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Romance policial: crime e investigação

VEJA na Sala de Aula

Conteúdo relacionado

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Objetivos
- Analisar as características da literatura policial moderna e refletir sua origem na literatura policial brasileira, a partir do pioneirismo de Edgar Allan Poe.

Conteúdos
- Literatura policial.
- Elementos da narrativa policial.

Material necessário
Cópias da reportagem “Um tipo particular de violência” (Veja, Ed. 2236, 28 de setembro 2011) para todos os alunos. Textos dos seguintes contos: “Escândalo em Boêmia” de Arthur Conan Doyle, e “Se eu fosse Sherlock Holmes”, de Medeiros e Albuquerque.

Tempo estimado
Cinco aulas

Introdução
No livro “O que é romance policial” (Editora Brasiliense), de Sandra Lúcia Reimão, a autora questiona o porquê da popularidade mundial dos romances policiais. Por que nos sentimos tão atraídos pelos casos que envolvem a investigação policial? Por que nos entretemos com esse tipo de literatura? Quais são as características que fazem do romance policial um gênero tão atrativo? Podemos considerar como romance policial qualquer narrativa em que aparece um crime ou um delito e alguém disposto a solucioná-lo?

A revista Veja desta semana comenta a estreia da série The Killing pelo canal A&E. Utilize a reportagem “Um tipo particular de violência” e promova um debate sobre o sucesso dos seriados policiais na televisão. Aproveite a discussão e convide os alunos a conhecerem a origem e as características da literatura policial, sua introdução no Brasil, e suas transformações ao longo de um século e meio de existência.

Preparação
Devido à grande popularidade dos romances policiais, faça uma pesquisa na biblioteca da sua escola e separe o maior número de títulos pertencentes a este gênero literário. Os autores e títulos mais conhecidos são: Edgar Allan Poe (considerado o criador da narrativa policial moderna, na qual introduz a figura singular do detetive Dupin, é autor dos seguintes contos policiais: “Os assassinatos da Rua Morgue”, “O mistério de Marie Rogêt”, “A carta roubada” e “Tu és o Homem”); Arthur Conan Doyle (criador do célebre detetive Sherlock Holmes, foi autor de “Um estudo em vermelho”, “O vampiro de Sussex e outras histórias”, “O cão dos Baskerville”, entre outros); Agatha Christie (criadora do personagem Hercule Poirot. Este detetive foi protagonista em aproximadamente 31 romances da autora. Suas obras mais famosas são: “O misterioso caso Styles”, “Assassinato no expresso do Oriente” e “Os dez negrinhos”); e Raymond Chandler (criador do detetive Philip Marlowe, é autor de apenas vinte e três contos e sete romances, entre eles: “Adeus minha adorada”, “A dama do lago”, “O longo adeus”, “Janela para a morte” e “Sono eterno”).

Desenvolvimento
1ª aula
Pergunte aos alunos se eles gostam de seriados que abordam o trabalho de investigação criminal e quais são os seriados que eles assistem. A turma pode citar várias séries de TV como exemplos: C.S.I., Law & Order, 24 Horas, 9mm São Paulo, Cold Case, The Shield, entre outras. Há também os seriados mais antigos como CHiPs e Miami Vice. Aproveite para saber se eles conhecem e o que obras de literatura policial já leram. Questione a turma sobre os motivos que fazem deste tipo de entretenimento ser tão popular. Dê um tempo para a discussão e apresente aos alunos os livros de literatura policial que você localizou na biblioteca da escola.

Em seguida, distribua à turma as cópias da reportagem de Veja e proponha aos alunos que realizem a leitura em duplas. Faça comentários gerais sobre o texto e procure esclarecer as dúvidas que possam surgir. Lembre aos alunos que, como gênero literário, a ficção policial surgiu em meados do século XIX, na Inglaterra, em decorrência da industrialização e do caos urbano que se formava –, um ambiente propício para a disseminação de vários tipos de crimes. Ressalte que a série The killing, em conformidade com a vanguarda da ficção policial produzida na atualidade, procura ordenar o caos, mas durante esta tentativa, o caos, ou seja, a violência deflagrada pela investigação policial, assim como o interesse do telespectador, só tende a aumentar.

Diferentemente dos primeiros romances policiais, nos quais os crimes e demais delitos eram sempre solucionados através da sagacidade de seus detetives, o que se vê hoje em dia é que os autores praticantes deste gênero literário apresentam uma tendência para a desesperança e o pessimismo. Também não deixe de ressaltar que, se antes era muito comum a produção da ficção policial nos Estados Unidos e na Inglaterra, na atualidade, a vanguarda se transferiu para países menos conhecidos do norte da Europa como a Islândia (Arnaldur Indridason), Suécia (Henning Mankell e Stieg Larsson) e Escócia (Ian Rankin e Denise Mina).

2ª aula
Faça uma explanação sobre a origem da literatura policial, suas principais características e transformações ao longo de um século e meio de existência. Instigue a turma a tentar caracterizar este gênero literário.

Para isso, faça perguntas que possam despertar a participação dos alunos: toda ficção policial apresenta um enigma, um mistério a ser solucionado por um detetive? Qualquer narrativa que apresente um crime ou delito e alguém disposto a solucioná-lo pode ser considerada literatura policial? Tudo deve ser solucionado racionalmente pelo detetive? Há espaço para o fantástico na literatura policial? Os detetives sempre gozam de certa imunidade?

Texto de apoio para o professor

Foi Edgar Allan Poe quem deu origem à narrativa policial moderna com a publicação, em abril de 1841, de “Assassinatos na Rua Morgue”. Neste conto, baseado em fatos reais, Poe apresenta a figura peculiar do detetive Dupin como uma “máquina de raciocinar”. O detetive age através de inferências lógicas para solucionar enigmas, geralmente, sem sair de seu domicílio. Quem narra as aventuras de Dupin é um narrador anônimo, amigo do detetive, por meio da memória. Outras duas duplas famosas de detetives/narradores-memorialistas da literatura policial de enigma são: Sherlock Holmes e Dr. Watson nas obras de Conan Doyle, e Hercule Poirot e Capitão Hastings, em Agatha Christie.

Mas a grande diferença entre Dupin e os detetives Holmes e Poirot é que os dois últimos não abdicam de ter personalidade, portanto, são mais humanos. Holmes é morfinômano e cocainômano (viciado em morfina e cocaína), sofre de melancolia e toca violino com desenvoltura; Poirot é extremamente vaidoso e apresenta problemas de saúde e sensibilidade em suas últimas aparições.

A narrativa do romance policial noir (americano), segundo Sandra Reimão em “Literatura policial brasileira” (2005), “é construída no presente, acompanha o correr dos fatos, segue as investigações, ou seja, se dá no mesmo tempo da ação, e não em forma de memória, como no policial enigma”. Outra diferença significativa é que se o romance policial enigma tem preferência pelos crimes e contravenções ocorridas nas altas classes sociais, o romance policial noir apresenta preferência pelos crimes ocorridos na marginalidade. Além disso, nesse tipo de literatura não há espaço para uma interpretação acima de qualquer suspeita como no romance policial enigma clássico.

No Brasil, O mistério (1920) foi primeira narrativa policial de que se tem notícia. Foi escrita em conjunto por Coelho Neto, Afrânio Peixoto, Viriato Corrêa e Medeiros e Albuquerque.

Outros nomes importantes dentro do cenário nacional são: Carlos de Souza (autor de Parada Proibida, 1972, primeiro romance policial noir brasileiro), Marcos Rey (autor de Malditos paulistas, 1980), Rubem Fonseca (autor de A grande arte, 1983, e Bufo & Spallanzani, 1986), Jô Soares (autor de O xangô de Baker Street, 1995), entre outros.

 

Procure discutir essas ideias com os alunos de maneira que eles participem com opiniões e questionamentos sobre a ficção policial. Você pode encontrar referências teóricas sobre a origem e as características da ficção policial e suas transformações ao longo da história em nossa bibliografia (no quadro Quer saber mais?, abaixo).

3ª aula
Para continuar a investigação sobre os elementos da narrativa policial, informe os alunos que as próximas aulas serão dedicadas à análise de alguns contos do gênero.
Apresente à turma o seguinte conto de Conan Doyle: “Escândalo na Boêmia”. Peça para fazerem a leitura em duplas. Mas atenção: o conto não deve ser lido na íntegra, mas, somente até a seguinte passagem da 2ª parte:

[...]
– Conseguiu a fotografia!
– Sei onde está.
– E como descobriu?
– Ela me mostrou, como eu disse que mostraria.
– Continuo sem entender.

Após a leitura, os alunos devem refletir como foi que Holmes conseguiu êxito em descobrir onde Irene Adler havia escondido a preciosa fotografia. Peça para que as duplas comentem os elementos da narrativa policial presentes no trecho lido e anotem as principais descobertas em seus cadernos. Conte que, apenas na próxima aula, a turma terá acesso ao restante do conto, para que finalizem a análise.

4ª aula

Forneça às duplas de alunos a continuação do conto “Escândalo na Boêmia” e solicite que terminem a leitura. Faça perguntas sobre o que acharam do conto: o personagem principal é perspicaz? Era fácil desvendar o mistério? O final foi surpreendente? Por quê?

 

Ressalte que o início do conto já traz informações importantes sobre a profunda admiração e respeito que o detetive Holmes sente por Irene Adler. Estes dados iniciais do conto servem como pistas para o leitor mais experiente, que, deste modo, pode se antecipar aos acontecimentos narrados e na solução do enigma.

5ª aula
Para concluir a investigação da turma sobre a ficção policial, apresente às mesmas duplas de alunos o conto “Se eu fosse Sherlock Holmes” (1932) de Medeiros e Albuquerque. Após a leitura, cada dupla deve responder as seguintes perguntas:

1) Existem características semelhantes entre os protagonistas dos contos de Conan Doyle e Medeiros e Albuquerque? Quais são?
• Ambos possuem uma capacidade para resolver enigmas singulares através do raciocínio lógico, possuem alta capacidade de dedução e um senso de observação impressionante.
• Certa arrogância, pois ambos demonstram-se muito seguros em suas metodologias e apresentam palpites certeiros.

2) Após a denúncia do roubo da jóia, quais foram as providências tomadas pelo protagonista do conto de Medeiros e Albuquerque?
• I) Não deixou ninguém entrar no quarto;
• II) Sendo o único a entrar, examinou o quarto com extremo cuidado e localizou uma pista;
• III) Realizou, individualmente, um “inquérito policial” com todas as mulheres que estavam na reunião;
• IV) Disse que a prova de que Sinhazinha Ramos era a criminosa foi a rosa-chá que ela estava usando, pois havia duas pétalas desta rosa na mesa-de-cabeceira de Madame Guimarães. O protagonista também percebeu que a Sinhazinha Ramos (sobrinha de Madame Guimarães) não havia deixado sua capa no quarto como de costume. Fez isso, segundo o detetive/narrador-memorialista, porque não queria levantar suspeitas sobre si mesma.

3) Segundo o detetive/narrador, qual foi o motivo que levou Sinhazinha Ramos a cometer tal delito?
• Ela sentiu a tentação de roubar a jóia da tia porque “lembrou-se de que tinha de ir para Europa daí a um mês. Lá venderia a jóia”.

4) Levando em consideração os dois últimos parágrafos do conto de Medeiros e Albuquerque, pode-se questionar a verdadeira autoria do crime? Por quê?
• Sim, pois como a sobrinha acusou o próprio detetive/narrador pelo roubo cometido, e este não havia revelado quem fora a verdadeira ladra, ficou sendo ele, portanto, o principal suspeito aos olhos de Madame Guimarães, já que esta não o convidou para a próxima reunião em sua casa.

Para finalizar, sugira que cada um dos alunos escolha um dos livros policiais selecionados na primeira aula desta sequência para que façam a leitura e organize uma roda de contação de histórias na aula seguinte, para que cada aluno conte uma síntese da obra lida.

Avaliação
Durante o desenvolvimento das aulas observe se a turma compreendeu quais são os elementos da ficção policial e se conseguiram identificá-los nos textos trabalhados em aula. Observe também se eles perceberam as semelhanças e diferenças entre os distintos tipos de ficção policial ao longo dos tempos e em obras escritas em diferentes países. Se julgar necessário, prepare mais algumas questões para uma avaliação escrita e tire as dúvidas restantes nas aulas seguintes.

 

Quer saber mais?

Bibliografia
Literatura policial brasileira, Sandra Lúcia Reimão, Jorge Zahar, 2005.
O que é romance policial, Sandra Lúcia Reimão, Série Princípios, Ática, 1983.
“Tipologia do romance policial”, In: Poética da prosa, Tzvetan Todorov, Martins Fontes, 2003.
Para gostar de ler, Vol. 12 – Histórias de detetive, Medeiros e Albuquerque, Ática, 1998.
Escândalo na Boêmia e outras histórias, Arthur Conan Doyle, L&PM, 1998.
Os cem melhores contos de crime e mistério, Org. de Flávio Moreira da Costa, Ediouro, 2002.
Como e por que ler o Romance Brasileiro, Marisa Lajolo, Objetiva, 2004.
Literatura brasileira e crime, Org. Vera Casa Nova, FALE/UFMG, 2008.

 

Consultoria Rodrigo Priante Ugá
Mestrando em Literatura e Crítica Literária pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e professor de Língua Portuguesa da rede pública do Estado de São Paulo.

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