da área de Física ou de Química para aprofundar a compreensão dos fenômenos que envolvem a percepção das cores).
Basicamente temos dois tipos de cor: a cor-luz e a cor-pigmento.Para cada um dos dois tipos de cor temos cores primárias (básicas), secundárias (resultantes das misturas proporcionais entre duas cores primárias) e as terciárias (outras misturas resultantes da associação entre cores primárias e secundárias).

A cor-luz se refere aos raios luminosos que compõe a luz branca e o termo cor-pigmento se refere às cores que estão nos corpos visíveis (todas as coisas que vemos).
Conte para os alunos que muito do que vemos colorido proveniente de fonte luminosa, está trabalhando com cores-luz, ou sistema RGB (red, green, blue), como por exemplo a imagem da televisão e a tela do computador. Quem já não olhou de pertinho a tela do aparelho de TV e, surpreendentemente descobriu que as cores que vemos são, na verdade pontinhos verdes, azulados e avermelhados que se alternam?

Os raios de luz branca (luz do sol) são compostos por 3 cores básicas : o verde, o azul violetado e o vermelho, ou seja, essas são as três cores primárias da cor-luz. Quando esses 3 raios coloridos se reúnem, vemos a luz branca. Outras cores que vemos no arco-íris são derivadas das combinações entre esses raios coloridos: verde+azul violetado = ciano, verde+vermelho = magenta, vermelho + azul violetado = amarelo, ou seja, cores secundárias.

É interessante observar que as três cores que conhecemos como cores primárias para as tintas, especialmente aquelas usadas nas artes gráficas, são as mesmas que nas cores luz são cores secundárias ou seja: o ciano, o amarelo e o magenta. Esse sistema de cores é aplicado em muitas impressoras domésticas, onde temos 3 cartuchos de tinta colorida e um de tinta preta. A esse sistema de cores pigmento, aplicado às artes gráficas, denominamos CMIK (ciano, magent, yellow, black).

No estudo das cores encontramos também outras classificações como cores frias, quentes, complementares etc. Aproveite o momento para apresentar um círculo cromático e demonstrar essas relações.

Essa é também uma boa oportunidade para sugerir que na próxima aula experimentem na prática alguns pontos abordados pelo texto da revista BRAVO!, como por exemplo a questão das sombras coloridas (o que significa não usar preto para as sombras, mas sim acrescentar a cor complementar para escurecê-la).

Para tanto, providencie tintas guache nas cores magenta, amarelo e ciano, além de branco e preto (a tinta magenta será usada no lugar do tradicional vermelho), papel canson, pincéis, paninho para limpar os pincéis, potinhos para colocar água e uma bandejinha de isopor para preparar as tintas.

Aula 2 - Descobrindo as cores

Reserve este aula para explorar um pouco as misturas cromáticas. Primeiramente peça aos alunos para que, utilizando a tinta guache, pintem no papel canson amostras com as cores primárias: azul ciano, amarelo e magenta.

Em seguida, oriente-os a preparar as cores secundárias, misturando 2 cores primárias em partes iguais. É provável que eles se surpreendam com o surgimento do vermelho pela mistura entre o amarelo e o magenta.Feito isso, incentive-os a fazer outras misturas, criando as cores terciárias, os tons de pele, os cinzas coloridos.

Mostre a eles como escurecer as cores acrescentando pequenas porções de tinta preta e depois, ensine-os a fazer o mesmo que os impressionistas, ou seja, misturando as cores primárias com um pouquinho das suas complementares (verde-magenta, ciano-vermelho, amarelo-violeta) para fazer as sombras coloridas. Compare os resultados.

O conceito da sombra colorida é o da diminuição de luz na superfície, logo a cor continua a mesma, porém um pouco mais escura.

Ao término da aula, reúna os estudantes e proponha que selecionem objetos e que os organizem de acordo com as suas cores, reunindo-os em famílias. A partir desse exercício eles verificarão na prática como algumas cores tendem mais para o amarelo, ou mais para o magenta ou mais para o ciano. Como um preto pode parecer mais "quente" ou mais "frio", em razão das cores que foram utilizadas na sua composição (além do pigmento preto) e como uma cor pode influenciar na percepção da vizinha.

O exercício de pintura poderá ser desdobrado para mais uma aula, na qual vocês poderão realizar a pintura da paisagem a partir das manchas de cor. Para tanto, leve para a aula tintas para vitral nas mesmas cores do guache (vocês poderão usar o vermelho-carmim como uma alternativa caso não encontrem a tinta magenta), pincéis macios e mais um pedaço de papelão de 30x30cm, tesoura ou estilete, régua, lápis, fita adesiva (fita crepe) e um pedaço de plástico levemente translúcido e incolor, que permita uma visibilidade relativa dos objetos. É importante que ao olharmos através dessa folha plástica seja possível ver as cores, mas que as formas fiquem um pouco desfocadas, dando a sensação de uma vidraça embaçada. Como a quantidade de tinta a ser utilizada não será muito grande, os conjuntos de cores poderão ser adquiridos em grupo e partilhados entre os seus integrantes.

Aula 3 - Pintando com as manchas
Inicie a atividade retomando a ideia das manchas coloridas na pintura impressionista. Se possível, acesse com eles a página do Musée D’Orsay no Google Art Project e mostre com detalhes como esses artistas construíam suas paisagens e a sensação da cor a partir das pinceladas curtas e próximas.

Em seguida proponha a construção de uma "janela para impressões coloridas". Oriente-os marcar no centro da placa de papelão um retângulo de 15x15cm, deixando ao redor uma moldura de no mínimo 5 cm. Em seguida peça aos jovens que recortem esse retângulo, sem estragar a moldura, abrindo assim uma janela. Sobre esse espaço vazio, os alunos deverão colar um pedaço do plástico incolor e translúcido, prendendo-o firmemente e bem esticado na moldura com a fita crepe.

Agora vem a aventura: escolha um lugar interessante e bem iluminada. Para pintar eles devem enquadrar a cena, mantendo o cartão a uma certa distância dos olhos (30 a 40cm) e olhando pela janelinha que acabaram de produzir, buscando por uma imagem bem colorida. Tranquilize-os em relação à definição das formas: a imagem não precisa ter muita nitidez, pois o mais importante nesta experiência é a vivência da cor.

A ideia é transpor a gama de cores observada na "paisagem" para a superfície do plástico esticado no bastidor de papelão. Assim, oriente os alunos para que enquadrem a cena direcionando a janelinha para a paisagem. Antes de começar a pintar é preciso observar atentamente as cores que estão sendo vistas através do plástico. Nesse experimento eles possam utilizar os conhecimentos apreendidos no encontro anterior (se vocês tiverem um jardim, por exemplo, poderão aproveitar para realizar o exercício ao ar livre). As misturas de cores da tinta vitral devem ser preparadas em um pratinho que ficará ao lado de cada aluno e as cores serão aplicadas a pincel diretamente sobre o plástico, procurando pintar com as cores correspondentes exatamente nos pontos observados.

Lembre que será uma pintura com manchas, sem linhas de contorno, explorando pequenas pinceladas de diferentes cores colocadas bem próximas umas das outras, como fizeram os mestres impressionistas.Os alunos poderão estender a atividade, pintando, por exemplo, a paisagem observada a partir das janelas de suas próprias casas. Essa é uma boa maneira de entender como os impressionistas construíam uma paisagem sem desenhá-la, somente justapondo e sobrepondo manchas.

Aula 4 - Discutindo os resultados
Aproveite essa aula para realizar um fechamento do projeto. Reúna os trabalhos realizados e monte uma exposição em sala. Promova uma discussão a respeito dos conceitos ligados à teoria das cores estudados nas aulas anteriores.

Há uma cena do filme "Sonhos",  de Akira Kurosawa na qual um jovem pintor se encontra com Vincent van Gogh, um artista do pós-impressionismo que se "nutriu esteticamente" das lições de mestres como Monet e Renoir. Nessa cena o artista questiona o rapaz por que ele não estava pintando já que o sol, em breve mudaria de posição. Ou seja, por meio dessa "fala" Van Gogh estaria expressando toda a relevância de se observar a luz incidindo sobre a paisagem e da urgência em realizar uma pintura tão rápida que lhe permitisse esse momento único da experiência da luz e da cor: o momento. Se possível, aproveite para exibir essa cena para os alunos e discuta um pouco a experiência de observar a luz e a cor, procurando associar a atividade proposta às propostas dos impressionistas.

Avaliação
É muito importante que os trabalhos produzidos mostrem conhecimento sobre os conceitos básicos da cor. Com as discussões e o estudo das obras, os estudantes deverão também reconhecer a importância da luz e da cor para os impressionistas e as transformações trazidas pela inovação proposta por esses artistas.

 

Maria José Spiteri
Professora da Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul) e da Universidade São Judas Tadeu

Compartilhe

Gostou desta reportagem? Assine NOVA ESCOLA e receba muito mais em sua casa todos os meses!

Comentários
 Garanta já a sua revista! Assinaturas, edições impressas e digitais

Assine suas revistas impressas ou digitais!

Compre suas revistas impressas!

Compre suas revistas digitais e e-books!

Nova Escolar
  Patrocínio     Edições SM

Fundação Victor Civita © 2013 - Todos os direitos reservados.