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Atividade Permanente

Três teorias sobre a relação entre Estado e economia

VEJA na Sala de Aula

Pesquise e discuta com a turma as diferenças entre liberalismo, keynesianismo e neoliberalismo e os contextos históricos em que essas ideias foram formuladas

 Crédito: Reprodução

 

Conteúdo
Liberalismo, keynesianismo e neoliberalismo

Objetivos
Comparar as três teorias econômicas e como se deu sua aplicação em países em diferentes momentos históricos

Anos
Ensino Médio

Tempo estimado
2 a 3 aulas

Materiais necessários
- Reportagem A volta do Leviatã (Veja, 16 de outubro de 2013, 2343)
- Cópias de trechos do texto A Riqueza das Nações, de Adam Smith
- Computador com acesso à internet

Desenvolvimento

Introdução

O debate sobre a postura que o Estado deve adotar frente à economia está sempre presente no jornalismo econômico. A entrevista A volta do Leviatã, publicada pela revista Veja (16 de outubro de 2013, 2343), destaca, por exemplo, as críticas do professor Sérgio Lazzarini à política econômica adotada pelo governo brasileiro. Para ele, o governo foge às regras neoliberais, regula em excesso a economia e investe em demasia no setor social. Apresente à turma as principais teorias econômicas sobre a relação entre Estado e mercado e ajude seus alunos a se aproximarem dessa discussão. 

1ª etapa
Inicie contando aos alunos que nessa e nas próximas duas aulas vocês irão discutir e refletir sobre três teorias econômicas - o liberalismo, o keynesianismo e o neoliberalismo - e a maneira como essas teorias entendem que deve ser a relação entre o Estado e a economia nos diferentes contextos históricos em que foram formuladas. Questione os alunos sobre o que já sabem sobre esses termos. Anote o que for levantado pela turma e conte que, depois do período de estudo, poderão voltar a essa lista para refletir sobre o que foi discutido.

Explique para os alunos que a teoria liberal, ou liberalismo, teve origem no século 18 na Europa e está ligado ao pensamento iluminista que contestava o regime Absolutista então vigente. Explique também que a primeira doutrina econômica em oposição ao mercantilismo foi formulada por François Quesnay (França, 1694-1774) e recebeu o nome de fisiocracia (governo da natureza). De acordo com o pensamento fisiocrata a riqueza é fundamentalmente produzida pela natureza, portanto, a principal atividade econômica é a produção e não o comércio. Nesse sentido, os fisiocratas afirmavam que cabia ao Estado garantir a segurança da propriedade e permitir que a economia se regulasse por si só através do "Laissez faire, laissez passer et le monde va de lu même" ("Deixe fazer, deixe passar e o mundo marcha sozinho").

Entretanto, o principal teórico do liberalismo econômico é o filósofo e economista escocês Adam Smith (1723-1790). Influenciado pelo pensamento fisiocrata, Smith é considerado o pai da teoria liberal, uma vez que são dele os principais fundamentos teóricos do liberalismo econômico. Explique para os alunos que a teoria liberal clássica de Adam Smith ancora-se em quatro princípios: i- a defesa da propriedade privada; ii- a liberdade econômica, também chamada de livre mercado ou livre concorrência econômica, onde a oferta e a procura seriam as únicas leis capazes de controlar os preços das mercadorias; iii- a participação mínima dos Estados nos assuntos econômicos da nação, isto é, um governo economicamente limitado e restrito a ser basicamente um incentivador quando o capital particular não conseguir desenvolver por si só um determinado setor (Estado mínimo); iv- a igualdade perante a lei (Estado de Direito).

A principal obra de Adam Smith é A Riqueza das Nações, escrita em 1776, na qual ele faz duras críticas à política mercantilista e defende que uma nação só conseguirá se desenvolver e promover o bem-estar por meio do crescimento econômico e da divisão do trabalho.

Explique para a turma que a teoria liberal de Adam Smith, ao considerar o trabalho em geral como a verdadeira fonte de riqueza da nação, foi de fundamental importância para o desenvolvimento e consolidação do capitalismo e da economia de mercado nos séculos 19 e 20, sobretudo a sua concepção sobre divisão social do trabalho que garantia a redução dos custos de produção e, consequentemente, a queda dos preços das mercadorias. Na sequência, projete ou distribua cópias para os alunos do trecho abaixo, extraído do livro A Riqueza das Nações sobre a divisão do trabalho:

 

O maior aprimoramento das forças produtivas do trabalho e a maior da habilidade, destreza e capacidade de julgamento com que o trabalho é em qualquer parte dirigido ou aplicado parecem ter sido os efeitos da divisão do trabalho. [...] citemos a fabricação de alfinetes. [...] Um operário desenrola o arame, outro o estica, um terceiro o corta, um quarto faz as pontas, um quinto o afia para fazer a cabeça, o que requer duas ou três operações distintas. [...] e o importante negócio de fabricar um alfinete é, dessa maneira, dividido em cerca de dezoito distintas operações, as quais, em algumas manufaturas, são todas desempenhadas por mãos diferentes, embora em outras o mesmo homem desempenhará algumas vezes duas ou três delas." (SMITH: 2006, p.9-10).

Faça a leitura do trecho selecionado junto com a turma e, em seguida, discuta de que maneira a teoria liberal de Adam Smith contribuiu para o sucesso da Revolução Industrial, para o aumento da produção e para o estímulo ao desenvolvimento da economia de mercado e consolidação do modo de produção capitalista nos séculos 19 e 20. Peça aos alunos que citem outros exemplos de divisão do trabalho e reflitam sobre os benefícios e os malefícios da maior especialização do trabalho desde fins do século 18 até os dias atuais.

2ª etapa
Após a discussão proposta na etapa anterior, convide os alunos a refletirem sobre as mudanças no pensamento liberal no período entre guerras, tendo como exemplo os Estados Unidos da América. Explique para a turma de que maneira os Estados Unidos saíram como o grande país vencedor da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e passaram a fornecer produtos e ajuda financeira aos países europeus devastados pela guerra.

Discuta como que década de 1920 a economia norte-americana se tornou próspera, sobretudo com o investimento e desenvolvimento das indústrias automobilística, química e elétrica. Todavia, explique para os alunos que a essa atmosfera de prosperidade dos anos 1920 seguiu-se um período de Grande Depressão na década de 1930, após a quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929, dando início a um período de recessão econômica que levou à falência bancos e empresas em todo o país e fez com o desemprego atingisse milhões de norte-americanos.

Frente a essa situação alarmante, o recém-eleito presidente dos EUA Franklin Roosevelt rompeu com os princípios do liberalismo clássico e adotou as ideias defendidas pelo economista inglês John Maynard Keynes. Assim, uma série de medidas, conhecidas como New Deal (Novo Acordo), foi tomada no sentido de recuperar a economia norte-americana.

A proposta do economista John Keynes consistia numa revisão das teorias liberais, assumindo uma postura mais crítica frente à economia capitalista. Para tanto, a teoria keynesiana pregava uma maior participação do Estado na economia das nações. Além de uma maior regulação da economia pelo Estado no intuito de estimular a iniciativa privada, Keynes também defendia o pleno emprego, isto é, caberia ao governo criar oportunidades reais de trabalho por meio de obras públicas como a construção de hidrelétricas, pontes, rodovias. A teoria keynesiana orienta o Estado a agir em dois sentidos para manter a sua economia equilibrada: i- injetar capital em investimentos que irão aquecer a economia; ii- conceder linhas de crédito para garantir investimentos no setor privado.

Explique para os alunos que a teoria de Keynes perdurou, desde a década de 1930 até o início da década de 1970, e promoveu uma completa mudança de perspectiva no que diz respeito ao papel do Estado na economia de um país, mais forte e mais presente que outrora.

Separe os alunos em duplas e peça a eles que pesquisem quais os princípios da teoria keynesiana e qual o impacto dessa teoria para a política econômica dos países que adotaram parcial ou integralmente as ideias do keynesianismo. Instrua-os a trazer as informações levantadas para a discussão em sala na próxima aula.

3ª etapa
Solicite aos alunos que façam um semicírculo para que possam debater as informações sobre o keynesianismo coletadas pelas duplas na etapa anterior. Com base no que já foi estudado, peça aos alunos que comentem as vantagens e as desvantagens de uma maior regulação do Estado na economia de um país levando em consideração o contexto histórico que enfrentavam.

Na sequência, explique para os alunos que, nas décadas de 1970 e 1980, a teoria keynesiana cedeu lugar à teoria neoliberal, sobretudo no Reino Unido, com a primeira-ministra Margaret Thatcher, nos Estados Unidos sob a presidência de Ronald Reagan, e na Alemanha Ocidental, de Helmut Kohl. Ao contrário do que propunha o keynesianismo, o neoliberalismo, de uma maneira geral, prega a criação do Estado mínimo e a total liberalização da economia. Os neoliberais buscam no liberalismo clássico as bases da sua teoria, adaptando-as a um mundo cada vez mais capitalista e globalizado.

Explique aos alunos que a ideia de Estado mínimo pode ser entendida como a intervenção mínima do Estado sobre a atividade econômica de um país. Assim como propusera Adam Smith no século 18, os neoliberais retomam a doutrina da "mão invisível" onde a economia é regulada pelo mercado e suas leis. De acordo com a ótica neoliberal, cabe ao Estado: i- o controle dos preços, possível através da estabilidade financeira e monetária (controlar inflação e câmbio); ii- combater os excessos da livre concorrência; iii- garantir o bem comum e o equilíbrio social (os problemas da sociedade civil devem ser resolvidos por ela mesma, e não pelo Estado). Assim, o crescimento de país está relacionado principalmente ao desenvolvimento e fortalecimento da economia de mercado.

Avaliação
Convide os alunos a refletirem sobre os prós e contras da teoria neoliberal e seus impactos tanto para a economia como para a sociedade. Problematize a questão do desenvolvimento econômico versus o aumento do desemprego e da concentração de renda.

Avalie se a turma compreendeu os conceitos abordados propondo que redijam um texto apresentando as três teorias econômicas e o contexto histórico em que foram formuladas. Estimule os alunos a lerem em conjunto a lista produzida na primeira aula e comentarem os conceitos aprendidos. Analise se os alunos compreenderam a importância da relação entre Estado e economia para o desenvolvimento de uma nação.  Peça também que eles expressem no texto sua própria opinião sobre essas teorias sob o ponto de vista do desenvolvimento econômico e social dos países.

 

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Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Consultoria Vanessa Faria
Doutoranda em História pela Universidade Federal de Ouro Preto

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